A Grécia inaugura neste sábado o novo Museu da Acrópole, onde espera receber 2,5 milhões de visitantes ao ano. O novo museu é também uma peça importante na longa campanha grega para trazer de volta ao país os Mármores de Elgin, atualmente no Museu Britânico, em Londres.
O termo Mármores de Elgin se refere à coleção de esculturas levada da Grécia para a Grã-Bretanha em 1806 por Thomas Bruce, Lorde Elgin. O Lorde era na época embaixador britânico junto ao Império Otomano, de quem obteve autorização para retirar as peças do Parthenon. Posteriormente, as peças foram adquiridas pelo governo, tornando-se uma parte importante do acervo do Museu Britânico. O retorno das peças é um antigo ponto de discórdia entre os dois países, com a Grécia chamando de pilhagem o que os britânicos defendem como posse legal. Além das peças do Parthenon, Elgin levou peças do Erectéion, um dos edifícios que faziam parte do conjunto e que foi avariado durante a guerra da Independência Grega, os Propileos e o Templo de Atenea Niké.
Em entrevista à Reuters, o ministro da cultura grego, Antonis Samaras, disse que o novo museu deve ser um catalizador para a repatriação dos mármores levados há 200 anos. Além da questão quanto à legalidade da ação de Lorde Elgin, outro ponto usado na discórdia sobre o retorno das peças é o argumento de que a Grécia não teria um lugar adequado para os mármores. O novo museu, que custou 130 milhões de euros, reservou para as peças uma galeria envidraçada instalada em ângulo com o Parthenon, localizado 300 metros acima na colina, onde as peças retiradas serão representadas por réplicas em gesso, deixando claro a importância de sua ausência.
Uma das opções para que os Mármores de Elgin sejam vistos no novo museu seria um empréstimo por parte do Museu Britânico. O diretor da entidade, no entanto, já deixou claro que a viagem ocorreria somente como um empréstimo, e desde que o governo grego reconheça que o Museu Britânico é o proprietário legal das peças. Os britânicos também alegam que a devolução dos mármores abriria um precedente para que museus de todo o mundo tivessem de devolver peças de suas coleções. Enquanto o impasse continua, os turistas podem visitar o acervo do novo museu, incluindo uma caminhada sobre um piso de vidro que revela uma escavação arqueológica abaixo dele, ao preço de 1 euro a entrada.
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