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Novidades Musicais

Lily Allen, Animal Collective, Franz Ferdinand, Prodigy

Luciana Maria Sanches
20 de Abril de 2009

Lily Allen

Lily Allen

It's Not Me, It's You

EMI

Ótimo
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Merriweather Post Pavilion

Merriweather Post Pavilion

Animal Collective

Importado

Excelente
Tonight: Franz Ferdinand

Tonight: Franz Ferdinand

Franz Ferdinand

Sony BMG

Bom
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Invaders Must Die

Invaders Must Die

Prodigy

RN-14

Bom
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Lily Allen - It's not Me, It's You 

Como toda garota de 23 anos, Lily Allen está lidando com extremos. É madura, muito por conta da vida que teve - a cantora estudou em uma dezena de escolas e é filha de nomes importantes do show biz britânico - mas não o suficiente para evitar a atração pelos holofotes; não vê mais tanto sentido nas drogas, mas detesta gente careta; fala de amor, mas mantém um revanchismo adolescente; arrisca na política, mas não se aprofunda. Em suma, uma garota normal. Como artista, uma cantora diferente.

Lily Allen sabe falar de sexo sem querer parecer sexy, tem sacadas extremamente espertas, expõe os próprios sentimentos o tempo todo e conserva um olhar irônico a respeito dos outros e, mais importante, de si mesma. Apesar de brincar de gato e rato com a imprensa frequentemente, o que poderia ser visto apenas como jogada de marketing, Allen merece o destaque que conquistou - pelo simples fato de ter talento de verdade.

Para gravar o segundo álbum, a cantora optou pelo produtor Greg Kurstin, que, se não tem a mesma pegada de Mark Ronson (responsável pelo hit instantâneo "Smile", de Alright, Still, primeiro disco da britânica), respeita o modo Lily Allen de fazer as coisas. It´s Not Me, It´s You é um álbum cheio de altos e baixos, nas letras, às vezes confessionais ("22"), às vezes irônicas ("Fuck You") e às vezes sugerindo apenas um "tô nem aí" ("The Fear"), e na sonoridade, melancólica ("I Could Say"), com toques de eletrônico e electro ("Everyone´s at It", "Back to the Start") e embalada por uma afinada Lily Allen, que, se não faz grandes proezas com a voz, mantém uma delicadeza gostosa de ouvir.

O não se levar tão sério, musical e pessoalmente, a sincera rebeldia e a declarada inteligência de Lily Allen, fato raro nas colegas de profissão, fazem de It´s Not Me, It´s You um verdadeiro alívio. É bom saber que uma cantora ainda jovem acredita ter - e tem - algo importante a mostrar.

Animal Collective - Merriweather Post Pavilion

Um refresco para os ouvidos. Assim pode ser definido o novo álbum do Animal Collective, liderado por Avey Tare (David Porter) e Panda Bear (Noah Lennox).

Há tempos a banda prova que adicionar um pouquinho de criatividade e psicodelia ao folk é uma experiência não só muito bem-vinda, como rejuvenescedora do estilo - e depois de ouvi-los, quase essencial.

Em Merriweather Post Pavilion, verdadeira salada musical - no bom sentido - é mais fácil apontar elementos ausentes, tamanha gama de sonoridades que pontuam o álbum. Vai desde a melodia mais simples de "Also Frightened", passando pela quase barulheira do industrial na animadíssima "Summertime Clothes", até o surpreendente crescendo a la Stone Roses da faixa de abertura, "In the Flowers".

Quer virtuosismo? Tente "Daily Routine". Experimentações oníricas? "Bluish", e aqui e ali, em praticamente todas as faixas do trabalho. Merriweather Post Pavilion é uma sequência de rupturas e reestruturações sonoras difícil de classificar. Uma loucura organizada, em um invólucro de lirismo e vocais deliciosos.

Um Flaming Lips mais audível, uma Björk menos esquizofrênica. Com este álbum, o Animal Collective mostra, principalmente, que a música continua viva. E eles estão, definitivamente, entre os melhores portadores da boa notícia.

Franz Ferdinand - Tonight: Franz Ferdinand

Fato: o Franz Ferdinand está mais dançante em Tonight: Franz Ferdinand. Não que os escoceses não tenham avisado. Assim que foi divulgado o nome do álbum, a banda explicou que a ideia por trás do título era remeter aos néons de inferninhos e casas noturnas, onde a regra máxima é dançar.

Se a nova direção se mostra equivocada? De maneira alguma. Alex Kapranos, o vocalista do grupo, traduz o espírito do Franz atual: uma banda à vontade, despretensiosa, preocupada apenas em entreter. Objetivo alcançado especialmente nas pegajosas "Turn It On", "No You Girls", "Can´t Stop Feeling" (ótima!) e "Live Alone", que tem como base uma linha de baixo que lembra as maravilhas feitas por Jah Wobble no P.I.L. Aliás, pós-punk e new wave, gêneros que propõem justamente a mescla que o Franz Ferdinand está produzindo, são referências imediatas quando se ouve o álbum.

Se bater muita saudade de distorção, as recomendadas são "Twilight Omens", "Send Him Away", "What She Came For" e "Ulysses", ainda que esta use e abuse de lalalás quase desconcertantes. "Lucid Dreams" e seus quase oito minutos e a psicodelia deslocada de "Dream Again" acabam não se encaixando muito bem no todo, mas não comprometem o resultado.

Para uma banda de rock nascida pós-boom eletrônico e com apenas dois álbuns na bagagem, o Franz Ferdinand está se saindo muito bem, equilibrando doses dos dois principais universos, dançante e rock ´n´ roll.

Prodigy - Invaders Must Die

Se The Fat of the Land, de 1997, foi o álbum que tornou o Prodigy conhecido em todo o mundo e rendeu ao grupo convites para colaborações com gente como David Bowie, U2 e Madonna - todos recusados - Music for the Jilted Generation, o predecessor, foi o responsável pela banda se tornar bem-conceituada junto à crítica e aos adoradores de malabarismos eletrônicos, sendo indicado ao respeitado Mercury Prize de 1995 e faturando um disco de ouro na semana de lançamento. E é justamente isso o que os britânicos parecem almejar novamente com Invaders Must Die: respeito. Especialmente depois de gravar Always Outnumbered, Never Outgunned, trabalho recheado de participações especiais (Liam Gallagher, do Oasis, Juliette Lewis e Kool Keith, do Ultramagnetic MC´s) com resultado apenas mediano.

O mago da produção Liam Howlett, alma do Prodigy, está de volta à liderança ferrenha do grupo, e lança mão, mais uma vez, de sua habilidade ímpar de criar faixas dançantes e aceleradas, influência principalmente de acid house, assim como as antigonas "Break & Enter" e "Speedway", de Music for the Jilted Generation. Fato é que, ao optar por este caminho, Howlett deixou de lado elementos imprescindíveis para um álbum mais equilibrado e até mesmo mais agradável de ouvir. Fazem falta uma pitada de black music, como na clássica "Out of Space", do primeiro álbum do Prodigy, Experience, que traz um sample de reggae do Max Romeo & The Upsetters; e um descanso aos ouvidos, como "Poison", de Music for the Jilted Generation, pesada, mas com uma cadência mais ritmada. Para se ter uma ideia, "Run for the Wolves" lembra Al Jourgensen, o ogro do industrial, e seu Ministry. E o que dizer sobre a ausência total de criatividade em "Colours", cópia não assumida de si mesmos na faixa "Memphis Bells", de Always Outnumbered?

De todas as formas, "Thunder", "Omen" e esta novamente em versão reprise relembram os áureos tempos do Prodigy de Music for the Jilted Generation e valem a conferida. A que fecha o álbum, "Stand Up", dá um sossego que, mesmo tardio, ainda é bem-vindo.

O mais curioso é pensar que o próprio Howlett, no laboratório de inspirações The Dirtchamber Sessions Vol. 1, de 1999, costura muito melhor o Prodigy "antigo" e o "novo", ou pré e pós The Fat of the Land. Resta saber se era isso o que ele queria ou se está definitivamente em busca de um novo abraço da crítica.


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