O que é modernidade para você? Em uma noite de quarta-feira com o público de São Paulo dividido entre Tune-Yards, Noel Gallagher e Duran Duran, cada um representando uma época bem distinta de público e hype, os últimos provaram que ainda têm fôlego razoável para deixar de lado os outros dois.
Bastiões dos new romantics ingleses, os DD estão em boa fase alimentada por uma microgeração de bandas e cantoras que bebem na sua fonte. Depois de maus momentos, conseguiram reunir parte dos membros originais (com exceção do guitarrista Andy Taylor) e ganharam nova carga de interesse com All You Need Is Now, lançado em 2011 com produção de Mark Ronson (que entende mais dos new romantics de hoje do que o grupo).
Com setup pocket de palco - apoiados nos telões que fizeram sua fama de banda videocliptica - o Duran Duran faz um show eficiente, para agradar os fãs. Sem invencionices, sem esnobismo, sem pretensões de vanguarda. É o que eles são.
E convenhamos, eles não são mais os mocinhos de antigamente. Os cabelos mudaram, o baixista John Taylor já ganhou uma cara de cinquentão e Simon Le Bon não tem mais a silhueta dos figurinos de antigamente pelo qual ficou famoso (a barriguinha fugindo por baixo da camisa curta não nega). Mas a maior parte do público também não é mais como antigamente. Honestidade.
E dá-lhe hits no repertório. Depois de entrar no palco com a dramática "Before The Rain" do último disco, que não empolga os fãs mais xiitas, vieram todos os sucessos de bailinho de outrora - "Notorious", "The Reflex", "Hungry Like The Wolf", "A View To Kill" e por aí vai. Nem a equalização do Credicard Hall, que não estava das melhores, atrapalhou o baixo marcado de Taylor por cima da carga de sintetizadores.
De presente para o Brasil, um dueto simpático com a fãzoca Fernanda Takai em "Ordinary World", que fazia parte do repertório da turnê solo da vocalista do Pato Fu.
Com a carreira avançada, é notável a ligeira mudança na potência da voz de Le Bon. Não decepciona, mas conta sempre com o apoio da backing vocal Anna Ross para dar massa sonora e puxar o coro no começo de "Come Undone" e "Safe (In The Heat of the Moment)".
Pobre Le Bon, porém, quando a fumaça do palco entra pela respiração errada e faz o vocalista tossir no primeiro refrão de "Girl Panic!", hit máximo do último disco. Surpresa para a cota mais jovem do público, carregada até ali pelo comeback da banda com o clipe superprodução cheio de supermodels dos anos 80.
Profissional, o vocalista segurou o pulmão e foi até o fim - quando fugiu do palco para tomar fôlego durante o providencial interlúdio de "Tiger Tiger". No retorno, emendou uma "Save a Prayer" fora do setlist como perdão pelo pigarro fora de hora, apostando na simpatia da brasileirada. Funcionou: no bis, com "Girl on Film" e "Rio", ninguém ali se lembrava mais da engasgada.
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