A Nação Zumbi subiu ao palco com a honra e a responsabilidade de ter o recorde de participações no festival. Se hoje a banda é uma das maiores do Brasil, muito deve à primeira edição do Abril pro Rock, onde conseguiu visibilidade. A experiência contou na hora de executar um repertório apenas com músicas dos últimos discos. O desafio era mostrar ao público recifense uma Nação Zumbi pós-Chico Science que conseguiu superar traumas, expandir-se musicalmente e manter o mesmo vigor.
É preciso ressaltar que a memória de Chico Science é muito presente em Pernambuco. Em graus maiores ou menores de idolatria, é uma referência para a música e cultura pernambucana nas últimas décadas, soma-se a isto o fato de sua morte ter completado uma década este ano. Pode-se dizer que o desafio foi vencido pela banda. O público cantou junto os sucessos da segunda fase da banda e vibrou com a performance dos integrantes no palco.
Enquanto a Nação Zumbi mostrou um certo desapego com o seu passado, o show dos Mutantes mostrou o oposto. Porém, a reunião de uma das maiores bandas de rock já surgida no Brasil é algo poderoso. E nem foi tanto um exercício de nostalgia, visto que a maioria do público presente nem era nascido quando a banda surgiu, em meados dos anos 1960. Jovens na casa dos 20 anos cantaram junto com os integrantes músicas gravadas há mais de 40 anos.
E se é tão comum dizer que a música é universal, por conseguir driblar distâncias geográficas, lingüísticas e sociais, também é possível dizer que ela, às vezes, é atemporal. Ou, no mínimo, pode ser uma forma de diálogo entre gerações. Como bem ilustrou a empatia entre a platéia e Sergio Dias com sua guitarra inspirada. Arnaldo Baptista, mesmo em outra sintonia, encarnava a alegria por trás dos teclados, enquanto Dinho Leme empunhava as baquetas com muito vigor. Zélia Duncan, a mais nova integrante, soube se valer da discrição como a melhor forma de contribuir para uma banda da qual visivelmente é uma fã.
Qualquer comparação entre o momento atual da banda e seu passado genial pareceria injusta. Ainda que os arranjos sejam os mesmos, executados por um grupo de competentes músicos de apoio, alguém que teve a oportunidade de conferir os Mutantes tocarem em outra época talvez possa cometer tal injustiça. No entanto, qualquer alegação do tipo cai por terra diante de uma platéia de jovens dos anos 2000 cantando em uníssono os versos de "Virginia", "Panis et Circense", "Ando Meio Desligado", "Dom Quixote" e tantas outras canções.
O Omelete disponibiliza este espaço para comentários e discussões dos temas apresentados no site. Por favor respeite e siga nossas regras para participar.
Partilhe sua opinião de forma honesta, responsável e educada. Respeite a opinião dos demais. E, por favor, nos auxilie na moderação ao denunciar conteúdo ofensivo e que deveria ser removido por violar estas normas.
Leia aqui o termo de uso e responsabilidade.









