O Último Mestre do Ar

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O Último Mestre do Ar (The Last Airbender)

(Regular)
País: EUA
Lançamento Brasil: 20/08/2010
Duração: 103 minutos

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Crítica: O Último Mestre do Ar

M. Night Shyamalan se afasta mais do espetáculo e inaugura o cinema zen de ação

Marcelo Hessel
19/08/2010 - 18:52

Toda a tradição do showbiz dos Estados Unidos está ligada à ideia de performance, do vaudeville à comédia stand-up. Não é difícil, então, entender por que M. Night Shyamalan tem sido tão espinafrado por lá. Cada vez mais, os filmes do diretor parecem ir contra o princípio do espetáculo.

Evidentemente, Shyamalan colabora com a crucificação - pelo menos desde 2006, quando sua rixa com a Disney serviu de tema de livro e os críticos viraram motivo de piada em A Dama na Água. Se o cineasta já parecia confortável interpretando o papel do autor incompreendido, esse processo se consumou este mês quando o estadunidense de ascendência indiana disse que seus filmes têm "uma sensibilidade europeia" que seus compatriotas não entendem.

O Último Mestre do Ar (The Last Airbender, 2010) é defeituoso, independente do continente onde seja exibido, mas está longe de ser o desastre nuclear que a crítica dos EUA pintou. Não dá pra julgar o filme sob a ótica do espetáculo se a sua proposta é o minimalismo e a interiorização. Aliás, nesse ponto, o longa é o avesso da série animada que lhe deu origem, que recorre ao humor o tempo todo, como um escape, para aliviar o peso do arco dramático. (Comparamos o desenho e o filme mais detalhadamente no Da Frigideira.)

A síntese da política antiespetáculo de Shyamalan, se dá pra chamar assim, é a maneira como ele enquadra e coreografa a ação, privilegiando os acontecimentos no segundo plano e a fluidez dos planos-sequências. É uma atitude zen por excelência - a luta de Aang (Noah Ringer) não é contra a Nação do Fogo, mas para superar o luto, encontrar sua paz interior etc. Centralizar o herói no primeiro plano e ver como ele reage (ou como não reage) a tudo o que acontece panoramicamente ao seu redor é o teste que Shyamalan impõe à concentração de Aang.

Fazer cinema zen de ação é uma contradição de termos? Talvez. Mas as escolhas de mise-en-scène têm sua justificativa; é no roteiro que está o ponto fraco. Os filmes anteriores do diretor lidavam com um volume restrito de informações - na verdade, no suspense, o essencial é omiti-las o máximo possível. Já em O Último Mestre do Ar, o primeiro trabalho de Shyamalan com um roteiro adaptado, a quantidade de dados é consideravelmente maior - afinal, toda a primeira temporada do desenho é condensada. No fim, a exposição acaba dominando a cena.

Isso significa que a maioria dos diálogos serve a um propósito funcional: sempre existe alguma informação a ser transmitida, e até na última fala do filme recebemos dados novos. Quem conhece o desenho talvez não se sinta tão perdido na torrente expositiva. Quem não conhece pode sair de O Último Mestre do Ar com a sensação de ter se afogado no didatismo.

Omelete Entrevista: M. Night Shyamalan
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