Crysis 3 | Crítica

Multiplayer frenético e belos visuais compensam por pouco jogo curto que não aproveita novas mecânicas


04/03/2013 - 16:11 - Érico Borgo

A Crytek atingiu a perfeição visual com o processamento disponível nesta geração com seu CryEngine 3. Nos PCs, os games da série Crysis são exaltados como alguns dos melhores nesse quesito - e o novo título, Crysis 3 , não é exceção.

Nos consoles PlayStation 3 e Xbox 360, apesar da defasada qualidade gráfica estar muito aquém dos computadores, o engine faz igualmente bonito. Há apenas um seleto grupo de games que enchem os olhos como o novo jogo da Crytek.

Neste quarto título (contando Crysis Warhead), o protagonista do original, Prophet, retorna à ação depois de 20 anos em animação suspensa, como prisioneiro da organização CELL. O salto temporal dá ao jogo um cenário geopolítico novo, mas sem esquecer o que passou. Nova York virou uma selva, com ruínas de civilização por todos os lados. A CELL patrulha o local, fechado em uma cúpula, ocultando algo, que Prophet - resgatado pelo velho amigo Psycho e mais máquina do que homem, fundido à sua armadura Nanosuit - precisa descobrir o que é. Enquanto isso, alguns alienígenas Ceph vagam como selvagens, sem a mente que os controlava como uma colmeia.

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Agindo ao encontro do ótimo engine está uma direção de arte inspiradíssima. O design de fases, porém, retrocedeu muito em relação ao jogo original - e isso é apenas um exemplo dentro da principal falha do game: falta função à maioria dos recursos de mecânica. Prophet, afinal, tem um sem-fim de possibilidades de customização de armas, que pouco alteram a maneira como o jogo transcorre. Basicamente, é possível ir do início ao fim usando apenas o arco composto, a grande novidade do game. Como dispará-lo não remove a camuflagem, a ação pode ser resolvida quase que na íntegra indo de abrigo em abrigo para recarregar a energia da nanosuit enquanto limpam-se os inimigos em tela. Outros novos recursos, como a possibilidade de marcar oponentes em tela com uma visão em estilo de radar e o mini-game de hacking (que converte minas e torres de defesa em aliadas), torna a coisa toda ainda mais fácil. Crysis já foi bem mais desafiador.

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A série sempre privilegiou a escolha: resolva os desafios com armas, furtivo ou com inteligência e os punhos e tinha fases amplas, cheias de possibilidades. Dava para quase se perder nelas. Mas aqui quase todos os cenários envolvem inevitavelmente encontros com os oponentes, já que frequentemente são afuniladas. As fases lineares e herméticas (há uma entrada e uma saída apenas) limitam a criatividade e forçam a limpeza furtiva citada acima. O que era opção no primeiro jogo, virou regra velada aqui. O problema já existia no segundo game, quando a Crytek trocou a excelência do desenvolvimento para os PCs para a (necessária em termos de negócio) massificação de público dos consoles, mas aqui ficou ainda mais evidente.

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Fica o demérito também para a duração. A história agrega muito pouco à série, fazendo o que é possível em pouco mais de cinco parcas horas de jogo. Fica óbvia a opção da Crytek, que andou comentando sobre o "fim do single player", em valorizar o jogo online. O multiplayer é frenético, com a maioria dos modos focada em nanosuit-contra-nanosuit. A diferença em relação à instância anterior é que há um novo sistema de configuração pré-carregada, em que você pode definir suas opções de armadura antes do início do jogo. Um modo divertido e que merece destaque é o "Hunter", em que uma equipe de soldados CELL enfrenta dois oponentes com Nanosuit. Eles têm quatro minutos para eliminar os soldados, que tornam-se caçadores eles também quando mortos. Vence o soldado que ficar vivo.

Com uma história curta, uma mecânica repleta de possibilidades e um design de fases e encontros que não usa todo o potencial desenvolvido, Crysis 3 torna-se um jogo de interesse para os fãs da série, mas que não deve trazer novos jogadores à franquia. É muito pouco pelo dinheiro investido - ainda que pelo menos no multiplayer eles tenham acertado, para quem gosta do masoquismo de jogar com uma legião de fanáticos habilidosos. Afinal, se nos jogos comuns a morte invisível já é algo trivial, com tantos campers e snipers por aí, quando o jogo envolve guerreiros a la Predador, capazes de ficar invisíveis de verdade, as partidas ficam ainda mais surrealistas.

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