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Crítica do livro Onde Vivem os Monstros

Obra não foi um sucesso no seu lançamento, mas depois virou sucesso entre crianças e adultos

Fábio Yabu
14 de Janeiro de 2010

Onde Vivem os Monstros

Já não era sem tempo de nossas crianças e adultos descobrirem Onde Vivem os Monstros. O livro foi lançado por aqui somente no ano passado pela CosacNaify, com tradução de Heloísa Jahn, mas foi escrito em 1963 por Maurice Sendak, hoje com 81 anos e um extenso currículo literário. No Brasil, seus trabalhos mais conhecidos até então são as séries Os Sete Monstrinhos e O pequeno Urso, exibidas pela TV Cultura.

A história não foi um grande sucesso na época de seu lançamento. Pelo contrário, recebeu reviews negativos e chegou a ser banida de algumas livrarias e bibliotecas. É possível que até hoje ela atraia polêmicas, especialmente vindas dos amantes do politicamente correto, por tratar de temas como rebeldia, raiva e solidão, sem trazer mensagens edificantes ou uma moral da história.

Trata-se de um mergulho na mente de Max, um menino de aproximadamente 8 anos que, depois de ser mandado para a cama sem jantar, "cria" uma enorme floresta em seu quarto. A floresta torna-se um mundo, que Max explora com um barquinho a vela durante "quase um ano". Ao chegar em terra firme, ele conhece monstros assustadores, dos quais se torna rei.

Poucas frases separam a coroação de Max do final feliz. A história é simples, carregada de símbolos e arquétipos. Originalmente, os monstros (no original, "wild things") seriam retratados como cavalos, e só não foi assim porque Sendak não os sabia desenhar. O autor também diz ter se inspirado em seus parentes para criá-los - mas no final, eles acabaram lembrando mais a si próprio do que seus tios e tias.

Aos poucos, os monstros de Sendak foram encantando crianças e adultos ao redor do mundo, e angariando importantes prêmios como o Astrid Lindgren e o Hans Christian Andersen. O ápice de sua popularidade chega agora com o filme de Spike Jonze, que obviamente traz inúmeras mudanças na história, mas consegue se manter fiel à essência do livro.

É preciso falar do acabamento gráfico da edição brasileira. O capricho da CosacNaify faz com que esse seja um daqueles livros que dá sim, para julgar pela capa - dura, em papel especial e com a lombada de pano. As páginas internas são impressas em papel opaco, que realça as nuances das cores de Sendak, e dá a impressão de que cada livro foi desenhado à mão. Tamanha elaboração não se reflete necessariamente no preço: em média R$ 50,00, um valor bem razoável.

Fábio Yabu é autor dos livros infantis Princesas do Mar e Raimundo, Cidadão do Mundo.



Comentários (1)

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Narayana (Rodrigo) Narayana (Rodrigo) (08/05/2012 12:14:34)   154 0
Livrinho cult que mostra que tamanho não é documento. Porém não pago 50,00 por um livro prefiro que alguém venda no sebo e onde eu compre por 10.00, no máximo 15.00
Também fiquei fã do livrinho Os Passarinhos de Etevão Ribeiro. As mensagens e o sarcasmo são interessantes na visão de passarinhos.




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