Elenco / Direção

Igor

Igor
(Bom)

Animação

  • País / Ano de Produção: EUA, França / 2008
  • Duração: 87 minutos
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Sepultura – Kairos | Crítica

Banda permanece relevante, com álbum forte e mais thrash metal

28/06/2011 - 0:00 - Rodrigo Monteiro

Depois de um intervalo de dois anos, desde o lançamento de A-Lex (2009), o Sepultura voltou aos estúdios de gravação e saiu de lá com Kairos, seu décimo segundo álbum de inéditas. De acordo com Andreas Kisser, guitarrista e principal compositor da banda, desta vez o Sepultura não foi atrás de livros como fonte de inspiração, como nos dois últimos álbuns (Dante XXI foi inspirado por A Divina Comédia, de Dante Alighieri, enquanto que A-Lex bebeu da fonte de A Laranja Mecânica, de Anthony Burgess). Desta vez, o ponto de partida foi a própria história da banda. O que tem tudo a ver com o título do álbum, já que “kairos” é um termo da mitologia grega que se relaciona ao conceito de tempo não cronológico. Um tempo de mudanças, que é exatamente onde o Seputura se encontra.

Este é o segundo álbum do Sepultura sem a presença de nenhum dos irmãos Cavalera em sua formação. Como é de conhecimento mais do que público, brigas internas fizeram com que o principal nome do Sepultura nas décadas de 1980 e 1990, Max Cavalera, deixasse a banda em 1996. Dez anos depois, foi a vez do baterista Igor Cavalera seguir o mesmo caminho, alegando as famosas diferenças criativas com os demais integrantes. O vácuo deixado pela saída de ambos – substituídos, respectivamente pelo vocalista Derick Green e por Jean Dolabella – causou uma mudança na sonoridade da banda, não só pelo fato do Sepultura passar a contar apenas com uma guitarra, mas também por Andreas Kisser ter assumido as composições. Fecha a formação do Sepultura o baixista Paulo Jr., único membro remanescente da formação original, responsável pela gravação dos primeiros álbuns da banda.

Kairos é um álbum que aposta em uma sonoridade mais direta, sem as experimentações e influências tribais presentes nos trabalhos liderados por Max nem abusando das orquestrações presentes em A-Lex. O que temos aqui é um thrash metal puro, quase crú, recheado de riffs matadores e solos de guitarra bastante inspirados.

A exemplo de A-Lex e Dante XXI, o álbum, ainda que não conceitual, é dividido em quatro atos, cada um deles marcado por curtíssimas vinhetas, que remetem a datas distintas e que reforçam a idéia de tempo não cronológico, como indica o título. O disco começa com “Spectrum”, música que aposta mais na cadência do que na variação de ritmos. É um bom cartão de visitas para o que virá a seguir. “Kairos”, a faixa título, aposta mais em riffs típicos do thrash metal e pega um pouco mais de peso e velocidade. “Relentless” continua nesse mesmo ritmo, pesando cada vez mais. Depois da primeira vinheta, “2011”, vem “Just One Fix”, cover do Ministry, que adquiriu uma roupagem thrash sensacional. A ela segue-se “Dialog”, música que talvez traga o melhor refrão de todo o álbum e é um de seus destaques.

As faixas de Kairos não têm muita variação entre si, quando consideramos suas características mais básicas. Andreas Kisser faz um ótimo trabalho na construção de riffs e solos ao longo de todo o álbum, e sua performance é um dos pontos altos. Dolabella mostra que está bem enturmado após quatro anos de banda e traz um pouco de sua assinatura nas baquetas, distanciando-se de seu predecessor, mas sem deixar de lado as características essenciais ao som do Sepultura. Já Paulo Jr. e Derrick Green fazem o arroz com feijão ao qual estão acostumados, ainda que Derrick consiga, em alguns momentos, superar-se aqui.

Kairos mostra que o “novo Sepultura” está, ainda, tentando encontrar-se em sua sonoridade, distanciando-se da sombra de Max e Igor. Temos aqui um álbum forte, consistente e que mostra que o Sepultura, apesar de todas as turbulências de seus 25 anos em atividade, permanece relevante.

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