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Aqui É o Meu Lugar | Crítica

Filme de Paolo Sorrentino com Sean Penn não procura um lugar, mas uma dor que combine com seu remorso

Marcelo Hessel
20 de Outubro de 2011

Aqui É o Meu Lugar

Aqui É o Meu Lugar

This Must Be the Place
Itália / França / Irlanda , 2011 - 118 minutos
Comédia / Drama

Direção:
Paolo Sorrentino

Roteiro:
Umberto Contarello, Paolo Sorrentino

Elenco:
Sean Penn, Frances McDormand, Judd Hirsch, Shea Whigham, Harry Dead Stanton, Kerry Condon, Eve Hewson, David Byrne, Joyce Van Patten, Heinz Lieven

Regular
aqui é o meu lugar
aqui é o meu lugar
aqui é o meu lugar

Cheyenne nunca fumou cigarros - uma personagem de Aqui É o Meu Lugar (This Must Be the Place) diz que tabaco é coisa de quem quer ser adulto, e Cheyenne sempre fora infantil - mas abusou de todas as outras drogas concebíveis. Isso dá pra ver na cara e nos gestos do decrépito e milionário roqueiro oitentista, que Sean Penn interpreta com a maquiagem de Robert Smith e a leseira de Ozzy Osbourne.

O filme do italiano Paolo Sorrentino (O Crocodilo) tira Cheyenne da sua letargia - uma rotina de aplicar batom e lápis pela manhã, monitorar ações na Bolsa de dia e ser avistado por fãs pelas ruas de Dublin - quando o roqueiro descobre que o seu pai está morrendo em Nova York. Cheyenne não conversa com o velho há 30 anos, sequer segue a religião da família, mas recebe uma missão incontornável: encontrar em algum lugar dos EUA o velho nazista que humilhou seu pai em um campo de concentração na Segunda Guerra.

Aqui É o Meu Lugar é uma história de vingança, portanto, misturada com comédia dramática e road movie. Rapidamente descobrimos que o filme sofre, assim como Cheyenne, de um certo déficit de atenção. Questões são abordadas e deixadas pelo caminho (como a tentativa de Cheyenne de aproximar dois jovens solitários) e o que dá o tom é a estranheza. "Tem algo de errado aqui, não sei o quê, mas tem", fala o roqueiro o tempo todo.

Como diz a letra da música do Talking Heads que dá nome ao filme, "vamos criando à medida em que avançamos, pé no chão e cabeça nas nuvens". Sorrentino tateia o filme-de-redenção enquanto experimenta com elementos que não são necessariamente familiares entre si (o processo de regressão judaico tem pouco a ver com os temas típicos do filme de estrada americano, por exemplo), como se o seu longa fosse mesmo se construindo aleatoriamente, com a cabeça nas nuvens, a partir de situações catadas dentro de imaginários independentes (o imaginário da música pop, da Segunda Guerra, da América profunda).

A única coisa constante em Aqui É o Meu Lugar - e que talvez tenha algo a ver com a memória italiana do Holocausto - é seu profundo remorso. No fim das contas, Cheyenne não procura um lugar. Ele procura uma dor que seja legítima, que combine com seu estado de espírito, seu desejo de purgação. O roqueiro reclama que escrevia canções depressivas nos anos 1980 só pra ganhar dinheiro, e é em busca de uma dor de verdade - a do seu pai - que ele parte pelos EUA atrás de vingança.

Mas é possível sentir uma dor que não seja sua, uma dor transferida? Não seria essa dor - como a maioria das cenas de Aqui É o Meu Lugar, que parecem imitar a vida - uma mera projeção?

Aqui É o Meu Lugar | Trailer

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Comentários (28)

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Rafael Rafael (06/09/2012 23:40:51)   31 0
Acabei de assistir o filme e foi MARAVILHOSO! No final consegui sorrir assim como os personagens!
Sean Penn fantástico, consegue demostra toda raiva/tristeza/remordo de Cheyenne em 5 minutos em um discurso sentimental e profundo sobre sua carreira, amor e solidão, em uma parte do filme.
O roteiro e os dialogos mostram um rock star que já viu de tudo na vida e que busca uma saída para o seu tédio,s e aventurando pelo EUA em busca do Nazista que humilhou o seu pai no holocausto. É apenas uma criaça/velha pregando peça e saindo da sua zona de conforto buscando formas de sorrir :)

#Recomendo!!



sem avatar MARCOS (01/08/2012 12:22:37)   -82 1
AVISO AOS NAVEGANTES,ISSO NÃO É FILME.
É CINEMA, É SÓ PARA QUEM CONHECE ESSA MANIFESTAÇÃO DE ARTISTICA.PARA VCS TEM AI OS MERCENÁRIOS CHEGANDO PRA MATAR ESSA SEDE DE FUTILIDADE DE VCS.



sem avatar ISSA (31/07/2012 17:46:32)   0 0
vc pode sim sentir a dor de outra pessoa, leio criticas aqui de filmes perfeitos q os criticos só fazem dizer que é horrivel, entao pq os criticos nao viram diretor e fazem um filme perfeito? pq eles nao conseguem



Emerson Emerson (31/07/2012 11:09:01)   45 0
O filme é legal, a galera tem mania de achar que só porque a crítica é desfavorável não vale a pena ver o filme. Quem viveu o anos 80 (como eu) e gostou de the cure e the smiths deve curtir o filme só pela trilha sonora.



Mari Dias Mari Dias (29/07/2012 16:06:31)   11 0
" O poeta é um fingidor que seja a fingir que é dor, a dor que deveras sente. "

Belo final de crítica, meu querido e amado Roberth Smith sempre inspirador/ inspirando.

The Cure sempre.



Érico Érico (27/07/2012 08:12:38)   6 1
Se vocês criticam as críticas do Hessel, queria que vocês lessem as críticas da Ana Maria Bahiana.

O que o pessoal não percebeu ainda é que filmes dramáticos sempre são analisados pelo Hessel porque ele consegue estabelecer de forma coerente e profunda o perfil do tal filme. Filmes de aventura, "cool", dificilmente recebem análises dele - não porque ele não goste - mas sim porque a "pegada" dele é mais densa e analítica pra filmes dramáticos e isso, pra mim, é ótimo.


sem avatar fábio (29/07/2012 12:51:16)   23 0
concordo com vc, érico, tanto que todos os filmes dramáticos ou de arte que o hessel recomenda é batata! Adoro... já os filmes de ação...rs... digamos que prefiro a carinha de mostro da Emma Stone do que do Hessel expressando "me pega"


Nikita Nikita (26/07/2012 18:58:10)   348 0
O Sean Penn está parecendo com o Edward Mãos de Tesoura velho.


KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK



Guilherme Guilherme (05/03/2012 00:04:17)   18 1
Não entendi, os comentários servem para detonar o pessoal do site?

Chato isso, tem mesmo é que tirar essa ferramenta, pq é melhor ser cego do que ler determinadas bobagens...



James James (13/02/2012 17:56:08)   80 0
Poxa, o trailer prometia tanto...



Dark Dark (07/02/2012 11:11:52)   633 0
Como sou membro da subcultura Dark, vou ver esse filme, afinal de serta forma tem algo ai familiar a mim sendo retratado num filme... e gosto de assistir coisas bizarras assim...



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VALÉRIO VALÉRIO (07/11/2011 15:14:32)   -1 0
MAC-STORB =>
A insuficiencia de uma lógica formal pode produzir falhas de sustentação da superestrutura
[o que um conhecimento informal não tornaria evidente]

O comentário tem origem na proposição epistêmica "seja A um referencial social válido".
Ao se criar uma identidade utilizando uma tipologia ambivalente como referencial comportamental existe a possibilidade de ser alterado o valor ideológico. Assim, pois, inserindo um fator de anormalidade [ambivalência de gênero, neste caso], como base do filme, temos o valor ideológico alterado [neste caso, o conhecimento técnico] evidente na variação do índice de incerteza de integração de grupos com a associação anormal de uma identidade ambivalente [de acordo com o Princípio de Heinsenberg Reestruturado, o resultado de propagação de incerteza é observável em escalas na quais a menor unidade do grupo seja correspondente a = 0,1, podendo exercer ações que afetam o resultado das ações do grupo].
O projeto da identidade ambivalente é um padrão da sociedade de risco de Ulrich Beck, a qual, neste caso, se desenvolve a partir da fissão do conhecimento formal de projeção da realidade. Por conseguinte, os personagens desta sociedade passam a parecer meras construções não éticas, cuja influência sobre o SNC é talvez a base da remodelagem comportamental de dissociação que produzirão desvios de massa [sem identificação das causas no futuro]. A concepção de uma identidade a partir de conceitos não racionalizados denomina-se conhecimento não técnico de AA da estrutura social de inserção da anomalia [i.é. da ambivalência], de modo que o método de resolução de problemas de forma racional é não ordená-lo em um modelo sociológico.
A (des)vantagem lógica deste modelo de representação da realidade é não ter um circuito controlador de sinais digitais de um analisador comportamental de massa.



Nilsinho Nilsinho (21/10/2011 11:36:59)   7 0
Saudade das críticas em que se fala da montagem, trilha sonora, roteiro, fotografia, etc e tal. Esse Hessel devia ir escrever as mensagens do dia no programa da Ana Maria braga. rsrs


Renan Renan (27/07/2012 01:31:38)   53 -2
Tb tenho esta opinião, nada contra o critico, goto mto dele no omelete tv, mas ele e outros do site, difilcimente fala da trilha sonora, fotografia, figurino, etc....


lennao lennao (20/10/2011 17:04:48)   136 -2
nossa, crítica chata demais. e do filme mesmo pouco pode se entender.



Roger Roger (20/10/2011 13:20:24)   66 1
Parei de ler as críticas do Hessel.

Tá enrolando demais nas críticas, fica sempre nessa "análise psicológica" do filme e no fim acabando não dizendo nada.
Acho que devia ser mais objetivo.
Tá certo que é o seu estilo de fazer criticas, e eu até respeito, mas não leio mais.



Raul Raul (20/10/2011 13:15:13)   1071 -1
Visual feio em, Sean!



Breno Breno (20/10/2011 11:14:52)   36 1
Engraçado como o título nacional teve a ver com a crítica do Hessel. A distribuidora deve ter visto o filme.



SONNY CHIBA SONNY CHIBA (20/10/2011 11:04:11)   57 1
caraca maluco o sean penn ta parecendo mas um traveco q e um roqueiro , visao do inferno!



Maikon Maikon (20/10/2011 10:55:34)   69 -1
Olha... por isso que eu prefiro ler as Críticas do Érico.

O Hessel volta e meia dá uma de Pedro Bial e fica tentando fazer poesia...


Diego Brisse Diego Brisse (20/10/2011 11:42:02)   28 0
rsrsrs
Estilos diferentes, Nerd X Geek. Todos dois (Borgo e Hessel) tem bons e maus momentos, algumas críticas realmente são muito espalhafatosas, mas sempre leio todas.

Diego Brisse Diego Brisse (20/10/2011 21:20:42)   28 -1
O Forlani parece ser equilíbrio entre os dois tipos! Forlani = Geerd? rsrsrs

Renan Renan (27/07/2012 01:38:23)   53 -1
kkkkkkkkkkk Esssa foi boa Diego!




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