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Crítica: Lunar

Ficção científica indie presta homenagem a clássicos

Érico Borgo
15 de Fevereiro de 2010

Lunar

Lunar

Moon
Inglaterra , 2009 - 97
Ficção científica

Direção:
Duncan Jones

Roteiro:
Duncan Jones, Nathan Parker

Elenco:
Sam Rockwell, Kevin Spacey, Dominique McElligott, Rosie Shaw

Ótimo
Lunar
Lunar

A ficção científica nas telonas tem duas vertentes bem definidas: a explosiva e intensa, que experimentamos com certa frequência em filmes como Transformers, Distrito 9 e Star Trek; e a filosófica, que tem em 2001 - Uma Odisséia no Espaço e Solaris dois memoráveis exemplos. Lunar (Moon, 2009), filme de estreia do diretor e roteirista Duncan Jones, chega para engrossar o segundo time.

Jones, filho de David Bowie, dirige a produção independente britânica com poucos recursos - algo sempre difícil em se tratando do gênero. Seus sets, a la Kubrick, são minimalistas, e as poucas cenas de exterior, na superfície da lua, são muito pouco convincentes. Mas não dava mesmo pra esperar arroubos visuais: os 30 milhões de orçamento de Distrito 9, por exemplo, são uma verdadeira fortuna perto dos 5 milhões de Lunar. É no talento que o filme se sustenta.

Sam Rockwell (No Sufoco, Confissões de uma mente perigosa) tem aqui um dos melhores papéis de sua carreira - e sabe aproveitá-lo com a entrega habitual. Ele passa quase todo o filme atuando sozinho. Suas únicas interações são com seu robô-auxiliar, completo com emoticons para expressar suas "emoções" simuladas, o sistema operacional Gerty. Kevin Spacey dubla a máquina atualizando a frieza distante de Hal 9000 com um tom preocupado e camarada.

Rockwell vive Sam Bell, empregado no fim do seu contrato com as empresas Lunar. Ele tem sido um empregado fiel da companhia há três anos, vivendo na base batizada de Selene, onde reside enquanto supervisiona a mineração de Helium 3. O precioso gás lunar é a chave para reverter toda a crise de energia da Terra. Sam sonha com o dia em que retornará à Terra, para ficar com sua esposa (Dominique McElligott) e filha (Kaya Scodelario), assim que terminar seu turno, mas a Lunar não vê o futuro dessa forma.

Lunar é ficção científica de primeira, embasada em pesquisas científicas (o Helium 3 e suas teorias de exploração existem em publicações) e que emprega esse cenário distante para abordar temas como individualidade, identidade, resistência e isolamento.

Jones cria sensações excelentes de solidão e rotina. Inicialmente, o filme lembra o melhor episódio da série de TV Lost, "Man Of Science, Man Of Faith", aquele que introduz o personagem Desmond. Afinal, Sam é um sujeito fechado em uma estrutura, com uma missão a cumprir. Mas é quando a paranoia começa a se estabelecer que a trama realmente engrena. O texto é excelente e todas as questões propostas são respondidas satisfatoriamente ao final.

Pena que, apesar de todas as críticas elogiosas e das passagens por festivais, Lunar tenha sido sumariamente ignorado pela Sony Classic ao redor do mundo. Restrito a lançamentos pequenos na Inglaterra, Estados Unidos e alguns poucos mercados, o filme acabou direto em home theatre nos outros países, inclusive o Brasil. Lunar é vítima de seus próprios trunfos - criar algo memorável com pouco dinheiro -, afinal, se a Sony não gastou com ele não vê necessidade de investir em marketing e buscar retorno. A lógica não fecha, mas pelo menos o filme, bem ou mal, chegou por aqui.

Assista aos 7 primeiros minutos do filme
Assista ao trailer
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Comentários (10)

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nehemias nehemias (17/02/2011 17:32:17)   -4 0
Totally bad ass.

Filme muito bom, mesmo.
Candidato forte a filme fodão de 2009. O filme é leve e trata de um assunto sério, ao mesmo tempo. Belas imagens, bom roteiro e atuação ok. Tudo no lugar.



Dennis Dennis (22/07/2010 08:41:05)   -1 0
o jeito é correr atrás do Blu-ray!



Jose Antonio Jose Antonio (12/07/2010 19:12:33)   -1 0
Muita pretensão e pouco conteúdo. Só me fez sentir saudades de filmes como 2001, O Enigma de Andromeda etc.



Ricardo Ricardo (12/07/2010 16:43:51)   0 0
Muito bom. Tem seus defeitos (o clima poderia ser mais escuro, afinal, a história é bastante tocante) e podia ser mais impactante. Mas é muito bem orquestrado pelo filho de Bowie, prende a atenção e tem boas doses de massa cinzenta. Corre o risco de ser refilmado daqui uns 10/20 anos. Pelo menos é assim que a indústria de Hollywood funciona. Por enquanto vai virar cool, cult, mas daqui há um tempo, vão tentar transformá-lo num blockbuster. Provavelmente com Michael Bay no comando. Ai, ai, ai. Nota 8.



@xandrelima @xandrelima (06/06/2010 03:38:56)   -1 0
Assisti o filme hoje. É o tipo de filme que faz pensar e no qual você passa ignorar erros e coisas improváveis pois a história é cativante e a atuação excelente.



Josias Josias (28/03/2010 01:48:44)   48 0
Muito bom esse filme...
Apesar do pouco orçamento e da sacanagem que a Sony fez, lançando ele direto pra DVD/Blu-Ray, o filme é ótimo..Um Sci-fi perfeito...
=)



Mario Mario (25/03/2010 10:59:00)   6 0
O filme é excelente!Um enredo de primeira qualidade.Primoroso para aqueles quem gostam de Sci-Fi e para aqueles que não gostam vale a pena conferir!!



Gabriel Gabriel (18/03/2010 19:29:23)   0 0
Excelente filme, criatividade pura. Em vez de pegar os 5 Milhões e fazer um drama de baixo orçamento como Preciosa(que também é excelente, porém inferior), Duncan Jones ousou e fez uma baita ficção, o 2001 dos dias de hoje. Sem toda a genialidade de Kubrick, mas trabalhando com os mesmos temas. Vale nota também a espetacular trilha do Clint Mansell. Filmaço.



felipe felipe (17/03/2010 20:50:32)   0 0
Muito legal o filme! quem gosta de Sci fi tem que assitir!



Β•Я•Ц•Ŋ•Ø Β•Я•Ц•Ŋ•Ø (16/03/2010 20:56:06)   16 0
Lendo a crítica me animei em assistir e não me arrependi. =]
É uma bela retratação de isolamento.
A cena inicial parece mesmo homenagear aquela do episódio 02x01 de Lost (série em q sou viciado). Tão brilhante quanto.




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