O Homem que Mudou o Jogo | Crítica

O romantismo de uma ideia exata

16/02/2012 - 21:00 - Érico Borgo
O Homem que Mudou o Jogo
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O Homem que Mudou o Jogo
O Homem que Mudou o Jogo

Baseball é um mistério para a grande (muito grande) maioria dos brasileiros. No país do futebol, achamos curioso o campo com formato de diamante, vemos com interesse os uniformes engraçados e imaginamos como deve ser divertido ter um taco de baseball e aquela luvona que vemos, em filmes, quando pais arremessam a bola aos filhos no quintal de casa. Particularmente, meu conhecimento do esporte não passava de alguns episódios de Seinfeld - aqueles em que George Costanza trabalha para o dono dos New York Yankees.

Por causa dessa distância, filmes dedicados ao tema raramente entram em cartaz no Brasil - mas O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball, 2011) é muito mais do que um filme de celebração ao esporte. O longa de Bennett Miller (Capote) é sobre adaptação, quebra de paradigmas e persistência - e como tudo isso pode não adiantar de nada graças ao elemento que torna, em última instância, qualquer esporte divertido: a imprevisibilidade do fator humano, a tal "caixinha de surpresas" de que tanto falam os comentaristas esportivos.

A trama acompanha Billy Beane (Brad Pitt), gerente geral do Oakland Athletics, um ex-atleta que tem a ingrata tarefa de encontrar, treinar e tornar famosos jogadores que, invariavelmente, vão terminar em equipes mais ricas. "Somos doadores de órgão para o NY Yankees", diz, referindo-se à folha de pagamento do seu time em comparação com o gigante da costa leste (39 milhões contra 114 milhões de dólares), que consegue contratos melhores para todos os destaques da temporada. Entra em cena, porém, o analista novato Peter Brand (Jonah Hill), que sugere um novo sistema para escolher jogadores desacreditados com base em suas médias estatísticas - e não sair em busca de superastros -, criando assim uma equipe cuja força é o grupo e não os indivíduos.

A frase que abre o filme, "é inacreditável o quanto você não sabe do jogo que tem jogado a vida toda", é certeira ao relacionar a existência dos personagens dentro e fora de campo. Tema comum a vários filmes contemporâneos, o do profissional que deixa sua família e amigos em segundo plano, buscando a excelência no que o define como pessoa, como vencedor, é o dilema de Billy Beane. Ou melhor, o não-dilema, já que ele fez as pazes com quem ele é - só é incapaz de aceitar que seu time jamais será o melhor com as ferramentas de que dispõe. O confronto entre o velho e o novo, a necessidade de mudança não apenas estrutural, mas pessoal, a que ele deve submeter o time e a si mesmo são parte do processo de superação de que trata O Homem Que Mudou o Jogo.

O roteiro de Steven Zaillian e o mago Aaron Sorkin, baseado em livro de não-ficção de Michael Lewis, é ótimo, à exceção de uma subtrama familiar de Beane com a ex-esposa e a filha, que é mal-desenvolvida. Os diálogos, por sua vez, são excelentes e há momentos memoráveis, como a conversa entre Beane e o rebatedor David Justice (Stephen Bishop) no centro de treinamento. Esse texto é entregue com naturalidade pelo inspirado elenco: Pitt (que lembra cada vez mais Robert Redford no auge de sua carreira) e suas negociações estão entre as melhores partes do longa, que traz ainda a melhor atuação da carreira de Jonah Hill - que tem se mostrado um ator extremamente versátil. Phillip Seymor Hoffman, que vive o treinador Art Howe; além de Chris Pratt (conhecido pela série Parks and Recreation) e Robin Wright completam o excelente "time" reunido, ainda que a última - parte da história da filha, seja sub-aproveitada.

Ao final, O Homem que Mudou o Jogo é um relato honesto sobre uma obsessão e um obcecado. Um filme de certa maneira romântico sobre a menos romântica das situações: o momento em que um esporte (ou vários deles) parou de ser 100% jogado nos campos para ser pré-definido em gráficos e tabelas. "Mas como não ser romântico sobre baseball" quando o tal fator humano está em cada um e insiste em ignorar certezas?

O Homem que Mudou o Jogo | Cinemas e horários

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