É sempre chato quando uma banda teima em crescer forçosamente, buscando a tal "maturidade". Mas no caso do Placebo, isso só ajuda a reforçar sua imagem de banda ideal. Sem exageros: já nas primeiras porradas de bumbo em "Infra-red" (do último álbum, Meds, lançado em 2006), abrindo o show, deu para perceber que é merecido o seu posto de "grupo da vida" de toda uma geração que preenchia o lugar.
O que aconteceu é que, ao vivo, os ingleses deixaram para lá as alegorias glam e pisaram forte nas competências roqueiras que exibiam desde o primeiro disco, há 11 anos. Não é qualquer banda que consegue colocar três guitarras no palco e se fazer levar a sério.
Ponto para eles!
E Molko - mesmo sem a persona andrógina que arrebanhou uma legião de rapazes (e algumas meninas) durante a década passada - é um showman dos mais espertos, daqueles que carregam a platéia sem apelar para coreografias, apesar de suas composições lamuriosas.
Mais um ponto!
Meds deu base à primeira parte da noite, com suas faixas aditivadas pela postura rocker atual da banda. Mas, apesar da empolgação do público durante as primeiras músicas (com as boas "Space monkeys" e "Because I want you"), o show só esquentou mesmo a partir do meio, com a sucessão de hits, de "Every you every me" e "Without you I'm nothing" a "Bitter end".
O bis não demorou muito para acontecer, emendando "Running up that hill" (cover do clásssico de Kate Bush), "Taste in men" e "Twenty years". E na lata, assim como começou acabou. Sem enrolação, sem ser afetado, como um bom show de rock tem que acontecer. Assim, dá até para perdoar o delineador todo borrado.
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