Aqui é o Meu Lugar

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Aqui é o Meu Lugar (This Must Be the Place)

(Regular)
País: EUA
Lançamento Brasil: 03/08/2012
Duração: 118 minutos

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Aqui É o Meu Lugar | Crítica

Filme de Paolo Sorrentino com Sean Penn não procura um lugar, mas uma dor que combine com seu remorso

Marcelo Hessel
20/10/2011 - 11:14

Cheyenne nunca fumou cigarros - uma personagem de Aqui É o Meu Lugar (This Must Be the Place) diz que tabaco é coisa de quem quer ser adulto, e Cheyenne sempre fora infantil - mas abusou de todas as outras drogas concebíveis. Isso dá pra ver na cara e nos gestos do decrépito e milionário roqueiro oitentista, que Sean Penn interpreta com a maquiagem de Robert Smith e a leseira de Ozzy Osbourne.

O filme do italiano Paolo Sorrentino (O Crocodilo) tira Cheyenne da sua letargia - uma rotina de aplicar batom e lápis pela manhã, monitorar ações na Bolsa de dia e ser avistado por fãs pelas ruas de Dublin - quando o roqueiro descobre que o seu pai está morrendo em Nova York. Cheyenne não conversa com o velho há 30 anos, sequer segue a religião da família, mas recebe uma missão incontornável: encontrar em algum lugar dos EUA o velho nazista que humilhou seu pai em um campo de concentração na Segunda Guerra.

Aqui É o Meu Lugar é uma história de vingança, portanto, misturada com comédia dramática e road movie. Rapidamente descobrimos que o filme sofre, assim como Cheyenne, de um certo déficit de atenção. Questões são abordadas e deixadas pelo caminho (como a tentativa de Cheyenne de aproximar dois jovens solitários) e o que dá o tom é a estranheza. "Tem algo de errado aqui, não sei o quê, mas tem", fala o roqueiro o tempo todo.

Como diz a letra da música do Talking Heads que dá nome ao filme, "vamos criando à medida em que avançamos, pé no chão e cabeça nas nuvens". Sorrentino tateia o filme-de-redenção enquanto experimenta com elementos que não são necessariamente familiares entre si (o processo de regressão judaico tem pouco a ver com os temas típicos do filme de estrada americano, por exemplo), como se o seu longa fosse mesmo se construindo aleatoriamente, com a cabeça nas nuvens, a partir de situações catadas dentro de imaginários independentes (o imaginário da música pop, da Segunda Guerra, da América profunda).

A única coisa constante em Aqui É o Meu Lugar - e que talvez tenha algo a ver com a memória italiana do Holocausto - é seu profundo remorso. No fim das contas, Cheyenne não procura um lugar. Ele procura uma dor que seja legítima, que combine com seu estado de espírito, seu desejo de purgação. O roqueiro reclama que escrevia canções depressivas nos anos 1980 só pra ganhar dinheiro, e é em busca de uma dor de verdade - a do seu pai - que ele parte pelos EUA atrás de vingança.

Mas é possível sentir uma dor que não seja sua, uma dor transferida? Não seria essa dor - como a maioria das cenas de Aqui É o Meu Lugar, que parecem imitar a vida - uma mera projeção?

Aqui É o Meu Lugar | Trailer

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