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Omelete Entrevista: J.J. Abrams

Diretor fala sobre os extras que estão no DVD e Blu-ray de Star Trek

Steve Weintraub
09 de Novembro de 2009

Star Trek
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Star Trek

No mesmo dia que conversamos com os roteiristas Roberto Orci e Alex Kurtzman sobre Star Trek e Transformers também tivemos a chance de conversar com uma das mentes mais criativas de Hollywood da atualidade, J.J. Abrams.

Nós já publicamos um pedaço da entrevista em que ele fala dos seus outros projetos (incluindo aí Star Trek 2), mas agora chegou a hora de deixá-lo falar sobre o lançamento em DVD/Blu-ray de Star Trek. Leia abaixo a entrevista, traduzida por Carina Toledo:

Você disse que gostaria que os fãs mais hardcore gostassem da sua abordagem para Star Trek. Agora que o filme está saindo em DVD, você pode dizer como eles reagiram ao filme? Como foi o retorno?

J.J. Abrams: Por sorte, e porque eles não nos mataram, eu acho que os fãs mais hardocre de Star Trek gostaram do filme. Eles são pessoas muito expressivas e apaixonadas. Eu fui avisado muitas vezes - e por muitas pessoas - que eu deveria tomar muito cuidado. Eles me perguntavam se eu estava com medo de fazer Star Trek. Fiquei um pouco nervoso, especialmente porque as pessoas ficavam me prevenindo sobre os fãs, mas parece que eles abraçaram a ideia e eu dou crédito total aos atores, que conseguiram assumir esses papéis. Eram papéis irônicos, até para pessoas que não conheciam Star Trek tão bem assim.

Todos meio que sabiam a história do Kirk e do Spock, mas o Chris Pine, Zachary (Quinto), Simon (Pegg), John (Cho), Anton (Yelchin), Karl (Urban) e todo o grupo simplesmente incorporou esses personagens, de uma maneira que tornou a trama fácil para pessoas que estavam assistindo pela primeira vez, como para os fãs antigos da série, que abraçaram os personagens. E, finalmente, porque o Leonard Nimoy participou do filme, de uma maneira muito significativa. Ele fez a ponte entre o Star Trek de antes e o que é agora. Nós nunca poderíamos ter feito o filme sem ele.

Quando você estava fazendo o filme, pensou sobre o conteúdo do DVD?

Eu sempre penso sobre a parte do DVD porque sou muito fã de DVDs. Eu busco ter certeza de que estamos fazendo coisas que vão beneficiar o filme. É uma questão de chamar as equipes de filmagem o mais cedo possível para começar a documentar momentos que pareçam totalmente triviais, sem nenhuma importância, mas que contextualizem o processo de como as coisas foram feitas. A equipe de um filme como esse, e especialmente essa equipe, trabalhou muito e conseguiu um resultado incrível. Eles normalmente são invisíveis porque se fazem um ótimo trabalho, você não pensa muito sobre o figurino, só olha pra ele. Se o trabalho for bom você não pensa muito sobre aquele efeito especial, aquele objeto ou cenário. E aí eles têm ainda mais motivos pra comemorar.

O que eu mais gosto dos extras de DVD é poder ver pessoas como Michael Kaplan (figurinista), Scott Chambliss (designer de produção), Roger Guyett (efeitos especiais), Michael Giacchino (compositor), ou qualquer uma dessas pessoas, quando elas assumem o palco e falam e documentam o trabalho incrível que foi feito. Eles sempre ganham crédito pelo trabalho, mas não recebem tempo frente às cameras. Então é ótimo vê-los ali, como foco.

Qual é o seu processo para os especiais de DVD? Você tem uma equipe especial na Bad Robot [produtora de J.J. Abrams] que você leva para todos os projetos?

Nós temos um ótimo grupo que trabalhou nesse DVD, com quem já tinha trabalhado antes. Tem algumas pessoas da Bad Robot, especialmente o David Baronoff, que trabalham com a gente nos materiais pra DVD e Internet. Bryan Burk e eu obviamente assistimos a todo o material editado, ouvimos as ideias, as propostas e produtos finais, e damos a nossa opinião.

Tem alguma coisa no DVD que te deixou muito empolgado, ou do qual você sinta um orgulho maior?

Eu estou empolgado com os extras que mostram um pouco sobre a personalidade dos atores, como a parte dos erros, o que eu acho muito engraçado. Quando você vê o Zachary errar e ir de Spock pra ele mesmo, essa troca é muito engraçada pra mim, porque ele não poderia ser mais diferente do Spock, e ainda sim ele é muito convincente. Vê-lo nessa transformação tão rápida, quando ele erra, me faz rir todas as vezes.

Ver a personalidade dos atores e como eles são ótimos fora de cena é maravilhoso. E também o trabalho de pessoas como o Roger Guyett, da ILM, e o talento para design de Scott Chambliss, que trabalhou tanto nesse filme quanto o Chris Pine ou o Zachary Quinto, redesenhando as naves e o mundo pelo qual os fãs são apaixonados. Então a minha parte favorita é ver essa parte de produção no foco e homenageada.

Você não se importa de quebrar a quarta parede?

Não, mas você não pode fazer isso antes que o filme seja lançado. Para mim, uma coisa que estraga a graça da coisa é quando você assiste a entrevistas e cenas e vê numa parte onde o cenário termina ou que é uma tela verde, antes do filme nem ter saído. Aí quando eu vou assistir o filme, isso estraga a experiência, me tira da história. Eu gosto de guardar essas coisas, e só depois do filme ter saído é que você vai falar "Meu Deus, que genial o jeito que eles fizeram isso!".

Tem muitos filmes que eu vi em DVD e fiquei tão feliz em ver os bastidores, então eu não vou ser mesquinho com isso. Parece bobo. Desde que não seja antes do lançamento. É até injusto com os artistas que fizeram o trabalho, não mostrar o que eles fizeram, porque as pessoas deveriam ver. É legal para as pessoas que curtem cinema e para os cineastas e até para a próxima geração de cineastas entender como foi feito. Aí eles terão uma maior noção de como foi feito.

Depois de ter cortado essa cena da primeira vez, existe alguma possibilidade de usar os Klingons de novo?

Uma das cenas excluídas no DVD e Blu-Ray é a parte em que você realmente vê os Klingons. Eles estavam no filme, e foi uma das coisas que eu odiei cortar, por inúmeras razões. Uma delas é porque eu amei o design, o mundo e a história, e aquele momento era muito legal, então estou muito empolgado para que as pessoas vejam aquelas cenas. Além disso o Victor Garber, que é um dos meus atores favoritos, interpretava um Klingon, com uma tonelada de maquiagem e um figurino enorme, pesado e muito quente. E aí eu tive que chamá-lo e contar que a cena dele não ia entrar no filme. Um grande consolo pra mim é que a cena viverá para sempre no DVD e Blu-Ray, e quero muito que as pessoas vejam isso.

Com o filme se passando numa linha do tempo alternativa, tem alguma coisa no DVD que define isso, ou explica o que é?

Tem elementos nos extras e nas cenas excluídas que falam sobre a linha da história e a lógica dela. Por exemplo, uma das coisas que as pessoas reclamaram foi tipo, "Ah, qual é, Kirk vai entrar numa caverna e encontrar com o Spock sem querer? Isso é a coisa mais idiota que eu já ouvi!". Ok, é improvável. Mas, na cena em que eles estão na caverna, tem uma parte que está no DVD e que foi cortada do filme, em que o Spock fala sobre isso e como esse é o jeito que a linha do tempo encontrou de consertar a si mesma. É mais sobre o destino que qualquer outra coisa. É meio engraçada.

Quando estávamos trabalhando no roteiro, francamente foi um daqueles momentos em que eu me perguntei como, pelo amor de Deus, a gente vai resolver isso? Foi uma das coisas geniais que o Alex e o Bob fizeram. Eles tornaram isso uma questão sobre a inevitabilidade. O filme é sobre essa família que nada pode separar. É sobre aquele tipo de amizade que sobrevive a tudo. Então a genialidade está em pegar o momento mais improvável, uma coincidência que eu nunca - nem em um milhão de anos - acreditaria, e colocar um holofote nisso e dizer "Isso é o destino em funcionamento". E aí você concorda.

Para mim, a cena é um daqueles momentos que eu achei perderiam o sentido que existe no vídeo agora porque, para mim, não precisa ser explicado. Apesar de que eu acho que algumas pessoas iam achar legal, porque ajuda a explicar um acontecimento tão improvável.

Essa linha de tempo alternativa vai afetar vocês na continuação, em relação ao que vai ser incluído e o que vai sair?

O segredo para fazer qualquer filme, mas especialmente um como esse, que envolve uma realidade alternativa e viagens na linearidade da história é que você não quer deixar tudo no mistério, mas também não quer explicar demais. Eu acho que você se diverte tanto com aquilo que está faltando quanto com aquilo que é mostrado. Então, para mim, não saber de todos os detalhes me permite entrar na história e completar os espaços em branco. Quando te dão tudo na boquinha, parece que você está sendo mimado demais, ou que o filme é muito expositivo. É sempre uma questão de encontrar um equilíbrio.

Você disse anteriormente que a decisão mais difícil foi não incluir o William Shatner no filme. Você pode falar um pouco sobre a parte no DVD/Blu-Ray chamada "O Enigma de Shatner"?

Essa coisa do Shatner aparece bastante. Como alguém que era um enorme fã do William Shatner só pelos episódios que ele fez em Além da Imaginação, e que gostava muito do que ele fez em Star Trek, mas sem me tornar um fã mesmo até eu começar a trabalhar nesse filme, já era uma conclusão de antemão que queríamos o Shatner no filme. O problema era que o personagem dele morreu, em cena, em dos filmes de Star Trek, e também porque nós decidimos desde o início aderir o máximo possível à trama original de Trek. Isso foi um grande desafio porque até mesmo a série original não aderia, de várias maneiras, ao cânone de Trek. E as manobras necessárias para trazer o Shatner para o filme seriam muito difíceis, pela história que nós queríamos contar e também para dar a ele um papel que o deixasse feliz. É o tipo de coisa que ia parecer um truque só para ter o Shatner no filme, o que pra mim, sinceramente, seria uma distração.

Tirando isso, teria sido divertido tê-lo no filme? Com certeza. Seria ótimo trabalhar com ele? Sem dúvida. Eu estava tão empolgada para trabalhar com ele como com o Sr. Nimoy, que por sorte nós conseguimos ter no filme. O que eu posso dizer é que "O Enigma de Shatner", que vocês verão no DVD, fala sobre isso. Essencialmente, a questão é como colocá-lo no filme quando você quer tanto que ele faça parte, mas aí a história iria contra o que você realmente quer contar.

Você está pensando em colocá-lo no próximo filme?

Estou aberto a tudo. Eu adoraria achar um jeito, mesmo com o desafio de apresentar esses novos personagens e levando em consideração o peso de ter que escalar esses atores. Eu sinto que no primeiro filme nós fizemos muito do trabalho pesado que precisava ser feito para nos libertarmos para uma continuação e seguir em frente. Talvez agora não será um fardo e teremos mais oportunidade para trabalhar com ele novamente. Nós conversamos. Aliás, temos um almoço marcado. Eu sou um fã dele e amigo. Ou, pelo menos eu o considero meu amigo. Talvez ele diga o contrário no blog dele hoje, eu não faço ideia. Mas eu realmente gosto muito dele e adoraria trabalhar com ele.

Nicholas Meyer assistiu a todos os 79 episódios de Star Trek antes de dirigir A Ira de Khan. Quantos dos episódios originais você assistiu, antes de dirigir o seu filme?

Eu assisti a maioria dos episódios originais. Muitos deles eu assisti com os meus filhos, e eles adoraram, muito mais do que eu achei que eles gostariam. E ficaram muito assustados. Foi muito legal ver esses episódios pelos olhos de uma criança de 7 ou 8 anos.

Nicholas Meyer, que é um ótimo diretor e escritor, era amigo dos meus pais quando eu era criança. Quando eu era criança, entre as várias coisas ridículas que eu fazia, e tem muitas delas, eu fazia essas fitas de comédia ridículas. Às vezes eu passava trotes por telefone, mas também fazia fitas com meus amigos. O Greg Grunberg e eu fizemos inúmeras dessas fitas idiotas. Eu me lembro claramente de uma noite em que o Nicholas Meyer tinha ido jantar lá em casa, e ele foi no meu quarto, eu tinha uns 9 ou 10 anos eu acho, e nós fizemos uma fita juntos, era muito idiota. Era uma entrevista em que nós interpretávamos uns personagens, um entrevistando o outro.

Ele era um cara que estava confortável em ser bobo. Eu sabia que ele era um escritor mas nem sabia muito sobre isso. A ideia de que ele mais tarde iria dirigir um filme de Star Trek, e que mais tarde ainda eu dirigiria um, me parece muito estranha. Eu nunca falei disso porque acho tão chato, mas é uma daquelas coisas. E aí anos mais tarde ele veio ao meu Bar Mitzvah e me deu de presente o livro de Sherlock Holmes, em dois volumes, sem cortes, cheio de anotações, e que eu ainda tenho.

É bizarro pra mim porque eu também fui muito fã dos filmes dele. Esse foi o auge da minha época de fã de Star Trek. Eu vi o primeiro filme, mas aí quando saíram os filmes dele eu adorei. E sempre senti uma proximidade, porque eu conhecia aquele cara. Foi muito surreal pra mim estar nesse papel, e ser a pessoa que grita "Ação!".

Leia mais sobre Star Trek no Especial


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