Se Eu Fosse Você 2

Continuação traz alguma novidade, mas insiste nos erros do original

31/12/2008 - 13:00 - Érico Borgo

Em 2006, o cinema nacional deu uma de Hollywood e repetiu com Se Eu Fosse Você uma batida fórmula de sucesso oitentista, a do filme de troca de corpos. Agora, com o espetacular resultado de público da comédia - o filme nacional mais assistido naquele ano - os produtores daqui repetem a dose e fazem uma continuação. Igualzinha às que se fazem por lá. E por que não?

Em Se Eu Fosse Você 2, novamente dirigido por Daniel Filho, alguns anos após sua primeira experiência de troca de corpos, Cláudio (Tony Ramos) e Helena (Gloria Pires) resolvem se separar. As diferenças são inconciliáveis. Mas o destino novamente resolve interferir, colocando a mente de um no corpo do outro. Só que desta vez os problemas vão além do uso do equipamento do sexo oposto e incluem a necessidade de solucionar os pequenos e grandes dilemas domésticos, como a descoberta que a filha Bia (Isabelle Drummond), agora com 18 anos, está grávida. E sobra para o pai planejar casamento e escolher enfeite, enquanto a mãe, de férias, faz suas coisas "de macho", como jogar futebol.

Mas se a previsibilidade da fórmula segue intacta aqui, com todo o público sabendo direitinho que é a conciliação a chave para a normalidade, alguém esqueceu de avisar o casal... Helena e Cláudio (interpretados novamente com competência e bom-humor pelos dois atores) acham que é tudo uma questão dos mesmos quatro dias que eles demoraram para voltar ao normal da última vez. Não muito espertos, vale dizer.

E se o desfecho já é conhecido desde o primeiro quadro, como se o longa fosse um esquete de Zorra Total, ao menos dá pra recostar-se na cadeira e aturar a duração da fita com uma ou outra piada melhorzinha. Só que a burrice dos protagonistas é transmissível, aparentemente - e mesmo os melhores momentos, as piadas mais engraçadas, precisam ser explicados por mais óbvios que sejam. Observe, caso você decida encarar o filme na telona, por exemplo, a cena do baile (claro, tem que ter um baile!), em que Cláudio, no corpo de Helena, tira o pai do noivo da filha (Chico Anysio) para dançar. O humor de dois homens tentando conduzir a dança é físico, visual, não carece de qualquer explicação. Mas ao final da música, o veterano humorista solta a pérola "mas a senhora está me conduzindo". Jura? Achei que estava vendo um filme, não ouvindo uma novela de rádio...

Nada contra repetir fórmulas ou fazer sequências, mas se o cinema nacional, nessa assumida (e justa) busca de bilheterias mais gordas, precisa mesmo buscar inspiração lá fora, que ao menos o faça copiando apenas os acertos alheios.

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