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Blue Jasmine | Crítica

Woody Allen elege Cate Blanchett como sua nova musa problemática

Marcelo Hessel
05 de Outubro de 2013

Blue Jasmine

Blue Jasmine

EUA , 2013 - 98 minutos
Comédia / Drama

Direção:
Woody Allen

Roteiro:
Woody Allen

Elenco:
Cate Blanchett, Sally Hawkins, Alec Baldwin, Bobby Cannavale, Peter Sarsgaard, Andrew Dice Clay, Louis C.K., Annie McNamara, Daniel Jenks, Michael Stuhlbarg, Alden Enrehreich

Ótimo
blue jasmine
blue jasmine

Embora tenha chegado com um par de anos de atraso aos efeitos da crise econômica, Woody Allen tira de seu elenco principal em Blue Jasmine, particularmente de Cate Blanchett, atuações que resumem o sentido tragicômico da ruína dos especuladores financeiros de Nova York após a quebra dos bancos em 2008.

Enquanto era casada com o investidor Hal (Alec Baldwin), Jasmine (Blanchett) viveu o melhor da especulação: compras, festas, viagens pelo mundo. Depois que o marido foi preso por fraude e Jasmine - que tinha tudo no seu nome - foi à falência, só lhe restou morar de favor com a irmã cafona, Ginger (Sally Hawkins), e recomeçar a vida em San Francisco.

Allen estrutura o filme com flashbacks constantes para dar o tom do seu conto moral. Desde o início, em que Hal e Jasmine aconselham o marido de Ginger a investir na especulação ao invés de abrir seu próprio negócio, Blue Jasmine trata sem meias palavras das razões e dos efeitos da crise, escolhendo vítimas e apontando culpados. Mas pela perua Jasmine Allen simpatiza, senão ela não seria a protagonista do filme, afinal.

Na verdade, pela forma ostensiva como Allen filma Cate Blanchett - exposição que a atriz tem talento e experiência suficientes para aguentar - somos capazes de tirar da personagem, ao longo do filme, um espectro completo de juízos: ela é vítima e culpada, tapada e esperta, lúcida e neurótica. (Não seria uma protagonista de Woody Allen se não fosse neurótica.)

O cineasta parece emular os contos morais e de verão de um dos seus ídolos, o finado Éric Rohmer, na maneira "francesa" como Allen filma os espaços do apartamento de Ginger em San Francisco, seguindo a ação junto ao corpo das atrizes e fazendo alguns travelings entre um cômodo e outro. De qualquer forma, são as escolhas que ele faz na hora de enquadrar Blanchett que têm o maior impacto. Na cena do telefonema, por exemplo, em que Jasmine quebra e cai no choro, a câmera fica a meia distância, em respeito, porque é o momento em que comédia e tragédia se unem.

Quando Allen vai para o close-up na atriz mesmo que a ação aconteça fora do enquadramento (para Jasmine é imprescindível escutar os outros, para saber como reagir), percebemos a dedicação com que o cineasta trata essa sua nova musa. Há muitas musas tortas na carreira do diretor - Blanchett desde já rivaliza com Dianne Wiest como as melhores - mas entre tantas protagonistas problemáticas poucas são expostas com tanta convicção quanto Jasmine.

Acompanhe as nossas críticas do Festival do Rio 2013



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Comentários (21)

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Rafinha Rafinha (24/04/2014 03:27:33)   10 0
O filme trata novamente do que até já cheguei a falar no comentário do filme O LOBO DE WALL STREET, ou seja, DO TOTAL ABANDONO QUE AS MULHERES FAZEM DE SUAS PRÓPRIAS VIDAS aguardando que UM HOMEM lhes dê as coisas básicas da vida.

Não sei quanto a você que está lendo este post, mas desde o iluminismo, do Feudalismo, das épocas antigas e trazendo até aos dias de hoje, as mulheres esperam UM PRÍNCIPE ENCANTADO ao qual, o mesmo, poderá resolver TODOS OS PROBLEMAS DE SUAS VIDAS.

Mas uma das coisas que as mulheres esquecem, é que, O SER HUMANO É INDIVIDUAL. O que é do homem, é do homem, o que é seu, é seu. Simples assim.

Nem sei se eu poderia usar a expressão “ser seu” ou “ser do homem”, pois nada é nosso nessa vida, tudo aqui é emprestado…Pois pense:
-A casa que você tem hoje de R$200.000,00, daqui a 100 anos, será sua? Daqui a 200 anos, continuará sendo sua?
-O carro que vc tem no valor de R$60.000,00 , daqui a 90 anos, será seu ainda?

Bom, é claro que somos enganados por esse mundo capitalista de consumismo e ganância. E torna-se triste, ver mulheres vendendo suas vidas, mentindo, enganando, fazendo sujeiras POR UMA VIDA MELHOR, ao qual, elas mesmas são inteligentes para estudarem e conseguirem as coisas…

O Filme trata de uma mulher que era casada com um homem rico e que de repente se vê pobre, separada e pedindo abrigo na casa de uma irmã.

E o pior, ao invés dela continuar os estudos, continuar a viver, ELA CONTINUA APRONTANDO E TENTANDO CONSEGUIR “UM BOM PARTIDO”, ao qual, “resolveria seus problemas”, problemas esses, que só são dela, e tão somente dela, e unicamente dela, e ela sem nem se tocar, iria depositar nas costas de um homem como se ela fosse incapaz intelectualmente de resolver seus próprios problemas.

O filme vai mais longe quando mostra as atitudes inconseqüentes de denúncias que ela mesma aprontou, fazendo assim com que pessoas que ela era para amar, SE AFASTE.

O filme é tenso do meio ao fim, na verdade, o filme mostra um retrato de muitas mulheres que estão acabando com suas próprias vidas por um homem como se ele fosse O SALVADOR DA PÁTRIA.

Ela vai ficando louca, vai falando sozinha, vai conversando sozinha, vai tomando cada vez mais remédios.

No Globo de ouro, essa atriz ganhou o prêmio como Melhor atriz em filme dramático e agora, ganhou o OSCAR 2014 como MELHOR ATRIZ, ela é a Cate Blanchett (nem conhecia).
Também o filme concorreu AO MELHOR ROTEIRO ORIGINAL(nem sei o que é isso também) mal aê galera.

Alias, quando falo que “não sei”, alguém aqui sabe? O que é A MELHOR MIXAGEM? O QUE É A MELHOR MAQUIAGEM? O QUE É A MELHOR CANÇÃO????

Acho que essas e outras questões, é melhor deixarmos quietos.

Acho que é uma boa dar uma conferida no filme.

Torci muito pra ela ganhar o Oscar 2014. Que bom que ganhou.



sem avatar Marcio (13/12/2013 21:34:33)   -7 0
A imprensa especializada cita este filme como um dos melhores de Woody Allen em vinte anos. Não concordo, pois nestes anos tivemos Match Point, Vicky Cristina Barcelona e Meia Noite em Paris, filmes que em minha opinião são melhores. Sem contar outros títulos que muitos não concordariam, mas que para mim se encontram a altura deste. Não quero dizer que não seja um filme muito bom. Allen consegue realizar a história de maneira inteligente e abordar temas recorrentes a sociedade contemporânea e assim realizando mais uma obra interessante.
Jasmine (Cate Blanchett) é uma socialite casada com Hal (Alec Baldwin) um homem rico, que está em seu segundo casamento, tem um filho e que através de métodos ilícitos consegue sonegar impostos. Jasmine tem uma irmã chamada Ginger (Sally Hawkins) que não possui muito recurso financeiro. Jasmine vai morar com ela, pois seu marido é preso por sonegação e ela passa a não ter mais o dinheiro de antes.
Já virou clichê eu falar de como Allen consegue realizar a síntese de seus filmes. Com uma história que poderia ser complicada para ser contada, ele consegue desenvolver um começo que em cinco minutos de filme já se sabe a introdução da história de forma clara e assim já é possível pular para o desenvolvimento. Utilizando uma montagem alternada com o presente e o passado Allen acerta e faz com que o filme se desenvolva de forma objetiva.
Allen como sempre consegue abordar ações que remetem tranquilamente a todos os seres humanos. São incríveis como as decisões realizadas por nós têm um peso enorme em nossa condução pela vida. Dessa maneira a capacidade de tomar decisões em momentos em que não possuímos razão suficiente para pensarmos pode provocar estragos psicológicos para toda nossa vida. Quando o lado emocional prevalece somos levados a usar o instinto mais primitivo que possuímos. Mais a questão não é tão simples como parece, pois o lado emocional pode nos conduzir por caminhos errados, porém certos. Até que ponto o desenvolvimento final nos aponta para um erro? A falta de razão em que nossa personagem mergulha não é só por decisões tomadas, mas sim pela busca incessante de um mesmo começo. Dessa maneira, a única certeza que nós temos é que será impossível voltarmos a viver os mesmos momentos de nossa vida.

OBS: As interpretações de Cate Blanchett e a de Sally Hawkins são muito boas.


http://embriagadospelocinema.blogspot.com.br/2013/12/critica-blue-jasmine.html



sem avatar Santos D. (14/11/2013 21:42:08)   1265 0
Alec Baldwin mais uma vez interpretando um executivo picareta.Eu me lembro que em Dick & Jane ele interpretava um personagem parecido.



Pablo Pablo (06/10/2013 15:05:26)   82 0
Queria ter a sorte de ter uma professora como ela em "Notas de um Escândalo". Seria o aluno mais sortudo do mundo! Hehehe.


Madame Madame (09/10/2013 20:58:53)   5 0
Queria eu ter a sorte de achar o "Notas de um Escândalo" para baixar, assisti uma vez e adoraria ver novamente! :D

joab joab (16/01/2014 14:24:14)   0 0
http://www.omelhordatelona.biz/suspense/baixar-notas-sobre-um-escandalo-2006-dvdrip-rmvb-legendado


Dani Dani (06/10/2013 09:57:19)   3811 1
Cate Blanchett é estupenda, adoro os seus filmes, só por ela, é um bom motivo de ver o filme, e o diretor que sabe extrair o melhor dela, tem se uma atuação maravilhosa. Vou conferir, com certeza.



sem avatar Ana (06/10/2013 01:48:31)   9 0
Não se preocupem com o Oscar. Os acadêmicos volta e meia fazem besteira. Para a imprensa internacional Cate é a "one to beat". É a atuação a ser batida. Vi o filme e posso dizer que é um dos melhores da carreira de Woody Allen. A atuação de Cate Blanchett é antológica. É uma honra vê-la em cena. Gostei das observações do Hassel. Acho que Woody foi esperto o suficiente para saber que ninguém é mais expressivo que ela na telona.



sem avatar Pedro (05/10/2013 22:47:05)   1 2
Poxa, achei que ele fosse enfatizar mais o favoritismo da Cate no Oscar. Porque na previsão do Indiewire ela está em primeiro lugar e a Sandra Bullock em segundo.

Mas por mais que a Sandra esteja ótima, o seu primeiro Oscar foi desmerecido, então uma indicação agora à qualificaria para o prêmio que ela já tem.

No caso da Cate, em 1999 ela e Fernanda Montenegro foram roubadas pela Gwyneth Paltrow. E pelas diversas nomeações que Cate veio a receber depois, este é o momento perfeito para consagrá-la com seu primeiro e merecido Oscar de Melhor Atriz.


Thyago Roberto Thyago Roberto (06/10/2013 19:59:53)   728 0
Se fosse para apostar, acho que a academia premiaria a Sandra mesmo assim. Mais pela originalidade e trabalho físico envolvido no projeto, é um quesito que valorizam muito.

sem avatar Pedro Ivo (07/10/2013 22:15:02)   247 0
Há chances mesmo. Woody Allen é um "fazedor" de Oscars para suas atrizes, desde Diane Keaton, passando por Diane Wiest, Mira Sorvino e mais recentemente Penélope Cruz.
Cate Blanchett parece estar com tudo para se juntar a elas. Em tese, suas chances são maiores que de Sandra Bullock, que tem um Oscar muito recente, e muito contestado.

Sobre o Oscar que Gwyneth Paltrow roubou com a ajuda do Harvey Weinstein, nada a acrescentar. Foi um Oscar jogado na lata de lixo pela Academia, esnobando a Fernandona, a Cate e também a Meryl Streep, em atuações infinitamente superiores. Quinze anos depois, a Gwyneth nunca fez jus àquele prêmio (P.S.: não acho que seja o caso da Bullock).

sem avatar Dakota (28/11/2013 21:26:18)   7 0
Aquele ano foi um absurdo.. Não só na premiação das atrizes, como dos filmes. Shakespeare Apaixonado ganhar de Resgate do Soldado Ryan e A Vida é Bela foi de doer.


Severus Severus (05/10/2013 22:45:09)   6 2
Já estava ansioso para conferir este filme e agora estou ainda mais para conferir mais um personagem perturbado (leia a la Hessel) do Woody Allen.



Denis Denis (05/10/2013 21:43:25)   1139 0
Será que vêm mais uma indicação pra Blanchett?


Só uma dúvida, será que o Hessel não quis dizer Dianne Keaton ao invés de Wiest? pois não lembro de Dianne Wiest fazendo uma protagonista neurótica, ela ficava mais com papéis coadjuvantes, se já fez alguma me desculpem.


sem avatar Pedro Ivo (07/10/2013 22:17:25)   247 -1
Tanto a Diane Katon quanto a Diane Wiest ganharam Oscar por filmes de Woody Allen. Keaton ganhou por "Annie Hall", e Wiest por "Hanna e suas irmãs" e "Tiros na Broadway".


nilton nilton (05/10/2013 20:38:57)   -1926 0
eu nao entendo muito os filme sdo woody allen mas gosto, vou conferir



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Thyago Roberto Thyago Roberto (05/10/2013 19:05:35)   728 1
Como Hessel disse, filme do Allen sem uma musa neurótica, não é filme do Alllen. E mais uma rival á Sandra Bullock pelo OSCAR de melhor atriz.



Raul Raul (05/10/2013 18:55:52)   1069 -2
Sabia! As Críticas do filme já estavam excelente! E Cate Blanchett em.. chega forte para levar seu primeiro Oscar de melhor atriz.




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