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Guns N Roses em BH

E quem comandou a noite foi Sebastian Bach

Rodrigo Monteiro
16 de Março de 2010

Guns N Roses

Há cerca de três anos, Belo Horizonte entrou de vez no circuito das grandes turnês que, nas décadas passadas, era restrito apenas a São Paulo e Rio de Janeiro. Depois da passagem do Iron Maiden pela capital mineira em 2009, nada mais natural que a nova formação do Guns N Roses – ou deveria dizer a banda solo de Axl Rose? – viesse à capital mineira em sua nova turnê pelo país. A noite prometia muito, não só pela possibilidade dos fãs locais conferirem, pela primeira vez, um dos maiores ícones do hard rock da década de 1980, como também pelo fato de o show de abertura ter ficado por conta de Sebastian Bach, ex-vocalista do Skid Row, outra das grandes bandas de hard dessa mesma década.

A noite, no entanto, começou com a banda mineira Uberro. Confesso que não tenho muito o que dizer a respeito deles já que, quando cheguei ao Mineirinho, a apresentação já estava pela metade. Pelo que pude ver, no entanto, a banda foi uma escolha equivocada, já que faz um pop rock cantado em português cheio de clichês e músicas com frases feitas, ou seja, nada digno de nota.

Cerca de meia hora depois, Sebastian Bach e sua banda entraram no palco com dois objetivos em mente: deixar o público em “ponto de bala” para o GNR e – pode nem parecer, dado o setlist – divulgar seu segundo álbum, o bom Angel Down, de 2007. Sebastian Bach ainda é, sem sombra de dúvidas, um dos grandes frontmen do rock. O cara sabe exatamente o que seu público quer e não se importa nem um pouco de lhe dar exatamente isso. Se as quase 15 mil pessoas presentes no Mineirinho queriam escutar muito mais os sucessos de sua ex-banda do que seu trabalho atual, então é isso que eles receberam. Bach subiu no palco botando fogo no público, executando a pesada “Slave to the Grind”, faixa título do segundo álbum do Skid Row. Nem precisou terminar a primeira música de seu show para todos verem que o cantor e sua nova banda haviam ganhado o público e dali em diante a coisa só tenderia a melhorar.

Carismático e espontâneo como poucos Bach mostra uma alegria legítima de estar em cima do palco fazendo o que mais gosta. Durante os 60 e poucos minutos da sua apresentação, ele teve o público na palma da mão, incentivando-o, animando-o e mesmo interagindo com ele arriscando algumas frases em português, o que sempre conta pontos. Sua banda, também competente, executou um setlist bastante equilibrado, ainda que, das 14 músicas 9 fossem do catálogo do Skid Row. Desnecessário dizer que músicas como “I Remember You” e “18 and Life” foram cantadas em uníssono pelo público ali presente, assim como a surpresa “In a Darkened Room”, que não havia sido tocada em Brasília, cidade na qual a turnê conjunta foi aberta. “Youth Gone Wild” encerrou uma apresentação praticamente perfeita do ex-Skid Row e, sinceramente, acabou mostrando-se um show mais energético, natural e, como dito acima, espontâneo do que a atração principal, que viria a seguir.

A montagem do palco foi rápida e cerca de meia hora depois do show anterior, o novo Guns N Roses estava pronto. Apesar da resistência da maioria da mídia com a banda, especialmente com seu “dono”, o fato é que, em cima do palco, por mais que queiramos dizer o contrário, o grupo é extremamente competente. Eles não são muito espontâneos, seus membros pouco se comunicam com o público e Axl parece mais preocupado em trocar de roupa do que extrair alguma reação da multidão que o assiste. Apesar disso e do excesso de pirotecnia, a banda sabe como agradar a sua platéia, no que diz respeito ao setlist escolhido. Pode se dizer, então, que, assim como no show de Sebastian Bach, o GNR também soube equilibrar seu setlist, variando canções do Chinese Democracy com seus grandes clássicos.

A apresentação foi aberta com “Chinese Democracy” que, assim como o álbum ao qual dá nome, foi recebida de maneira, no mínimo, morna pelo público. “Welcome to the Jungle”, “It’s so Easy” e “Mr. Brownstone” foi o primeiro trio de clássicos tocados naquela noite e, aí sim, o público realmente entrou no clima do show, cujo ápice, como não podia deixar de ser, foi “Sweet Child O’ Mine”, cantada em uníssono pelo público de maneira a abafar a voz de Axl que, ao contrário do que muitos dizem, não está tão ruim assim. Não é a mesma voz de vinte anos atrás, mas poucos são os vocalistas que conseguem manter – ou mesmo melhorar – sua performance após tanto tempo de estrada.

Além das pirotecnias, o excesso de solos também marcou o show do GNR. Foram nada menos do que cinco solos, que variaram dos agradáveis aos sonolentos. Os números dos guitarristas DJ Ashba, Richard Fortus e Bumblefoot foram mais músicas instrumentais com a presença de toda a banda tocando no palco, do que solos propriamente ditos.

Foram quase duas horas de um show que variou momentos bons com ruins. Mas, no frigir dos ovos, a apresentação do GNR em Belo Horizonte foi, dentro de todas as restrições e desconfianças relacionadas a essa formação da banda, aquilo que a maioria dos fãs queria e esperava. No entanto, não há dúvidas de que o que tornou a noite memorável foi Sebastian Bach.


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Comentários (27)

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Neimar Neimar (23/09/2010 15:05:42)   3 0
Eh pessoal pra quem viu alice in chains e nirvana ho Hollywood Rock e Guns no Illusin Live...mudou mesmo rock até os shows!!!



alexandre alexandre (20/07/2010 22:38:28)   2 0
o Dream theater é um excelente exemplo de que apenas bons músicos não fazem uma banda, toda vez q tento ver o dvd deles me dá sono na terceira música. conheço gente q toca menos mas a banda tem mil vezes mais liga.



alexandre alexandre (29/05/2010 21:45:04)   2 0
Fui em outro show só pode. Por mais carismático que seja o Sebastian, seu show está longe da competência e brilho do Guns, e sinceramente, sequer senti saudades do Slash, dj segurou a onda muito bem.



João Augusto João Augusto (22/04/2010 14:13:25)   0 0
Não fui (nem tenho idade ou dinheiro) mas sou um GRANDE fan e não é brincadeira quando digo que so de ouvir Madagascar já ADOREI a banda.



Fabio Fabio (26/03/2010 00:02:01)   0 0
Boa crítica.
É triste que o Guns tenha virado uma "bandinha", gostava bastante do começo da carreira deles.



Clarisse Clarisse (19/03/2010 21:10:35)   0 0
Aqui em Porto Alegre, depois de uma espera de QUATRO HORAS o Sebastian Bach foi a grande surpresa da noite. Acho que o show de BH e o daqui foram bem parecidos, pois minhas impressões foram essas também. Mas não dá pra reclamar, melhor isso do que ficar anos sem ver nenhum show de grande calibre.



Frank Frank (19/03/2010 09:41:23)   0 0
Pra mim,o Guns acabou há muito tempo.Só esqueceram de avisar pro Axl.



Darlan Darlan (18/03/2010 22:12:32)   9 0
Nada a ver chamar a banda de Axl Rose... até porque os novos músicos são excelentes, a banda não é de um cara só. O nome pode até ser ridículo, mas que o DJ Ashba não fica devendo nada para o Slash, não fica mesmo. Pelo menos na execução, na criação é outra história...



Lincon Lincon (18/03/2010 12:34:02)   0 0
Não era mais fácil em vez de se chamar Axl Rose , ao invés de Guns N Roses.



Elloco Elloco (18/03/2010 00:04:28)   1 0
Esperei 12 anos por esse show. Sendo banda do Axl, new Guns ou etc, foi emocionante!!



Maicon Maicon (17/03/2010 13:10:36)   36 0
Olha, fui ao show em SP e foi demais!!! O show do Sebantian Bach (Tião) também foi ótimo! Mas é claro, todos estavam la pelo GNR! Não concordo com as críticas que li por ai! Só sabem falar mal do GUNS e da voz do Axl! O cara é uma lenda viva! Pode ter atrasado, pode ter faltado água, pode ter sido cansativo e apertado... Mas agüentaria às 15 horas de pé novamente... e isso tudo pelo Guns N' Roses...



Daniel Daniel (17/03/2010 07:53:38)   -6 0
... ontem fui no Show do Dream Theater aqui em Porto Alegre, durante o Show Jonh Petrucci arriscou um "Sweet shid on mine" certamente sabendo q no mesmo dia o "Guns Fake" se apresentaria por aqui... prontamente a galera começou a vaiar... foi epico...



sem avatar Victor Marques (17/03/2010 07:14:18)   0 0
O pessoal não perdoa...mas gente 20 ANOS se passaram, dá um desconto pro axl e pra banda.



Alison Alison (17/03/2010 01:08:01)   0 0
Excelente crítica! Mais uma vez uma boa visão do que interessa em um show. Parabéns!



Guilherme Guilherme (17/03/2010 00:25:44)   -1 0
Gostaria muito de ir ao show da banda, uma pena não ter um aqui em curitiba!



Daniela Daniela (16/03/2010 23:01:29)   0 0
O show em SP apesar do atraso foi muito bom. Fuck you, Axl Rose!!!



Guilherme Augusto Guilherme Augusto (16/03/2010 22:41:04)   0 0
E eu quero ler a critica do novo e último álbum do Scorpions aqui no Omelete :)



sem avatar Felipe (16/03/2010 22:18:26)   0 0
Bom,ñ deu pra mim ir,mas concerteza foi realmente marcante!!!Viva o Gun's!



sem avatar Edinilson (16/03/2010 21:32:01)   0 0
Eita, bela crítica, tio Rodrigo!



Darlan Darlan (16/03/2010 21:28:25)   9 0
Fã confesso que sou dos Guns, adorei o show, me emocionei mesmo. Fui no primeiro show dos caras do Brasil também, ainda era um moleque e ouvir novamente Sweet Child o Mine e outros clássicos ao vivo não tem preço. Mas tenho o pé no chão. O que dizer do Axl? O cara é esforçado, se dedicou pra cacete no show, mas não tem voz para aguentar o tempo todo de um show de 3 horas. Mas quem liga? O que ele não cantou, a platéia cantou pra ele.



Guilherme Guilherme (16/03/2010 21:16:49)   1 0
Uma das críticas mais sóbrias que eu li sobre a tour brasileira do novo Guns N' Roses. A maioria dos críticos está descendo o pau no Axl só por prazer.

Concordo que a voz dele não está tão ruim como muitos dizem. Me surpreendeu até. Mas em alguns momentos de certas músicas sua voz se torna tão fraca que ele fica inaudível.



sem avatar Israel (16/03/2010 21:16:08)   0 0
Eu adorei o show. O Sebastian Bach foi excelente, mas eu preferi o show do Guns, pq cresci escutando Guns e cantar Welcome to the Jungle, Sweet Child O Mine, It's So Easy, November Rain e Paradise City não tem preço.
E na hora de Sweet Child O Mine o mineirinho realmente calou o Axl. Não dava pra escutar a voz dele. Fiquei surpreso com a acústica. No show do Iron Maiden não estava tão ruim, mas nesse show do Guns quase não escutei problemas relacionados à acústica do mineirinho (que é pessima).



sem avatar Dane (16/03/2010 20:38:00)   0 0
Caramba! O AXL ainda tá vivo!! Até os fãs mais ardorosos do Guns (não me incluo) já deviam ter percebido que essa turnê é uma masturbação sem orgasmo do que a banda já foi, e o pior, essa nem a banda!



sem avatar Gustavo Abib (16/03/2010 20:34:47)   0 0
Legal tua crítica, em minha opinião, o Sebastian Bach não roubou a cena, foram dois shows memoráveis, ponto. Esperava muito menos do GNR, foi uma grata surpresa.



Luciana Maria Luciana Maria (16/03/2010 19:57:58)   0 0
Bela crítica e concordo bastante contigo, apesar do atraso indesculpável do GNR em São Paulo.
Eu acho que o mais difícil é ter visto o GNR no auge e vê-los agora: aí sim a diferença se torna tremenda. A energia que eles tinham era incomum, por isso a banda chegou aonde chegou. De qualquer forma, quantos grupos de hoje dariam um punhado de verdinhas pra criar uma singela "It´s So Easy"?



Guilherme Augusto Guilherme Augusto (16/03/2010 19:38:19)   0 0
Carisma não é o forte do Axl, por isso compensa encima do palco. Não sou viúvo dos anos 80, mas ouvir músicas antigas da banda sem os outros integrantes é como assistir uma banda cover.



Rodrigo Rodrigo (16/03/2010 19:35:00)   0 0
O de são paulo tb foi muito pegal com direito a pit do axl.... kkk