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O show do Stratovarius em Belo Horizonte

O show do Stratovarius em Belo Horizonte

Rodrigo Monteiro
05 de Setembro de 2005

Depois de viver um tremendo inferno astral em 2004, o Stratovarius se levantou, sacudiu a poeira e retomou os trabalhos lançando no mercado um álbum auto-intitulado, que marca uma nova fase na banda. Depois de abusar ao máximo de orquestrações nos álbuns Elements I e II, o grupo voltou a fazer um heavy metal mais básico, e mais próximo daquele que fizera no começo de sua carreira.

Foi assim que, com ânimo renovado e um novo baixista, a banda finlandesa desembarcou no Brasil para sua terceira passagem por terras tupiniquins. A vinda ao Brasil teria dupla função: a divulgação de Stratovarius e a gravação de um DVD ao vivo, o primeiro de sua carreira, o que aconteceu no show do dia 27, em São Paulo. Depois de passar por Curitiba, Porto Alegre e a capital paulista, a banda desembarcou em Belo Horizonte para sua segunda passagem pela cidade. A primeira aconteceu durante a divulgação do álbum Infinity, em 2001.

O show tinha tudo para dar errado. Afinal, o público headbanger de Belo Horizonte não está acostumado a shows desse porte em uma plena terça-feira comum. Somando isso ao fato do horário (20h) não ser muito propício e estarmos no fim do mês, o que significa menos dinheiro nos bolsos de todo mundo, teríamos aí a receita para um desastre. Teríamos, se o público de mineiro não fizesse a sua parte e enchesse bastante o Chevrolet Hall, local da apresentação. A casa não estava lotada, mas cheia o suficiente para justificar a escolha do local.

Pontualmente às 20h o sistema de som do Chevrolet Hall começa a longa introdução, que na verdade se trata do hino da França, o que não faz muito sentido, já que o Stratovarius é da Finlândia... De qualquer forma, após a "Marseillaise", com o palco ainda às escuras, o tecladista Jens Johansson entra com os primeiros toques de "Maniac dance", faixa de abertura de seu mais recente álbum. Um a um, os demais membros da banda sobem ao palco: o guitarrista Timo Tolkki, o baterista Jörg Michael, o novo baixista Lauri Porra e o vocalista Timo Kotipelto.

Nas quase duas horas seguintes, o Stratovarius provaria que os problemas ocorridos no ano passado afetaram muito pouco, senão quase nada, o desempenho da banda. Apesar de ser a turnê de divulgação de um novo trabalho, essa também é uma espécie de volta para o grupo, depois da sua quase dissolução em 2004. Por conta disso, optaram por um setlist bastante diversificado, abrangendo a maior parte dos álbuns de sua longeva carreira e, conseqüentemente, boa parte de seus maiores sucessos. Apesar de me causar estranheza o fato dos discos Elements I e II terem sido deixados completamente de fora, músicas como "Kiss of Judas", "Destiny", "Hunting high and low" e a clássica "Black Diamond" foram executadas com maestria.

Em uma recente entrevista, o baterista Jörg Michael disse que essa turnê seria uma prova de fogo para o grupo, já que não sabiam como o público reagiria à mudança de postura da banda em cima do palco, com músicas mais energéticas e um tanto quanto menos elaboradas. Depois dessa passagem pelo Brasil, ele pode ter certeza de que o Stratovarius continua não só vivo, como chutando bundas com força. Seus quase vinte anos de estrada contam muito quando se diz respeito a apresentações ao vivo. Até mesmo o baixista Lauri Porra, que recebeu com muito bom humor as brincadeiras inevitáveis relativas a seu sobrenome, tem bastante experiência, já que, antes de entrar para o Stratovarius, fizera parte do Sinergy e tocara na banda solo de Kotipelto. (E aqui um parêntese: o Sinergy, banda paralela do líder do Children Of Bodom, Alex Laiho, parece estar se especializando em exportar baixistas para outros grupos. Além de Porra, que migrou para o Stratovarius, foi de lá que saiu também o atual baixista e vocalista do Nightwish, Marco Hietala). Porra, inclusive deu um show à parte executando um solo de baixo no qual mostrou toda sua velocidade e técnica, provando ter sido a melhor escolha para substituir Jari Kainulainen.

Os outros membros da banda também não ficaram atrás. Kotipelto é da mesma escola dos grandes vocalistas de metal, tais quais Bruce Dickinson (Iron Maiden) e Hansi Kürsch (Blind Guardian). Não só possui uma técnica invejável, como interage bastante com o publico e tira dele o máximo que pode. Tolkki é um guitarrista muito acima da média e mostrou que seus problemas recentes - que incluíram uma estadia em um hospital psiquiátrico - não afetaram em nada sua competência com as seis cordas. Johansson, além de um excelente tecladista, foi o responsável por alguns dos momentos mais legais do show, com suas caretas e bom humor. Michael, por sua vez, dispensa comentários. Preciso, o baterista mostra porque é considerado um dos melhores do mundo em seu instrumento. Como ele consegue fazer tantos malabarismos com as baquetas sem perder o compasso é algo que eu gostaria realmente de descobrir.

No frigir dos ovos, o que eu considerava que tinha tudo para dar errado acabou dando mais do que certo. Tudo, obviamente, graças à competência do Stratovarius, que provou, mais uma vez, o porquê de ser tão idolatrada pelos admiradores de heavy metal ao redor do mundo. E ao público de Belo Horizonte, que apesar dos pesares, compareceu em bom número ao show.


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