Um Método Perigoso | Crítica

David Cronenberg trata de interlocução, inconsciente coletivo e Holocausto em sua obra mais reflexiva

Marcelo Hessel
17 de Outubro de 2011

Um Método Perigoso

Um Método Perigoso

A Dangerous Method
Canadá / Alemanha / Suiça / Reino Unido , 2011 - 99 minutos
Drama

Direção:
David Cronenberg

Roteiro:
Christopher Hampton, John Kerr

Elenco:
Michael Fassbender, Keira Knightley, Viggo Mortensen, Vincent Cassel, Sarah Gadon

Excelente
um método perigoso
um método perigoso
um método perigoso

São necessárias duas pessoas para testemunhar o inconsciente.

Essa é uma das bases da psicanálise, a cura pelo diálogo, e é em busca desse diálogo que David Cronenberg está. O diretor que sempre serviu de "testemunha" em seus filmes, observando de cima como o inconsciente se manifesta de forma sexual, violenta e frequentemente deformadora em seus personagens, agora assume uma posição mais neutra - e deixa que os próprios criadores da psicanálise, Carl Jung e Sigmund Freud, observem a si mesmos.

Só por isso já dá pra antever que Um Método Perigoso (A Dangerous Method) é uma criatura atípica dentro da obra de Cronenberg. O cineasta - que enquanto mero observador não estabelecia, de fato, um diálogo com seus personagens - faz aqui um exame mais complexo da natureza humana. É o seu filme mais reflexivo, mas não menos perturbador que obras-primas como A Mosca e Marcas da Violência.

Tanto o livro A Most Dangerous Method, de John Kerr, quanto a peça The Talking Cure, de Christopher Hampton, servem de base para o roteiro. Nele, o jovem suíço Carl Jung (Michael Fassbender) começa a colocar em prática a psicanálise que o austríaco Freud (Viggo Mortensen) havia formulado em teoria. A tese do médico judeu, de que o desejo sexual é o motor do nosso comportamento, é comprovada por Jung em uma das suas primeiras pacientes: a judia russa Sabina Spielrein (Keira Knightley), que se sentia atraída pelos castigos físicos de seu pai.

Estudiosos defendem que Spielrein - que depois de ser paciente de Jung em 1904 e 1905 tornou-se sua assistente, antes de filiar-se a Freud - ajudou a formular o conceito de pulsão de morte, que depois seria atribuído ao austríaco. É essa versão dos fatos que o filme encampa (e que são em boa parte escudados pelas correspondências de Spielrein encontradas nos anos 1970), para colocar Sabina como catalisadora das diferenças entre Jung e Freud.

Um Método Perigoso já seria um filme notável se apenas expusesse as idiossincrasias que terminaram afastando o mentor e seu mais notável pupilo. Freud inveja a riqueza do "ariano" Jung, que por sua vez ressente-se do judeu que não lhe conta um sonho que teve, "porque isso acabaria com a minha autoridade", justifica Freud. Sabina Spielrein, que na superfície é aquela que mais se parece com uma personagem típica de Cronenberg (até o overacting habitual de Keira Knightley vira um lance de autor aqui), com seus "desvios" de comportamento manifestos fisicamente, no fim é a pessoa, dentro do trio, que melhor lida com sua personalidade.

Já seria notável, enfim, por toda essa observação. Mas o que transforma o filme de fato em uma obra desestabilizadora - muito além da simples curiosidade diante dos caprichos dos pais da psicanálise - é o que Cronenberg e o corroteirista Hampton (que adapta o roteiro de forma bastante fiel à sua peça) têm a dizer sobre o Holocausto.

Há referências demais à tragédia do século, ao longo do filme, para que elas sejam ignoradas. Está nos diálogos: "Os anjos falam alemão", diz Jung, enquanto Freud, já absorto em sua preocupação com o antissemitismo, diz a Sabina que fica feliz por ela desistir de seu "príncipe ariano". Está nas situações: a plateia congelada enquanto Jung toca Richard Wagner em um experimento. E, finalmente, está nas entrelinhas: na pulsão de morte da teoria da judia masoquista Sabina e na preocupação de Jung com "um pouco de repressão que seja saudável à sociedade" e com "um ato inominável que permita continuar vivendo".

São referências espalhadas muito pontualmente (em uma narrativa repleta de elipses como a de Um Método Perigoso, toda cena é crucial), e tirar uma conclusão delas exige ver o filme mais de uma vez. O que não há dúvidas é que aqui está em curso aquilo que Freud chamou de "trabalho de luto": transformar o incomunicável em verbo, em uma articulação, para superar o trauma dessa vivência incomunicável - que neste caso seria o Holocausto.

Desequilíbrio de interlocução

Com ou sem essa interpretação (martelada até os créditos finais, que mencionam a Segunda Guerra), o fato é que Cronenberg faz aqui alguns comentários sobre o inconsciente coletivo europeu (o inconsciente coletivo é um conceito junguiano, aliás) e um assombroso estudo de personagens sobre interlocução e o tal testemunho do insconsciente.

Quem melhor analisou a questão da interlocução no filme até agora foi a crítica Amy Taubin na edição de setembro/outubro deste ano da revista FilmComment. Ela defende que a mise en scène econômica de Cronenberg ajuda a expor o desequilíbrio da reciprocidade. Cronenberg usa uma lente grande-angular para destacar ainda mais quem está no primeiro plano e afastar a pessoa que está no segundo plano. Dá pra notar a eficiência desse procedimento nas cenas em que Sabina se consulta com Jung; Knightley e seus olhos esbugalhados ficam mais salientes, enquanto de Fassbender, desfocado no fundo, não conseguimos ver a verdadeira reação.

Esses momentos, em que a interferência do cineasta se dá de forma bastante discreta, a olhos apressados podem parecer desapaixonados, despojados demais. Não se engane: Um Método Perigoso é filme de um autor na maturidade.

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Comentários (63)

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sem avatar MARCOS (15/09/2012 16:42:35)   -78 0
ESSE FILME FICOU MUITO BOM, E NÃO LI NINGUEM AQUI CITAR OUTRO GRANDE FILME DO CRONENBERG AINDA MAIS COMPLEXO SE NÃO O MAIS COMPLEXO: SPIDER - DESAFIE A SUA MENTE, FICA A DICA.



Jorge Luís Jorge Luís (10/08/2012 15:19:48)   89 -1
Embora não seja totalmente fracassado, muito devido ao excelente elenco, “A Dangerous Method” não está à altura dos dois últimos excelentes trabalhos de David Cronenberg: “A History of Violence” e “Eastern Promises”.

Falta-lhe a contundência visual e retórica, que é o ponto alto deste cinegrafista.

Assim, é impossível evitar certa decepção com o resultado final desta produção, baseada, sobretudo em diálogos, e que procura apenas expor a teoria e a prática da psicanálise, através da relação entre seus dois maiores expoentes, Sigmund Freud e Carl Jung.



sem avatar Alexandre (03/05/2012 17:49:01)   6 0
As atuações são ótimas, a fotografia é linda e o enredo muito bom! Tem uma crítica completa em http://www.artigosdecinema.blogspot.com.br/2012/05/um-metodo-perigoso-dangerous-method.html



Beatriz Beatriz (17/04/2012 14:34:03)   -1 0
Gostei do filme. Sintetiza de maneira simples a "teoria" e a relação de Freud e Jung.
Me interesso muito por Psicanálise e afins, isso prendeu muito a minha atenção durante o filme, mas pra quem não é tão chegado e tem pouco conhecimento sobre o assunto e sobre a história dos dois, acho que o filme fica um pouco cansativo. Foi o que percebi comparando a minha opinião com a opinião dos meus amigos presentes.



sem avatar Daniel (05/04/2012 11:40:27)   0 0
David Cronenberg é conhecido por alguns clássicos, como The Dead Zone (1983) e The Fly (1986), e aclamado pelo A History Of Violence (2005), que, particularmente, não gostei. Um diretor com altos e baixos em sua carreira, mas que atinge seu ápice ao concluir esta que pode ser considerada sua obra-prima: A Dangerous Method (2011).

A história conta o desenvolvimento de uma das mais férteis e intrigantes amizades entre dois gênios da ciência, os ícones da psicanálise Carl Jung (Michael Fassbender) e Sigmund Freud (Viggo Mortensen). O filme começa com Jung recebendo sua mais famosa paciente (futura assistente e uma das primeiras mulheres psicanalistas), Sabina Spielrein (Keira Knightley), uma russa, filha de ricos mercadores judeus.

Desde o início, Cronenberg utiliza-se da figura central de Jung para apresentar a dualidade entre as várias personagens. A dualidade médico-paciente entre Jung e Spielrein; repressão-liberdade, com Jung e Gross. Com Freud, há uma infinidade de aspectos duais: o cético vs. o crédulo, o judeu vs. o ariano, o pobre vs. o abastado, etc. Estas dualidades são o que torna o filme rico e permeado de geniais debates filosóficos. Apesar de possuir uma certa profundidade psicanalítica, estas discussões acerca de temas inquietantes (que até hoje são considerados tabus), como monogamia, traumas, sexualidade, perversões, etc., são debatidas abertamente em termos fáceis e objetivos para que os telespectadores leigos também possam compreender. A narrativa é leve e objetiva; brilhante no seu modo de conduzir os temas pesados, mas também os cotidianos, como o amor, a família e a amizade.

As tão famigeradas e consideradas “perversões sexuais” também são apresentadas, porém de maneira leve, sem vulgaridade, mas ainda assim bem sensuais, sejam diálogos ou cenas. A química entre Jung e Spielrein é excitante. Até a eterna piada em relação à “obsessão” de Freud por sexo está lá, inserida de modo sutil num inteligente debate entre Jung e Gross.

A dupla de atores principais (Fassbender-Mortensen) estão excelentes. Cumprem mais que suas obrigações em humanizar os gênios representados. Fassbender transmite o conflito que sua vida se torna ao conhecer Spielrein e Freud e ao se aprofundar em suas idéias e pesquisas. Conflitos éticos, científicos, morais e sexuais, para os quais não encontra respostas. Freud é maduro, avaliador, misterioso e mais centrado. Seria Jung inovador e Freud o egocêntrico conservador, que tenta refreá-lo? Ou seria Freud realista, tentando reprimir o idealismo de Jung para proteger o futuro da psicanálise em meio a uma sociedade conservadora? A iminência das guerras na Europa como pano de fundo valida o medo de Freud? Enfim, o que colocou um ponto final na amizade entre eles: suas divergências metodológicas ou seus egos?

Vale destacar Knightley, perfeita, em talvez a melhor atuação de sua carreira. Vincent Cassel também está ótimo como Otto Gross, em uma aparição rápida, mas que deixa a sua marca, mesmo entre tanto brilhantismo. A direção de arte é impecável; destaque para a cenografia, com locações belíssimas.

É um filme para se pensar, refletir e rever conceitos. É um contraste entre diálogos profundos e o visual encantador da Europa Central. Cronenberg dirige um filme áspero de se fazer com a leveza e a facilidade de um mestre. Sem dúvida um dos melhores filmes de 2011 e que poderia ser, mesmo sem sequer ter sido indicado ao Oscar, um concorrente de peso ao prêmio de melhor filme do ano.


Maressah Maressah (05/04/2012 23:38:11)   0 0
Uma das melhores críticas que já li no Omelete! Também fiz uma análise! Leiam, amiguitos! http://www.cinematicos.tv/2012/04/analise-o-metodo-perigoso-de-david.html


Marcus Santana Marcus Santana (01/04/2012 13:39:38)   3488 -1
Eu fui assistir ontem com a minha esposa e ela como psicologa adorou,mas eu nao!

3 Ovos.



Rafael Rafael (30/03/2012 21:58:25)   95 0
Já estou com este filme no HD do PC. já vai fazer meses, mas não tive coragem de assistir até hoje, quero ter o prazer de ve-lo nos cinemas.

E agora vou ter esta oportunidade.
Amanhã ou Domingo será o grande dia.



Giovanna Giovanna (30/03/2012 21:50:12)   9 0
Vo conferir ainda essa semana, parece ser o melhor dos estreantes dessa sexta.



sem avatar Santos D. (30/03/2012 20:34:27)   1285 0
Com esse trio de protagonistas e esse diretor juntos no mesmo filme, certamente vale uma conferida.



Calebe Calebe (30/03/2012 17:42:55)   391 0
Quando vi sobre o que se tratava o filme, vi que não havia ninguém melhor para escrever a crítica do que nosso amigo Marcelo Hessel!
Pra falar a verdade, nem li. Preguiça de ler suas pseudocríticas!



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Frank Frank (30/03/2012 11:46:52)   104 0
O filme tem ótimas atuações sem, era de se esperar de um ótimo elenco. Mas eu sinceramente fiquei decepcionado, esperei muito mais do que esse filme entrega. Uma coisa que incomodou e que destoa do filme, que foi a exploração daquela relação masoquista, que poderia de sido dispensada sem falta alguma. Na verdade aquela atriz e personagem tornou maçante o que deveria ser o mais picante.


Jetro Jetro (31/03/2012 08:38:58)   216 0
Sem a relação masoquista não seria um filme de David Cronenberg.


Lívia Lívia (30/03/2012 01:59:44)   132 0
Esse filme é INCRÍVEL!!! Além das atuações maravilhosas! Senti que ele é bem focado na relação do Jung com o Freud, aliais acho que nem a Sabina e nem a esposa do Jung sejam realmente o ponto do filme, mas sem o "desencanto" que ele sofre com o Freud aos poucos tendo a Sabina como estopim.
Enfim, é maravilhoso, eu já vi uns 4 vezes e realmente vale a pena.



Renan Renan (30/03/2012 01:26:02)   2484 1
A critica ficou boa, mas toda vez que o Hessel dá 5 ovos pra algum filme eu não entendo nada. kkk Pelo menos com o Tio Boné que Tem Vida Passada (alguma coisa assim) foi assim. kkkk



Please No Please No (29/03/2012 22:52:53)   131 2
Quando é David Cronenberg, nem precisa de crítica, podem ver que é obra-prima!

Uma pena que, filme bom, no brasil, chega depois do DVD.



Romualdo Romualdo (29/03/2012 22:52:18)   1622 1
Confesso que fiquei um pouco tonto com a crítica rs... assistirei ao filme e lerei de novo pra ver se as coisas ficam mais claras XD!



Raul Raul (02/03/2012 14:21:55)   1073 1
Acabei de assistir o filme. Achei ótimo. Não excelente. Cronenberg mais uma vez mostra seu talento, e como sabe escolher bem seus atores. O trio principal esta excelente! Não entendi muito a crítica do Hessel ao Fassbender, pois só com seu olhar da pra ver toda a intensidade e presença de cena que tem esse excepcional ator.



sem avatar Josy (20/02/2012 20:41:59)   1 0
Prezado Hessel algumas informações: Freud é o fundador da psicanálise Jung não tem nada a ver com a criação da mesma, Jung fundou a psicoterapia analítica que é outra coisa, e Jung não começa a colocar em prática a psicanálise, Freud já o fazia. E não é cura pelo diálogo e sim cura pela fala, em psicanálise não precisa que dois falem para busca da cura, salvo a interpretação do psicanalista. Penso que para ser critico de cinema não basta saber de cinema (coisa que você acha saber) tem também que no mínimo ler sobre o tema abordado no filme que pretende “julgar” pois é isso que pseudo crítico faz e não críticas, para não cair no ridículo da ignorância por escolha.



sem avatar Wilson (03/04/2012 13:40:08)   0 0
comentário desnecessário, o importante é que os dois tem um peso muito importante dentro da psicologia como um todo


sem avatar Juscelino (16/02/2012 23:19:41)   1 1
Muito me admira que o Marcelo Hessel tenha visto excelência no filme. Particularmente, depois de ler ótimas entrevistas em que ele fala sobre o papel do crítico de cinema, da arte na era digital me surpreende que ele tenha caído na armadilha que é este filme do Cronenberg. Tendo a imaginar que ele tenha visto outro filme. Mas é preciso reconhecer o mérito: a crítica é muito melhor do que o filme, rs. Ah, um recado aos incautos: tomem cuidado, pois ao divinizarem o crítico. Sem sinceridade não há elogio sincero. E como já dizia um velho tricolor, toda a unanimidade é burra.

J.



curisco curisco (15/12/2011 14:59:04)   667 0
fessbender e Mottersen juntos? Não posso perder!

COm dois personagens destes e este elenco...



Glenda Glenda (21/10/2011 23:46:01)   94 0
Parece realmente excelente.

VEREI.



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Nilsinho Nilsinho (21/10/2011 00:32:35)   8 0
Continuo detestando o Hessel, mesmo assim assistirei o filme com toda cerveja!



Raul Raul (18/10/2011 12:31:26)   1073 0
Outro filme que eu sequer tinha ouvido falar. Parece super interessante! Bom elenco, apesar de eu não ir nada com a cara do Vincent Cassel!

Assistirei!



Lauro Lauro (18/10/2011 08:53:56)   3716 2
Tenho muito interesse por esse filme, e o aguardo com muita expectativa!

Ele já me interessaria porque é relacionado à minha área de atuação profissional em Psicologia e Psicanálise, mas a crítica realmente me inspirou a procurar e assistir essa obra!

Grandes atores, ótimo diretor e uma história muito interessante... É simplesmente imperdível!

Parabéns ao Marcelo Hessel pela crítica tão sensível e embasada em relação ao filme!

Falou!!!



sem avatar heitor (18/10/2011 02:39:27)   30 0
E Dario Argento no Rio, ninguem vai falar nada?

Po, ele é um mestre. Omelete relapso.


Marcelo Marcelo (18/10/2011 10:51:58)   111 1
Os filmes do Argento estão sendo mencionados nas dicas da programação do Festival: http://omelete.uol.com.br/festival-do-rio-2011/

Débora Débora (18/10/2011 10:55:49)   1592 0
Boa pergunta!!


sem avatar heitor (18/10/2011 02:17:33)   30 3
Conceito de mise-en-cene mal empregado no texto. A mise-en-cene da qual Hessel fala exclui as outras vertentes do que realmente ela é. Mise-en-cene é, por preguiça de escrever um texto mais longo, tudo que está contido na imagem (Atores, cores, enquadramentos, ambientes, luzes, gestos, enfim, tudo que se ve e tambem a forma como se vê. Por isso que o conceito entrou em grande uso no inicio do movimento da Novelle Vague francesa.


sem avatar heitor (18/10/2011 02:19:53)   30 3
Mas a critica está bem embasada. Hessel demonstra que sabe do que está falando e que conhece bem os teorias psicanaliticas de Freud e de Jung.
Uma critica de dar gosto de ler.
Parabéns.

sem avatar MARCOS (15/09/2012 16:37:38)   -78 0
UM SUJEITO QUE FAZ NOVELINHA VAI FALAR O QUE??????? NADA, CALADO JÁ TA ERRADO.


Doc Savage Doc Savage (18/10/2011 00:41:24)   188 1
O Hessel está caminhando para ser o crítico mais maduro da Internet brasileira.

Pelo menos ele já é bem melhor do que o Rubens Edwald Filho, que nem saber escrever em português correto sabe, e o José Wilker, para quem qualquer coisa que tenha valor de entretenimento é lixo.


Monique Monique (18/10/2011 01:17:00)   -190 2
José Wilker é um ator de novelas. Ninguém o leva a sério.
REF é um lixo. Frustrado ao extremo.

Hessel camainha pra ser um nove REF, mas pomposo e cheio das frescuras, se continuar a tratar entretenimento como uma mensagem encriptografada.

E eu nunca vi um overacting da Keira Knightley.

Doc Savage Doc Savage (18/10/2011 03:56:21)   188 0
Mas tem entreteninmento, Monique, que realmente é criptografado. E parte do entretenimento está em justamente decifrá-lo, e naquele sentimento de comunhão e intimidade que se sente com o autor ao identificar uma referência ou uma intenção não tão óbvia.

E tem entretenimento, por outro lado, que não exige esforço algum.

Eu curto os dois, se bem-feitos. O problema dos críticos "cabeça" são que eles desprezam o que não for críptico, como se o espectador que não entenda de Bergman ou Truffaut mereça morrer por não fazer parte de algum clube secreto de ilumiinados.

O Hessel transita bem e sem recalques nos dois mundos, por isso gosto dele.

Lauro Lauro (18/10/2011 09:07:49)   3716 3
Mas Monique, existem filmes que realmente são "criptografados" e que merecem ser "lidos" dessa forma...

O problema seria se o crítico buscasse uma referência psicoexistencial em "Transformers 3" por exemplo...

Gustavo Gustavo (21/01/2012 22:41:36)   679 0
Vocês se esqueceram do Pablo Villaça, que também é muito bom, sensível e sabe usar o português.
Pra mim, as críticas dele e do Hessel são as mais edificantes no sentido de tentar aprender algo mais sobre cinema, sobre como captar certos elementos nos filmes e - mas não menos importante - saber como falar destes elementos.

Como muitos colegas aqui, eu não havia ouvido falar deste filme, que não vou deixar de assistir.

Sei que é preconceito, mas acho que a escolha da atriz poderia ter sido melhor. Não é possível que não exista uma boa atriz de origem germânica que não pudesse interpretar a personagem.

Inté.


Ad Samp Ad Samp (18/10/2011 00:08:16)   181 0
"Ela defende que a mise en scène econômica de Cronenberg ajuda a expor o desequilíbrio da reciprocidade"

Faz sentido?

Hummm....Descobrimos a fonte(inspiração) de Hessel.

Like a Boss!!


sem avatar heitor (18/10/2011 02:36:40)   30 0
Na minha opinião, nesse argumento que Hessel cita sobre a Mise-en-Scéne, ficou faltando uma exposiçao maior de fatos, um contra-ponto seria o bastante. Enfim, o importante é que é Cronenberg e está de volto. Uhuuuuuuuul.


Marcio Marcio (17/10/2011 23:26:27)   120 0
Eu jurava que essa mulher era Natalie Portman!



Carlos Carlos (17/10/2011 23:08:38)   1824 1
Parece ser um ótimo filme...

Bom, pra ganhar 5 ovos do Hessel, ou é uma obra-prima ou um filme nem noção nenhuma!

Mas pretendo assistir.



Caio Caio (17/10/2011 22:35:32)   -1 0
A crítica parece ser boa... eu digo 'parece' porque sou leigo em psicanálise e não entendi muito bem algumas palavras e termos...



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Zé José Zé José (17/10/2011 21:43:19)   104 1
Queria muito ver esse filme, mas agora que o Hessel deu cinco ovos fiquei preocupado...
rsrs, brincadeira. Mas o engraçado é que você foi o primeiro que li e não detonou a Keira Knightley. Todos dizem que ela está muito exagerada e caricata. Lembro de um omeletv onde você e o Borgo diziam que Natalie Portman estava exagerada em Cisne Negro (enquanto o resto do mundo colocava sua atuação em um pedestal). E me parece que a atuação de Keira aqui está muuito mais exagerada do que a de sua amiga em Cisne Negro. Hum... mudou o mundo ou mudou o Hessel?



sem avatar Derley Alberto (17/10/2011 21:06:25)   0 1
Hessel...Parabéns mesmo... Você conseguiu realizar uma análise piscossocial, bem ligada a psicanálise sem perder a própria análise do filme.

Como sempre, gosto de ler as críticas do omelete, depois assistir o filme e depois reler a crítica e, isso ajuda muito na minha interpretação e interação com o filme...
Parabéns mesmo...



André B André B (17/10/2011 20:45:45)   952 4
A galera gosta dos filmes e fala mal das críticas.

Como todo mundo tá elogiando essa crítica, provavelmente vão odiar o filme.


André, O Vader Britânico André, O Vader Britânico (17/10/2011 21:08:24)   90 1

HAHAHAHAHAHAHAHAHA
Teoria deveras plausível, eu diria!


sem avatar lucas (17/10/2011 20:40:12)   83 1
Eu sempre fico de mimimi por causa das críticas do Omelete (e do Hessel), mas nessa ele mandou bem.

Acho que rola uma diferença quando se faz algo mais por "amor". Deu para notar que o filme atingiu tanto a veia cinéfila quanto a teórica, principalmente pelo conteúdo da psicanálise.

Essa eu gostei de ler. Aposto que vou gostar mais ainda de assistir.



giuseppe giuseppe (17/10/2011 20:21:55)   59 -6
Comentário mal avaliado pelos leitores. Clique para ler.

João Felipe João Felipe (17/10/2011 21:43:55)   4 1
Que triste seu comentario cara.

giuseppe giuseppe (17/10/2011 22:32:02)   59 -1
Obrigado pela solidariedade, João.


sem avatar Gabriel (17/10/2011 20:20:10)   124 0
ok Hessel, te perdoo pela crítica do Escritor Fantasma do Polanski.

e espero que marquem logo uma data de estreia desse. Cronenberg é foda e preciso assistir esse urgentemente.



sem avatar oscar (17/10/2011 20:11:16)   0 0
Ótima critica, porém faltou comentar a atuação de Viggo e Michael!!!
Pena



André B André B (17/10/2011 20:06:22)   952 0
Sinto cheiro de Oscar.



André, O Vader Britânico André, O Vader Britânico (17/10/2011 20:05:48)   90 0
Diferente de muitos, mas felizmente assim como outros muitos, eu aprecio demasiadamente suas críticas, Hessel. Não dira que você se superou, como nosso amigo Nathanel, porque você tem outras críticas que estão em igual nível à essa, mas de fato, essa crítica foi de "enxer o intelecto" e os olhos.
Eu já estava louco para ver esse filme, ainda mais agora, depois de uma crítica tão bem elaborada.
Parabéns, Hessel!



André B André B (17/10/2011 20:04:42)   952 0
clap clap clap!



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sem avatar André (17/10/2011 19:59:33)   1 1
Uma das melhores críticas do Hessel.

Agora quero muito ver esse filme.



João Felipe João Felipe (17/10/2011 19:54:09)   4 1
Gostei da crítica, parece ser muito bom esse filme estou com muita vontade de ver.



Nathanael Nathanael (17/10/2011 19:50:37)   20 1
MAS QUE CRÍTICA! Hessel, vc se superou!




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