Quatro Noites com Anna

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Quatro Noites com Anna (Cztery Noce z Anna)

(Excelente)
País: França/Polônia
Lançamento Brasil: 12/09/2008
Duração: 87 minutos

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Crítica: Quatro Noites com Anna

Jerzy Skolimowski volta a filmar depois de 17 anos, com uma pequena história que cresce aos poucos

Marcelo Hessel
24/09/2010 - 12:00

O cineasta polonês Jerzy Skolimowski, digno de um discreto culto de cinéfilos e vencedor de prêmios em Cannes e Berlim dos anos 60 aos 80, ficou sem filmar entre 1991 e 2008. De um longa-metragem de retorno pode-se sempre esperar algo triunfal, mas Skolimowski preferiu fazer um filme pequeno, Quatro Noites com Anna (Cztery noce z Anna, 2008).

É com falsas primeiras impressões que o coroteirista e diretor joga no princípio. Conhecemos Léon (Artur Steranko), sujeito estranho que vive com a mãe, incinera mãos decepadas e precisa urgentemente de um machado novo. Na rua, sob um zumbido na trilha sonora que a cada instante aumenta mais, Léon observa de longe o vaivém de duas enfermeiras. Ao se olhar no espelho, o homem parece não gostar do que vê.

É a cartilha dos filmes de maníaco, claro, mas Skolimowski inverte a lógica - e a linearidade da trama - no dia em que Léon presencia uma mulher sendo violentada. A cena o congela. Léon só desperta quando escuta as sirenes, e o estuprador, encapuzado, foge antes de ser identificado. Rapidamente descobrimos que a vítima é uma das enfermeiras, Anna (Kinga Preis).

Quatro Noites com Anna pode ser classificado como um filme pequeno porque boa parte da trama se passa entre a casa de Léon e o dormitório de Anna - ele, obcecado por ela, passa justamente quatro noites visitando-a durante o sono. A premissa mínima, porém, alcança desdobramentos vigorosos. Skolimowski conta aos poucos, sem arroubos, uma grande história de voyerismo e, por que não, necrofilia (Léon trabalha com cadáveres, corteja uma Anna eternamente adormecida etc.)

A arte de fazer muito com pouco fica latente na escolha da trilha sonora - não apenas os pequenos barulhos que sustentam o suspense, mas principalmente a bela música incidental de Michal Lorenc - e da iluminação. Skolimowski coloca Léon nas sombras, para pontuar seu tormento, mas não exagera no chiaroscuro a ponto de Quatro Noites com Anna parecer barroco demais. Aqui esse equlíbrio alcança o sublime: sem ser afetado, Skolimowski ainda assim faz um filme de rigor estilístico mais do que evidente. O plano final é de uma simplicidade e de uma clareza que dóem.

Leia mais críticas do Festival do Rio 2010

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