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Indie Rock Festival 2009

Gerador do Via Funchal garante barulho durante apagão

Eduardo Viveiros
22 de Novembro de 2009

Indie Rock Festival 2009
Fotos: Juliana Knobel
Indie Rock Festival 2009
Indie Rock Festival 2009

Onde você estava quando a luz apagou? Enquanto Itaipu deixava boa parte do país em clima de fim dos tempos, na semana passada, São Paulo ritualizava uma das noites mais intensas do ano, graças aos geradores abençoados do Via Funchal.

Para o pequeno público que acompanhou o Indie Rock desde o começo da noite, o clima era de esquisita apreensão. A energia caiu lá fora quase no momento em que o Super Furry Animals subiram ao palco, cartaz de "aplauso" nas mãos do vocalista Gruff Rhys, com a piração de "Slow life".

Entre mensagens de celular e a notícia correndo ao pé do ouvido na plaeita, os galeses pareciam alheios à bizarrice do mundo exterior. Pensamento compreensível para alguém que, como eles, vivem em um mundo paralelo, habitado por músicas pop de levada esquizofrênica.

Bem humorado, Rhys passou a apresentação inteira interagindo com a platéia via seus cartazes, versão pirata de Bob Dylan em "Don't look back" - "obrigado", "danke", "aplausos", "whoooa", "fim". Até um retrato de Nick McCarthy, guitarrista do Franz Ferdinand, apareceu para "cantar" sua parte em "Inaugural trams".

Desarmados dos figurinos psicopatas e peludos, a banda se fia muito mais nas suas viagens sonoras. Tem o apoio da (pequena) plateia devota e sabe fazer barulho muito, mas muito bem. Da "Golden retriever" do começo do show, chegaram ao final fazendo zoeira nos tímpanos com "The man don't gife a fuck" e "Keep the cosmic trigger happy".

A bagunça continuaria pouco em seguida, depois da troca de público (agora mais numeroso) e algumas ligações para ver como andavam as coisas no mundo exterior. Era a vez da maçaroca sonora de Eugene Hütz e seu Gogol Bordello.

Ao contrário dos SFA, que passaram por aqui lá em 2003, a trupe cigana-bizarra-subterrânea do ucraniano bigodudo tocou no Brasil há pouco mais de um ano. E, de lá para cá, pouca coisa mudou.

Longe de ser um demérito, é claro. Quem queria festa, em tempos de crise elétrica, ganhou festa. Foi uma hora e meia de pelos, suor e vinho, entre Hütz, seu bizarro violonista russo, as dançarinas nipônicas e todos seus instrumentistas fritando em adrenalina.

Impossível dissociar uma música da outra, amalgamadas em um grande hino da ralé mundial - "Wonderlust king" mais "Tribal connection", "Start wearing purple" mais "Think locally".

O roteiro é o mesmo, mas ganhou ares brasileiros. Hütz, que morou um ano e meio no Rio de Janeiro, começa a mesclar brasilidades na sua música. Aqui e ali uma cuíca se mistura à barulheira. E a inédita "Uma menina", com trechos em português. A tal menina, claro, é uma cigana. Mas com o país enfrentando um problema estúpido de terceiro mundo, nada mais certeiro.


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