Elenco / Direção

Vidas ao Vento

Kaze Tachinu
(Excelente)

Animação, Drama

  • Estréia: 28 de Fevereiro de 2014
  • País / Ano de Produção: Japão / 2013
  • Duração: 126 minutos
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Vidas ao Vento | Crítica

Animação do mestre Hayao Miyazaki celebra a inventidade e lamenta o uso que se faz dela

27/02/2014 - 18:30 - Érico Borgo

Hayao Miyazaki, o mestre responsável por filmes como A Viagem de Chihiro e O Castelo Animado faz em Kaze Tachinu (batizado no Brasil como Vidas ao Vento) a animação mais adulta e romântica de sua carreira.

Trata-se da cinebiografia de Jiro Horikoshi, o designer que criou o famoso avião de combate japonês Mitsubishi A6M Zero, um dos mais mortíferos usados na Segunda Guerra Mundial. Desde os dias da infância do engenheiro, ao papel fundamental no esforço de guerra, o longa acompanha Horikoshi nos tempos difíceis que antecederam o conflito, passando pelo grande terremoto que devastou Tóquio em 1923.

Vidas ao Vento é diferente dos filmes anteriores de Miyazaki, já que não emprega elementos fantásticos na história (as únicas sequências com elementos irreais são as em que Jiro sonha). Claro que seus longas passados também exploram a natureza sombria da humanidade, mas neste, a exploração é literal, já que narra a vida de um fabricante de armas.

Criticada por humanizar um personagem que criou tanta destruição (o filme deve ser mal recebido nos EUA, já que Pearl Harbor foi devastado pelos Zeros), a animação tem uma mensagem clara, de pacifismo, um tema recorrente na obra do veterano realizador japonês. Fala-se de frequentemente nele de que voar é um "sonho amaldiçoado" e Jiro é atormentado pela corrupção em armas de guerra de seus desejos de criar algo belo.

As partes da cinebiografia que retratam o inventor em sua vida privada, porém, são completamente fabricadas. Elas adaptam parcialmente o romance The Wind Has Risen (1937), de Hori Tatsuo, que se passa em um sanatório para tuberculosos em Nagano, Japão. O resultado, a mistura de ficção e fatos, é arrebatador e extremamente romântico.

Como é comum na obra de Miyazaki, a arte do filme é deslumbrante. Dos fundos pintados às retratações dos aviões e ao carinho especial como são mostrados os projetos e cálculos, tudo é belíssimo. A sonoplastia é igualmente brilhante, com os sons das aeronaves lembrando lamentos de criaturas - um pequeno eco das fantasias épicas do currículo do diretor - e complementa a bela trilha sonora baseada em acordeons de Joe Hisaishi, que volta a trabalhar com o diretor depois de colaborações em filmes como Princesa Mononoke e A Viagem de Chihiro.

Ao final, Vidas ao Vento é uma celebração da criatividade e engenhosidade humanas, uma que lamenta nossa capacidade para a destruição da maneira mais poética possível. Se realmente este for o último filme de Miyazaki, que anunciou sua aposentadoria recentemente, ao menos ele deixa o cinema com uma de suas obras-primas.

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