Trent Reznor, cabeça do Nine Inch Nails, continua o discurso indignado contra a indústria fonográfica que começou com um desabafo no site oficial da banda, depois de ele fazer uma pesquisa de preços nas lojas de CDs da Austrália.
Na ocasião, Reznor denfendeu os piratas de plantão, alegando que gastar 30 dólares pelo disco novo do Nine Inch Nails e apenas 18 pelo da Avril Lavigne é motivo mais do que suficiente para "roubar" música. A coisa ficou ainda pior quando o artista perguntou à sua gravadora as razões da diferença de preços: "Quando eu perguntei à gravadora o motivo, eles disseram: 'É porque sabemos que você tem um público fiel que vai pagar o preço que for pelo que você lançar. Você sabe, fãs de verdade'. Então, acho que a recompensa por ser um 'fã de verdade' é você ser lesado".
Atualmente em turnê pela Austrália para divulgar o álbum recém-lançado Year Zero, Reznor deu uma entrevista ao jornal Herald Sun e disse, entre outras coisas agradáveis, que as gravadoras são compostas por bandidos. Para ele, a situação atual é muito estranha: "Ser contratado de uma gravadora hoje em dia é esquisito, porque há muito ressentimento contra a indústria fonográfica e é difícil se posicionar frente aos fãs sem parecer um idiota ganancioso. Mas ao mesmo tempo, quando o seu disco é lançado, é frustrante saber quem realmente o comprou. Se fosse há dez anos, eu pensaria "Hm, as pessoas não gostaram". Eu poderia tentar achar culpados, mas o culpado seria eu mesmo. Mas este álbum, eu sei que as pessoas têm e sei que ele está no iPod de todo mundo, mas a situação chegou num ponto que as pessoas não compram porque é mais fácil roubar".
Em seguida, Reznor admite que também faz suas piratarias, mas confessa que é difícil não ficar puto quando você está no papel do músico, que será beneficiado com as vendas. De qualquer forma, ele ainda defende os fãs e julga as gravadoras as vilãs da história: "É difícil não se ressentir quando você é o cara produzindo a música, mas por outro lado, você tem as gravadoras que estão fazendo de tudo pra deixar todo mundo irritado e roubar as pessoas".
Quando questionado o que pretende fazer a partir de agora, Reznor contou que ainda deve um álbum para a gravadora, mas que nunca mais enfrentará situação parecida com a que está vivenciando: "Se eu pudesse fazer o que quero agora, lançaria o próximo álbum e você poderia baixá-lo direto do meu site. Se quisesse, iria ao show e compraria uma camiseta. Eu também criaria uma embalagem bacana, caso você quisesse ter algo palpável, físico. E sairia no mesmo dia em que foi finalizado no estúdio, não essa palhaçada de 'vamos esperar três meses para lançá-lo'".
Reznor também bateu na gravadora quando falou sobre a campanha viral que precedeu o lançamento de Year Zero, baseada em um ARG (alternate reality game) ambientado em um mundo apocalíptico - uma espécie de jogo cheio de mistérios desenvolvido para promover o álbum, que mobilizou os fãs da banda.
Ele deixou claro que a gravadora ficou fora do projeto, porque tinha certeza que a empresa tentaria associar a campanha a algum provedor de celular, ou qualquer outra coisa do tipo, em uma tentativa de lucrar com a idéia: "Eu não me oponho à idéia de não perder rios de dinheiro, mas apenas se fizer sentido. Não quero sabotar minha própria carreira, mas qualidade e integridade são importantes. Tentar tirar vantagem de qualquer coisa desesperadamente apenas para vender um produto é nocivo".
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