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Instituto apresenta Tim Maia racional

Coletivo homenageia músico em show estupendo


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Bnegão
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Thalma de Freitas
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Carlos Dafé
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Instituto

A vida é uma festa, e você não deveria ter muito o que reclamar. Essa é a sensação que carregava cada um que saía do Auditório Ibirapuera.

Era mais que especial a ocasião, e carregava todos o elementos necessários: uma comemoração, um mito e uma dúzia de bons músicos no palco - aliás, o melhor palco de São Paulo atualmente, vale frisar. A apresentação especial celebrava o aniversário de dois anos do Studio SP, que desde sua inauguração abriu um gás especial no circuito de inferninhos da cidade, abrigando shows infalíveis.

Sob os holofotes, o coletivo Instituto, regido pelo líder Daniel Ganjaman, angariava todas as estrelas que merece, depois de um tempo fora de área. O show temático homenageava a Tim Maia e seus discos dedicados à Cultura Racional. Uma apresentação que estreou no ano passado, passou pelos festivais Recbeat e Planeta Terra e chega agora à sua melhor forma, com Bnegão, Kamal e Thalma de Freitas nos vocais.

Os dois discos malditos de Tim, considerados pioneiros na distribuição independente, foram gravados em meados da década de 70, quando o músico mergulhou de cabeça na seita Universo em Desencanto, que prega uma teoria confusa de evolução humana através de boas vibrações, livros e mundos paralelos.

Descartada e proibida por Tim poucos anos depois, a gravação passou décadas sendo pirateada, tornando-se cult e objeto de desejo em sebos, até ser parcialmente relançada recentemente pela Trama. Apesar das letras à la lavagem cerebral, os dois volumes de Tim Maia Racional trazem o carioca em plena forma, decantando todo seu talento em composições poderosas do soul que só ele sabia fazer.

Agora, 30 anos depois de sair do estúdio e à beira da década da morte de seu criador (a ser completada e 2008), a energia é recriada e relida com maestria pelo grupo reunido por Ganjaman. Todos ali são filhotes de Tim, como todo músico brasileiro. A diferença é que sabem e assumem o DNA, com orgulho e vontade.

A pregação idealizada à época é cuidadosamente deixada de lado, já que ali a seita é outra e o que vale é o poder da black music, cuidadosamente reorquestrada. Reencaminhadas, as letras perdem o poder da seita amalucada e viram pepitas sobre superação e sabedoria, a boa vida e boas energias - teoria que sempre esteve por aí, dos egípcios aos seguidores de O Segredo.

O show se mantém o tempo todo no alto, com pouco mais de uma hora de palco. Das rimas freestyle sensacionais do rapper Kamal aos samples do onipresente Tim via picapes do DJ Zé Gonzales, passando pelos músicos (importados de bandas como Nação Zumbi e Cidadão Instigado), tudo funciona.

Logo no início, com Bnegão fazendo o cumprimento característico de Spock (o grande personagem "racional" de Jornada nas Estrelas, aí a ironia) durante "Quer queira quer não queira", já se nota a que o coletivo veio. É música sem afetação, sem cabecice, sem mensagens subliminares.

Então vêm as partipações de Marku Ribas (grande voz esquecida da história nacional) e Carlos Dafé, parceiro de Tim, que emociona cantando e contando histórias do velho Síndico. Mas quem chama a atenção mesmo, entre todos, é Thalma de Freitas, única mulher no palco.

Thalma, além de todo o charme que exibe, mostra que é cada vez mais uma das top cantoras da nova geração, fato que ainda merece registro à altura em estúdio. Seus gritos no refrão da poderosa "Bom senso" são daqueles momentos que arrepiam qualquer um na audiência.

No final, anarquizando, a platéia inteira desafia o cenário sisudo do Auditório e transforma o lugar em um belo baile black, fazendo coro com a letra em inglês de "Rational culture".

A essa altura, não sobra muito o que racionalizar. É festa, não é? Tim Maia seria o primeiro a atacar o salão.


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