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Crepúsculo

Fenômeno no mundo inteiro, romance de estréia de Stephanie Meyer chega ao Brasil

Marcus Vinicius de Medeiros
25 de Maio de 2008

Crepúsculo - Livro

Crepúsculo - Livro

Stephenie Meyer

Intrínseca

Bom
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Merece atenção o vácuo que existe na literatura voltada aos jovens. Principalmente depois que a série Harry Potter, de J. K. Rowling, chegou ao seu final. Surge agora nova alternativa aos fãs órfãos desse universo fantástico, o romance Crepúsculo (Twilight), de Stephenie Meyer, lançado no Brasil pela editora Intrínseca e fenômeno no mundo inteiro.

A trama vampírica e romântica de Crepúsculo está longe do convencional e, ao contrário do que se possa imaginar, não foi derivada do sucesso de personagens como Buffy - A Caça-Vampiros e Angel. Tampouco segue os princípios de séries literárias como as Crônicas Vampirescas, de Anne Rice. A autora afirma que suas principais influências sempre foram os livros de Jane Austen, como Razão e Sensibilidade e Orgulho e Preconceito, além dos clássicos de ficção científica modernos de Orson Scott Card, que lidam com dilemas éticos numa ambientação futurista, especialmente O Orador dos Mortos, a continuação da saga de Ender iniciada em O Jogo do Exterminador. Tendo esses dois mestres como guias, Stephanie decidiu escrever um romance adolescente com vampiros por acreditar no potencial de mesclar o elemento mítico com a fase mais conturbada de nossas vidas. O resultado é uma história diferente do que se poderia prever à primeira vista, mas com a força de um clássico moderno.

A trama de Crepúsculo se divide basicamente em dois momentos distintos. Primeiro, há uma típica situação da adolescência, depois entram os elementos de horror. A protagonista Isabella Swan é uma garota de 17 anos que está de mudança para pequena e melancólica a cidade de Forks, onde viverá com o pai, longe de sua mãe, porém com a esperança de ter um carro próprio. Bella, como prefere ser chamada, não curte muito uma vida social, preferindo passar horas na biblioteca buscando livros antigos, sem o contato de outros jovens - que ela considera insuportáveis. A garota havia conseguido ficar incógnita na Califórnia, mas numa cidade pequena em que todos se conhecem, logo vira alvo da atenção dos garotos do colégio e faz até algumas amigas, enquanto sua mãe enche a caixa de mensagens eletrônicas a cada cinco minutos. A situação muda completamente com o contato de um grupo ainda mais estranho que o normal, até para os padrões dessa idade.

Meyer não tenta explorar de forma apelativa ou exagerada os dramas da adolescência, pois está ciente da força que o tema já possui. O livro não vem recheado de padrões de comportamento sexual doentio, mas também não tenta passar lições de boa conduta. Seu mérito ao tratar da juventude e seus problemas está mesmo numa realidade em que, por mais bem intencionada que seja uma garota, ela acaba agindo de forma cruel, manipuladora e provocando dor a quem está próximo. Quando é apresentada a família Cullen, aparentemente um grupo de colegas que permanece isolado nos intervalos entre as aulas, Bella sente-se inexplicavelmente atraída por eles, e a partir de então explode uma saga de paixão e desejo com um perigo sobrenatural que coloca em risco a vida de todos os inocentes. Mais um ponto a se ressaltar, contudo, é o tom introspectivo de Crepúsculo. A autora não investe em cenas de violência gráfica, mantém o suspense em nível psicológico e envolve o leitor pela riqueza na caracterização e sentimentos de seus personagens.

Entre todos os aspectos, sobressai em Crepúsculo a paixão arrebatadora entre Bella e o vampiro Edward Cullen. Mais que uma história de vampiros colegiais, o livro narra uma trama poderosa de primeiro amor. Por não se basear em convenções do gênero, Meyer desenvolve conceitos próprios sobre o mito dos vampiros, inclusive o que chama no romance de "vegetarianos", ou seja, aqueles que evitam se alimentar de sangue humano. Em verdade, tentam evitar, pois boa parte das emoções defloradas ao longo da narrativa versa sobre o desejo de Edward morder sua amada, e de ela desejar ser mordida! Paralelamente, como não poderia deixar de ser, há todo um universo de criaturas demoníacas, de vampiros a lobisomens, e logo o amor da jovem adolescente é ameaçado por predadores implacáveis. Ainda assim, mesmo quando o horror e o suspense tomam conta, o foco se mantém nos sentimentos.

Crepúsculo é o romance de estréia de Stephanie Meyer, sucesso absoluto de vendas, primeiro lugar na lista do New York Times, onde permaneceu durante mais de um ano, rendendo elogios diversos da crítica internacional, e teve três continuações já publicadas nos Estados Unidos. Mas seu mérito não está em números ou na consagração por especialistas, e sim no diálogo honesto e contundente que estabelece com o público adolescente. Num tempo em que os jovens são tratados muitas vezes como seres incapazes de pensamento inteligente e guiados por modismos infelizes, o romance acertou em cheio ao explorar suas angústias e paixões, garantindo identificação total. Essa é a literatura de qualidade que, voltada para qual for a faixa etária, tratando dos seres sobrenaturais que desejar, captura a mente, o coração e as aspirações humanas tal como uma mordida no pescoço por dentes afiados e sedentos de sangue.

Leia mais sobre Crepúsculo e a adaptação para o cinema do livro e sua continuação, Lua Nova (New Moon)


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Comentários (3)

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Rafael Rafael (12/07/2010 02:54:16)   1 1
"Num tempo em que os jovens são tratados muitas vezes como seres incapazes de pensamento inteligente e guiados por modismos infelizes..."

Olha só o que o cara que postou falou.
Esse livro é pura modinha. Não é cultura e ponto.
Pô, vai ler Henry Miller, Thomas Pynchon, Stephen King, J.R.R. Tolkien, Thomas Harris...



Bell Bell (11/07/2010 11:00:41)   0 0
Você leu o livro? Ou só assistiu o filme?



sem avatar Marcia Aparecida (06/07/2010 00:26:36)   1 1
Cara, esse review é uma piada. Confesso que quando li pela primeira vez em 2008 eu sinceramente acreditei q estava diante de algo tão bom quanto Harry Potter, como tenta sugerir o autor do texto, só anos mais tarde fui perceber que esse livro, que parecia tão bom é... sim, é Crepúsculo... ¬¬

Como assim livro sem convenções, com todos os clichês que apresenta? Como assim, consagração por especialistas? Que especialistas pelo amor de Deus! Que especialista arrisca a reputação elogiando um best seller? Como assim a força de um clássico moderno com diálogos tão ruins e personagens tão superficiais? Gente... me desculpa, mas esse review está vendendo a obra prima que o livro está muuuuuy longe de ser.




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