Crítica: Call of Duty: Black Ops

Série entrega mais um jogo perfeito de tiro


16/11/2010 - 17:00 - Érico Borgo

A série Call of Duty especializou-se em lançamentos bombásticos, acompanhados por campanhas de mídia do tamanho - ou maiores - que as dos grandes lançamentos da cultura pop. Contando com esse poderoso aparato de marketing, o início das vendas de novos capítulos da série é sempre acompanhado de recordes - que inflam ainda mais o interesse do público e a consequente arrecadação dos títulos.

A expectativa pelo próximo jogo da série, portanto, está sempre entre as maiores da indústria e público, que sempre respondem à altura. Isso cria um ciclo preocupante para o produto. Com a fórmula do sucesso nas mãos, a Activision não faz qualquer menção de mudar as regras do jogo. Ainda que a ambientação sofra alterações ano a ano, a essência do jogo é, basicamente, a mesma. Estamos jogando o mesmo game de tiro perfeito há alguns anos já. Obviamente, gráficos são aprimorados e tramas mirabolantes recebem investimento, assim como o realismo em termos de armamentos, respostas aos controles e visual, mas Call of Duty segue com pouquíssimas novidades de um jogo a outro - o que não necessariamente é ruim, caso você saiba exatamente o que esperar.

Call of Duty: Black Ops segue essa tradição da série. Emprega a mesma jogabilidade que seus antecessores, especialmente o último, Call of Duty: Modern Warfare 2 , mas apresenta trama bem particular. A ação começa com um agente das forças especiais, um operativo secreto, sendo torturado. Seus captores querem informações sobre sua participação em eventos ocultos da história militar dos EUA. Somos levados a jogar as memórias desse veterano, Alex Mason, durante a os "anos de ouro" da Guerra Fria.

Os cenários passam pela ilha de Cuba (com a polêmica sequência de Fidel Castro ), seguem até Washington - onde os próprios Robert McNamara e John F. Kennedy passam suas ordens -, e invadem países como o Vietnã (no sul e no norte), Hong Kong e a União Soviética, tudo misturado a cenas de arquivo históricas costuradas com ficção que remonta à Segunda Guerra Mundial e os nazistas. Dessa forma, Black Ops entretêm com um mistério a ser desvendado através das fases segmentadas através da história recente e jamais parece enfadonho pela sucessão de cenários parecidos, problema encontrado em vários títulos do gênero. Essa ideia de flashbacks possibilita grande variedade de ambientes e situações, ainda que pouquíssimas delas saiam do trivial "avance ao objetivo para ser seguido pelos seus camaradas e obter um novo objetivo". Curiosamente, se você conseguir correr de um objetivo ao outro, nem precisa atirar.

O visual é fantástico, seja nas densas florestas do Vietnã ou nas montanhas nevadas onde se esconde uma fábrica nazista. A fidelidade dessas locações parece emular grandes filmes passados nessas épocas - com direito a direção de fotografia variando conforme o cenário. Tudo, claro, em meio a muito tiroteiro e (belíssimas!) explosões. Além disso, os fãs da franquia devem celebrar o fato de que desta vez a campanha para um jogador é 30% maior que a curtíssima campanha de Modern Warfare 2... ainda que continue bastante curta (apenas 6 horas aproximadamente). Para que se aproveite o investimento no game em sua totalidade é necessário encarar as partidas online e o curioso módulo zumbi.

O gamer veterano vai se sentir em casa no multiplayer - a Activision sabe que tem um dos melhores sistemas de jogo online do mercado e focou-se em aprimorar apenas as áreas que realmente precisavam de alguma novidade, para manter os jogadores entusiasmados. Ao lado de novos mapas e armas, o acúmulo de experiência dá acesso a várias personalizações possíveis e prêmio. Outra novidade benvinda é o sistema monetário, os Call of Duty points, que vão ainda mais fundo nas personalizações de personagens. Quanto mais você jogar, dependendo do seu desempenho, mais reconhecível ficará no campo de batalha. Para aumentar ainda mais a diversão, esses pontos podem ser apostados: pague 50 pontos garantindo ao game que esfaqueará um inimigo pelas costas e, se conseguir dentro do limite de tempo, você receberá 100 pontos. E esse é apenas um dos exemplos mais simples, com algumas dessas apostas - chamadas "contratos" - podendo render milhares de pontos e experiência extras. Esse sistema possibilita também partidas dignas de uma noite de milionários em Las Vegas... com apostadores de elite enfrentando-se pelo prêmio total.

Obviamente, entrar em combate multiplayer tendo jogado apenas a campanha do game, renderá ao jogador muitas e muitas mortes. Por melhor que você seja jogando o modo de história, a imprevisibilidade dos jogadores humanos é um desafio completamente diferente. Mas se você precisa de um pouco de autoafirmação antes de colocar o pé na arena online, a Activision criou um ótimo modo de treinamente, no qual você pode estudar os mapas antes e não se sentir perdido quando resolver, enfim, se arriscar no multiplayer. Nele, a inteligência artificial dos oponentes pode ser adequada ao seu nível de jogo - e você pode melhorar gradualmente conforme se sentir mais confiante.

O pacotão de Call of Duty: Black Ops é completado pelo modo cinematográfico (Theater), em que você pode rever sua performance nas diversas fases, tirar fotos de tela e até editar segmentos de jogo. O outro é o jogo cooperativo para até quatro pessoas (duas com tela dividida ou quatro online) ambientado em uma dimensão cheia de zumbis. O tema surgiu no primeiro Modern Warfare, passou por Modern Warfare 2 e agora chega a Black Ops com direito ao controle de figuras históricas que aparecem no game. Mais divertido e inusitado, impossível.

Por continuar no topo da cadeia alimentar dos jogos de tiro em primeira pessoa, Call of Duty: Black Ops novamente recebe nota máxima. Mas que seja a última vez que isso acontece graças a inovações que são meramente estéticas ou de integração social. O próximo Call of Duty tem que apresentar algo que traga alguma novidade ao gênero e mantenha a franquia surpreendendo seus seguidores. Eles garantem que vão... esperamos que consigam.

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