Infância Clandestina

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Infância Clandestina (Infância Clandestina)

(Regular)
País: Argentina
Duração: 80 minutos

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Infância Clandestina | Crítica

Candidato argentino ao Oscar não escapa dos problemas do "filme de ditadura com criança"

Marcelo Hessel
06/12/2012 - 20:00

Colocar criança em filme de ditadura é garantia de comoção, como o cinema latino-americano pôde comprovar nos últimos anos em dramas como Kamchatka, Machuca e O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias. O perigo da despolitização sempre espreita, porém, quando histórias de combate se transformam em contos de infâncias perdidas.

Escolhido da Argentina para concorrer ao Oscar 2013, Infância Clandestina (2011) se diz uma homenagem às pessoas que lutaram contra a ditadura no país, mas o que o roteirista e diretor Benjamín Ávila faz neste seu relato autobiográfico em tom de elegia está mais para desabafo, um acerto de contas com os pais, como se Ávila estivesse atrás do romance de formação interrompido que lhe negaram protagonizar.

Alter-ego do diretor, o menino Juan leva uma vida dupla em 1979. Enquanto seus pais e seu tio, integrantes da organização Montoneros, lutam contra a ditadura na clandestinidade, o garoto tenta seguir uma rotina normal na escola, sob outra identidade, Ernesto. Como Ávila corre atrás do bildungsroman perdido, tudo no filme que se refere às descobertas da pré-adolescência se torna hipersensorial: são constantes os planos-detalhes das mãos (para ressaltar que tudo o que Juan toca é novo ou revelador), os close-ups nos olhos da criança (pra sugerir que ele absorve tudo com intensidade) e os efeitos sonoros de respiração ofegante (porque tudo é urgência).

Filmes com pontos de vista infantis têm mesmo essa tendência a tornar tudo uma pequena epifania, e em Infância Clandestina a dramaticidade não dá refresco, de uma simples roda de música à aula de ginástica das meninas da escola. Nessa linha, Ávila não foge muito da curva; é um aspirante a Juan José Campanella como tantos outros. A questão é: onde fica a luta armada nisso tudo?

Como estamos sob a perspectiva da criança, que tem ao seu alcance apenas um recorte da realidade, Ávila omite ou estiliza os enfrentamentos - os tiroteios entre os adultos e as inevitáveis mortes, quando mostradas, são criadas em forma de animação. Essa escolha é potencialmente problemática, porque cria-se na prática uma separação: o mundo da ação dos adultos se torna lúdico ou "inventado" com o desenho, enquanto o da criança, ressaltado pelas imagens e pelos sons hipersensíveis, fica parecendo o único mundo "real".

Não dá pra afirmar com certeza que o desabafo que Benjamín Ávila faz em Infância Clandestina seja alienante em relação à luta armada, mas as escolhas do diretor dizem muito sobre as mágoas que ele guarda. Isso fica mais interessante quando se vê a forma como o Brasil é tratado no filme, uma terra prometida onde os personagens teriam uma paz que não encontram na Argentina. Seria o Brasil - com seus esforços de deixa-disso para minimizar os danos da ditadura na nossa história - um modelo a seguir?

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