O Conde de Monte Cristo | Crítica

A diversão fica por conta de ver alguém que estava por baixo dar a volta por cima.


03/05/2002 - 0:00 - Ederli Fortunato

O Conde de Monte Cristo, sem sombra de dúvida é o meu filme inesquecível.

O mérito desta lembrança indelével é todo da versão com Richard Chamberlain, a que assisti numa enorme loja de roupas que naquele tempo era um cinema. A idéia era ver apenas um filme, de que já não me lembro mais, em outro cinema ali perto e voltar direto para casa como convinha à meninas de doze anos. No entanto, seduzidas pelo pôster, eu e minha amiga Márcia, hoje uma respeitável senhora com um filho marmanjo, resolvemos entrar e encarar mais uma sessão. O adjetivo “inesquecível” ficou por conta da opinião do meu pai sobre cinema e horário de chegar em casa.

Assim sendo, é um tanto romântico ver uma nova versão; principalmente depois de encarar outra refilmagem baseada na obra de Alexandre Dumas, Os três mosqueteiros “agora com cabo de aço!”, em A vingança do mosqueteiro.

Kevin Reynolds fugiu dessa armadilha, refilmando O Conde de Monte Cristo sem efeitos especiais mirabolantes ou mudanças exageradas. A história é a que todo mundo conhece, mostrando como Edmond Dantes (James Caviezel) é traído e levado ao Chateau d’If, de onde foge para se vingar dos responsáveis. Entre estes, seu falso amigo, o conde Ferdinand Mondego (Guy Pearce), e seu grande amor, Mercedes (Dagmara Dominczyk). Os planos são facilitados por um tesouro escondido numa ilha. Toda esta riqueza havia sido deixada por um companheiro de cela, o Abade Faria. Trata-se, no caso, de uma participação especial bem ao gosto de Richard Harris.

A diversão fica por conta de ver alguém que estava por baixo dar a volta por cima. Difícil é entender porque alguns atores parecem mais velhos enquanto, para outros, o tempo parece congelado. Guy Pearce, como Mondego, também deveria saber que, para ser desprezível, não basta erguer o queixo e fazer cara de nojo. E alguém, definitivamente, deveria ter ajudado o elenco com os nomes franceses.

O resultado é ideal para uma tarde sem compromisso, sem muito drama, um pouco de aventura e romance. Só tome cuidado com o horário de voltar para casa, ou o filme pode acabar "inesquecível" pra você também.

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