Elenco / Direção

Philomena

Philomena
(Excelente)

Drama

  • Estréia: 14 de Fevereiro de 2014
  • País / Ano de Produção: EUA / 2013
  • Duração: 98 minutos
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Philomena | Crítica

Stephen Frears evita clichês para contar a história real da busca de uma mãe pelo filho

13/02/2014 - 18:40 - Natália Bridi

Aos 18 anos, Philomena Lee pecou. Em uma noite de liberdade, na feira de uma pequena cidade na Irlanda, conheceu um belo rapaz que trabalhava nos correios. Ele elogiou sua beleza e ofereceu cerveja. Ela aceitou e se deixou levar pelo toque que despertava coisas que nunca sentira antes. Meses depois, as consequências do “crime” começaram a aparecer. Sua penitência duraria mais de 50 anos.

Por muitos séculos, o pecado serviu como moeda de troca na igreja Católica. O medo mantinha os fiéis na linha e a culpa aterrorizava as almas perdidas. O convento da Abadia de San Ross seguia essa lógica, abrigando e punindo pecadoras como Philomena. As freiras faziam o parto e acolhiam as crianças. Ou as mães pagavam a quantia de 100 Libras, ou estavam condenadas a quatro anos de trabalho escravo para quitar suas dívidas. As visitas aos filhos ficavam restritas a poucos minutos por dia e dependiam da sorte. As crianças poderiam ser adotadas a qualquer momento.

Em 2004, o jornalista Martin Sixsmith, em meio a uma crise profissional, encontrou a história de Philomena. Há 50 anos ela procurava o filho, Anthony, vendido pelas religiosas de San Ross para um casal americano. Como lembrança, tinha apenas uma foto, contrabandeada por uma das freiras menos rigorosas. Pelas mãos de Stephen Frears essa busca chega agora ao cinema.

Judi Dench encarna a personagem-título. Uma mulher que, apesar do sofrimento, manteve sua fé e ingenuidade, sem em nenhum momento parecer tola. Seu mal sempre fora a sinceridade - questionada pelas freiras se havia gostado do pecado, sua resposta foi “Sim, madre superiora”. A doçura da interpretação de Dench contrasta com o humor seco de Steve Coogan como Sixsmith.  O comediante, que também colaborou com Jeff Pope no roteiro do filme, tem a arrogância perfeita para conduzir a narrativa sem se deixar levar pelos clichês hollywoodianos compatíveis com a temática - a pobre e inocente mãe, as freiras más, o jornalista em busca de redenção, a amizade entre duas pessoas diferentes.

Em nenhum momento os personagens são simplificados e Frears sabe se aproveitar da qualidade dos seus atores para não banalizar uma história tão emocional. Philomena é uma mulher complexa e é isso o que o filme mostra. A naturalidade com que a senhora católica aceita a sexualidade do filho perdido, por exemplo, é uma lição em tempos que “beijos gays” ainda  geram tanta discussão. Dench a retrata com carinho e consegue passar apenas pelos olhos, profundamente azuis, a tristeza carregada por Philomena desde a perda do filho - e Frears capta bem essa qualidade em uma das cenas finais. A trilha de Alexandre Desplat também colabora para amarrar o tom leve, mas contundente.

Mesmo que não leve nenhum dos quatro Oscars a que está indicado (Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Trilha Sonora e Melhor Atriz), Philomena é um filme que vale ser visto. É uma história dolorosa e emocional retratada com verdade, o que não acontece sempre no cinema.

 

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