Elenco / Direção

Blue Jasmine

Blue Jasmine
(Ótimo)

Drama

  • Estreia: 15 de Novembro de 2013
  • País / Ano de Produção: Estados Unidos / 2013
  • Duração: 98 minutos minutos
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Blue Jasmine | Crítica

Woody Allen elege Cate Blanchett como sua nova musa problemática

05/10/2013 - 18:10 - Marcelo Hessel

Embora tenha chegado com um par de anos de atraso aos efeitos da crise econômica, Woody Allen tira de seu elenco principal em Blue Jasmine, particularmente de Cate Blanchett, atuações que resumem o sentido tragicômico da ruína dos especuladores financeiros de Nova York após a quebra dos bancos em 2008.

Enquanto era casada com o investidor Hal (Alec Baldwin), Jasmine (Blanchett) viveu o melhor da especulação: compras, festas, viagens pelo mundo. Depois que o marido foi preso por fraude e Jasmine - que tinha tudo no seu nome - foi à falência, só lhe restou morar de favor com a irmã cafona, Ginger (Sally Hawkins), e recomeçar a vida em San Francisco.

Allen estrutura o filme com flashbacks constantes para dar o tom do seu conto moral. Desde o início, em que Hal e Jasmine aconselham o marido de Ginger a investir na especulação ao invés de abrir seu próprio negócio, Blue Jasmine trata sem meias palavras das razões e dos efeitos da crise, escolhendo vítimas e apontando culpados. Mas pela perua Jasmine Allen simpatiza, senão ela não seria a protagonista do filme, afinal.

Na verdade, pela forma ostensiva como Allen filma Cate Blanchett - exposição que a atriz tem talento e experiência suficientes para aguentar - somos capazes de tirar da personagem, ao longo do filme, um espectro completo de juízos: ela é vítima e culpada, tapada e esperta, lúcida e neurótica. (Não seria uma protagonista de Woody Allen se não fosse neurótica.)

O cineasta parece emular os contos morais e de verão de um dos seus ídolos, o finado Éric Rohmer, na maneira "francesa" como Allen filma os espaços do apartamento de Ginger em San Francisco, seguindo a ação junto ao corpo das atrizes e fazendo alguns travelings entre um cômodo e outro. De qualquer forma, são as escolhas que ele faz na hora de enquadrar Blanchett que têm o maior impacto. Na cena do telefonema, por exemplo, em que Jasmine quebra e cai no choro, a câmera fica a meia distância, em respeito, porque é o momento em que comédia e tragédia se unem.

Quando Allen vai para o close-up na atriz mesmo que a ação aconteça fora do enquadramento (para Jasmine é imprescindível escutar os outros, para saber como reagir), percebemos a dedicação com que o cineasta trata essa sua nova musa. Há muitas musas tortas na carreira do diretor - Blanchett desde já rivaliza com Dianne Wiest como as melhores - mas entre tantas protagonistas problemáticas poucas são expostas com tanta convicção quanto Jasmine.

Acompanhe as nossas críticas do Festival do Rio 2013

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