Xingu

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Xingu (Xingu)

(Bom)
País: Brasil
Lançamento Brasil: 06/04/2012
Duração: 93 minutos

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Xingu | Crítica

Cao Hamburger defende a causa indígena em lição de antropologia para iniciantes

Marcelo Hessel
05/04/2012 - 19:00

Em 2011, o Parque do Xingu, a primeira terra indígena homologada pelo governo brasileiro, completou 50 anos. Meio século passou e o País do Futuro ainda continua lidando com grileiros, desmatamento e a paralisia da velha discussão: preservar a floresta ou abrir espaço para o crescimento econômico?

Fica a impressão de que não avançamos muito, no entendimento da questão amazônica, nesses anos que separam Transamazônica e Belo Monte. Nesse ponto, embora seja um filme didático e básico em sua defesa da cultura indígena, Xingu não deixa de ser atual.

O filme dirigido por Cao Hamburger (O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias) conta, com algumas licenças, a história da expedição pelo Rio Xingu dos irmãos Villas-Bôas, os mais importantes indigenistas do país, responsáveis pela criação do Parque. No filme, os três são dispostos como uma gradação: numa ponta, o mais velho, Orlando (Felipe Camargo), faz o papel político pragmático; na outra, o caçula Leonardo (Caio Blat) representa a entrega emocional, a evidência de que é impossível se aproximar dos índios sem transformá-los (e transformar-se).

Não por acaso, o protagonista do filme é o irmão do meio, Cláudio (João Miguel), o desbravador. É ele quem mais sente o peso das duas responsabilidades, a pública (a promessa de uma terra demarcada para os índios) e a privada (o esforço utópico de impedir a aculturação, de não se envolver). João Miguel reage bem ao peso do papel, e a sua interpretação é o forte de Xingu, um filme cuja plasticidade tenderia a esvaziar a figura dos atores.

Ao mesmo tempo, é difícil esquecer que obras recentes como Serras da Desordem, de Andrea Tonacci, e Habitante Irreal, de Paulo Scott, por exemplo, tratam de forma muito mais complexa essas questões de trocas de identidade entre o branco e o índio. Xingu só as toca transversalmente. É uma biografia meio chapa-branca que flerta com essa complexidade (nos dilemas de Cláudio), mas que termina simplificando coadjuvantes (o fazendeiro mau, o político negociador) e resgatando a velha ideia do Bom Selvagem, como se Hamburger atendesse a uma urgência de reorganizá-los do zero, como se o hoje histórico pedisse uma reintrodução à nossa história.

Mas será que pede mesmo? Ou a discussão já deveria estar em outro degrau?

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