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Poison on the Rocks

Toca Raul. NOT!!

Luciana Toffolo
15 de Setembro de 2009

poison

Uma pessoa que gosta de ler e escrever, já cursou uns aninhos de fefeleche - pra quem não conhece, a FFLCH, ou mais precisamente, sinônimo de reduto de bicho-grilo - é vegetariana, tem cabelo comprido e cacheado, escreve uma coluna questionando os rumos do mundo e da humanidade e se veste com as mesmas roupas há uns 15 anos não pode ser outra coisa que não hippie-ecochata-abraça-árvore, certo? ERRADO.

Você, leitor da Poison, que me acompanha há tanto tempo, acredita que eu me encaixo nesse estereótipo? Pois eu vou lhe dizer uma coisa. Uma não, várias. A primeira: quer me ver com vontade de ficar deitada em posição fetal por tempo indeterminado e/ou querendo esgoelar a primeira criatura que me apareça nas vistas? Convide-me para um sarau. Outro evento que me cause o mesmo impacto? Uma rodinha na praia com um otário no meio tocando violão e posando de Renato Russo. Só a morte pode ser pior. Uma imagem vale mais que mil palavras? Mostre-me uma foto de Devendra Banhart e você consegue uma colunista muito, mas muito nervosa. Gilberto Gil falando? Por favor, ligue a britadeira.

E aí, você está lá, bela e formosa no vagão de metrô, e aparece no monitor de propaganda: "Casa das Rosas convida para sarau". NOT. Para numa banca de jornal e se depara com Raul Seixas estampando a capa de uma das maiores (no mau sentido, você passa o mês todo lendo só ela) revistas jovens do país, e lembra de um amigo da cozinha omelética - não vou dizer quem - que sabiamente atestou: "A melhor coisa que o Raul Seixas fez em vida foi morrer". Toca Raul? NOT. Ou você está no cantinho acolhedor do seu computador e um e-mail adentra a caixa postal convidando para o "Hippie Fest", que vai rolar no Embu das Artes. NOT. O.k., o último foi gozação de amiga, mas me ajudou a pensar nesta coluna... Porque, afinal, se eu sou tudo aquilo ali do primeiro parágrafo e ainda gosto de Creedence Clearwater Revival e Dark Side of the Moon, não seria natural que eu gostasse da *inserir palavrão à escolha* do 14 Bis (a quem interessar possa, eles fecham o "Hippie Fest")? Seria, se fôssemos estereótipos. Mas não, pelo amor de Deus. Por mais ridículo que possa parecer, eu pretendo me transformar numa velhinha que ainda vai gostar de Ramones, Nine Inch Nails e barulheiras afins. Mesmo que entre Karen O. e Marisa Monte, eu me pareça fisicamente mais com a segunda. E se você vir uma pessoa que de muderna (SIC) não tem nada curtindo horrores um show do Daft Punk, não tire barato: pode ser eu.

O que não quer dizer que eu não goste de uma Orquestra Imperial, por exemplo. Mas que quer dizer, sim, que estereótipo não tá com nada. E, numa associação livre, me faz refletir sobre os chavões, que, se você parar pra pensar, ajudam a criar estereótipos, uma vez que propagam expressões que ficam intimamente ligadas a certos assuntos ou pessoas.

Nosso digníssimo Érico Borgo levantou a bola, chutou e fez gol via Twitter declarando: "Frases que odeio: `somos um coletivo´. Não me venha encher o saco. Isso é coisa de Star Trek, da Bíblia ou da URSS". Eu não poderia ter dito melhor. E acaba que quando você lê "um coletivo formado por ex-integrantes do X, Y, Z", logo pensa "lá vem mais um bando de músicos desempregados querendo se relançar à custa de seus feitos passados". Quando muito. Porque não poucas vezes não passam de um bando de semianônimos tentando juntar sua semifama para chegar a algum lugar. Outro exemplo? Resenha de show que traz a expressão "levou a plateia ao delírio". Um dos significados de delírio extraído do Houaiss: "Problema mental orgânico reversível, cujos sintomas são: decréscimo da vigilância, desorientação espaciotemporal, confusão, ilusão, interpretação delirante da realidade, alucinações visuais, auditivas, táteis, etc". Em outras palavras: desconfie. Apesar de o contexto dizer que foi um delírio do bão, o show pode ter sido exatamente o contrário: tão ruim que a pessoa perdeu a noção da realidade.

Mas um dos meus preferidos continua sendo um que se refere à cantora Pitty. Alguém sabe me dizer se pararam de chamá-la - TODA SANTA VEZ QUE HÁ UMA MATÉRIA SOBRE ELA - de "a roqueira baiana"? Porque vou te contar, não é só o sonzinho meia-boca que a Pitty faz que me enerva, mas sim esse rabicho infeliz que ela, provavelmente sem querer, traz junto. Pena, virou estereótipo. E pra se livrar disso? Se souber como, e-mail me.

DOSE EXTRA!

Atendendo a pedidos, aqui está a Dose Extra de Veneno, espaço reservado aos internautas do (o), que enviam missivas nem sempre educadas à colunista. Por que será, hein? ;-P

Sobre #Fora Sarney - coluna de 13/07/09
Por Douglas Novaes

Olá Luciana.

Acabei de ler sua coluna Poison do dia 13 de julho de 2009.

Foi a primeira vez e, ao contrário de muitas "primeiras coisas", adorei! Principalmente a parte sobre a reação (que de nova não tem nada) dos "heróis" artistas, como diria um Bial da vida.

Adorei mesmo ;)

Parabéns, e a partir de agora vou tentar acompanhar (no Omelete, se tiver outro lugar, avise-me).

beijosss
Douglas

Resposta

Opa, que bom que você gostou, Douglas. Fico feliz que seja a primeira de várias (espero).
Não escrevo em nenhum outro lugar, só no (o) mesmo.

Beij(o) e volte sempre!
Lu

*-*-*-*-*

Sobre "E se..." - coluna de 19/05/09
Por Maycon Batestin

É a primeira vez que leio sua coluna Poison on the Rocks, perdoa-me, então, essa falta de informação.

Concordo com suas reflexões sobre a sociedade e o planeta. Já dizia Douglas Adams que a milhas de um sol, havia um planeta verde-azulado que tinha o seguinte problema: todos eram infelizes. Inventaram um papel verde que circulava de mão a mão, mas mesmo assim, não ficaram felizes. Aquele que descobriu a resposta que mudaria o mundo, morreu com o planeta. O fato é que ser humano é do jeito que é, faz o que costuma fazer, porque é isso que é um ser humano. Não é uma raça perfeita. Não é destinada a ser grandiosa. Ela é falha e isso que nos torna humanos. Mas ninguém que ser assim, queremos completar aquilo que nos falta. Porque nessa vida, tudo é uma tremenda falta.

Parabéns, vou ler mais, prometo. Enquanto isso, se não for pedir muito, leia meus contos também, deve ter uma coisa boa lá! rs

Maycon Batestin - http://recantodasletras.uol.com.br/autores/zen

Resposta

Está perdoado. Mas que isso não se repita! :-P

Pois é. Posso ter dado a falsa impressão de sonhar com um ser humano perfeito, mas não é exatamente isso... penso somente que já era pra termos evoluído ao ponto de não cometer mais tamanhas barbaridades. Erros, errinhos, pequenas explosões nervosas, egos inflados, tudo bem. Desrespeitar, matar, maltratar bicho, criança, mulher, o diferente, já era pra ser algo ultrapassado. Na verdade, o ponto de partida deveria ser: se eu, você, lutadores, seres humanos comuns, não f* com a vida de ninguém, por que para alguns é necessário tal atitude? Se todos somos iguais, por que alguns apelam para a diferença para justificar seus atos?

Mas concordo contigo sem tirar nem pôr: somos extremamente carentes e estamos o tempo todo preencher lacunas diversas.

Vou ler seus contos em breve. Já tá nos favoritos.

Beij(o),
Luciana

*-*-*-*-*

Sobre Twitter - coluna de 17/03/09
Por Christiano Mello

Primeira vez que leio a coluna e primeira vez que lhe escrevo.

Em uma palavra: obrigado!!!

Em mais algumas... Para mim, Twitter é aquela coisa: "nunca provei, e não gosto".

Começa assim, você ouve uma, duas vezes da boca de algum "descolado".

Depois, começam a pipocar menções em matérias sobre novas modas (leia-se "cretinices" - adorei isso) da internet

Por fim, você se força a entrar no site para ver "colé".

Não consegui permanecer ali mais de cinco minutos.

E ainda saí dali achando que eu estava ficando ultrapassado, velho, ranzinza, incapaz de compreender os novos modismos (tenho quase 36)

Eis que você surge para aliviar o peso da minha consciência.

NÃO EXISTE NADA DE BOM, INTERESSANTE, LEGAL, WHATEVER, NO TWITTER

Um abraço,
Christiano Mello

Resposta

Oi, Christiano, tudo bom?

Acho que vou te decepcionar... Estou até que ativa ali no Twitter e não tenho achado de todo mau. Acho que é a proximidade com os leitores que tá me fazendo gostar do negócio. Dá uma "esquentada" na relação, sabe?

Claro, tem que saber usar. Postar uma mensagem a cada segundo é meio aprisionante, mas cada um sabe o que faz com o tempo que tem disponível. Eu tô dando boas risadas e aproveitando ideias de leitores. Acho que isso é bacana, né? Até que eles se cansem de mim... rs

Mas entendo totalmente se você não vê a menor graça. Pra mim veio bem a calhar, como colunista. Pessoalmente... tenho dúvidas.

Volta! ;-P

Beij(o),
Lu

*-*-*-*-*

Sobre "E se..." - coluna de 19/05/09
Por Marco Constantino

Se tudo isso que você colocou acontecesse, a vida não seria mais chata? Qual seria a virtude de se vencer no final quando já se conhece o desfecho? Nossa vida é feita de escolhas, nossas escolhas. Eventualmente os palpiteiros irão dizer isso e aquilo, mas quem vai arcar com as decisões no final somos nós. Se eu tivesse escolhido tal caminho em vez daquele outro, estaria aqui agora? Possivelmente não, e a graça de viver está contida neste momento peculiar em que você escolhe este ou aquele caminho. Fiz a escolha errada diversas vezes, entretanto acertei em outras tantas. Fiz de uma paixão um ganha-pão que depois tornou-se uma frustração, e ainda sim nunca deixará de ser uma paixão. Porque tudo poderia ser mais simples e também mais chato. Joseph Campbell em O Poder do Mito dizia que a bem-aventurança é agora, que o momento é este. É isso, somos eternos ingratos sempre querendo mais, eternos insatisfeitos esperando a redenção. Incluo-me nessa categoria, sempre acordo esperando algo mais, em alguns momentos ele vem em outros tantos não. Se tem algo que gosto de fazer é escrever sobre o que há de bom e ruim nessa vida, escrever sobre sentimentos, eles otimizam as palavras - tanto para o bem quanto para o mal. Sinta-se à vontade para escrever o que bem entender, sou seu admirador com "se" ou sem "se". Um beijo!

Marco A Constantino

Resposta

Olá, meu caro.

Eu não acho que a vida seria mais chata, não. A virtude de se vencer no final? Vencer no final! Sem atropelar ninguém. Eu não me importo nem um pouco com a vitória, mas com os meios que as pessoas usam para chegar a ela.

A vida ainda seria cheia de escolhas pra se fazer: pintar ou jogar basquete? Escrever um livro ou criar um filho?

Eu acho que li O Poder do Mito... será? E agora fiquei curiosa com a sua paixão que virou ganha-pão e frustração... O que é? Escrever também?

Beij(o)

*-*-*-*-*

Sobre #Fora Sarney - coluna de 13/07/09
Por João Thiago

Muito curioso, Luciana, em sua última Poison você lamentar o fato de Michael Jackson não estar mais aqui.

Pois um texto anterior seu, o julgava culpado (por crimes dos quais já foi absolvido) e clamava por seu encarceramento.

Não quero julgá-la, longe de mim... Afinal a mudança de opinião das pessoas é fator comum (e necessário), que envolve amadurecimento, experiência e uma série de outras questões.

Mas realmente curioso, pois acredito que o circo ao qual você se referiu - as pessoas o idolatrando depois da morte dele, sendo que tempos antes as mesmas pessoas o execravam - foi feito também por você, minha cara.

Pra ajudar sua memória, o texto é de 2003, e cá está:
http://www.omelete.com.br/musi/100001158.aspx

Resposta

Oi, João. Não vou nem voltar ao texto porque tenho certeza de ter falado do Michael Jackson pessoa pública, não do artista. O artista eu nunca deixei de admirar e o comentário que fiz na última Poison trata justamente do artista, que foi, desde pequeno, maltratado pelo pai, certamente responsável por muitas das encrencas em que Michael Jackson se envolveu durante toda a vida.

E idolatria, antes de a pessoa morrer ou depois, nunca será bem-vinda.

Beij(o)

*-*-*-*-*

Sobre Twitter - coluna de 17/03/09
Por Leo Mendes

Luciana,

Você "só" publica no Omelete? Digo "só" porque pela verborragia deve ser realmente difícil escrever em outros lugares. rs

Gosto do seu texto, também gosto do NIN e também não entendo essa moda das pessoas usarem tudo que se cria (Twitter, Orkut, MySpace, etc etc etc).

Qual será a moda do mês que vem?

As tecnologias deveriam trabalhar para nós e não o contrário. Hoje em dia se não estamos conectados (capturados?) na web parece que não existimos.

Bons tempos em que as pessoas ligavam pra saber como você estava.

E olha que eu gosto de tecnologia, pesquiso isso e vivo disso (designer vive em frente ao computador) mas não dava pra ligar, mesmo que via skype?

bjkas!

Resposta

"Só". A verborragia fica pra mesa de bar. :P

E eu tô lá no tuiti e admito, tô me divertindo um bocado. É bacana estreitar relações com os leitores, sinto falta, sabia? De saber um pouco mais de cada um, do que pensam de coisas banais, de ideias jogadas rapidamente... É interessante. E outra: acho que tudo a gente tem que saber usar, né? É até bom que o Twitter tenha aparecido depois de tantos outros, assim a gente já tá mais calejada, penso eu.

Mas claro, nada substitui um telefonema. Melhor ainda se for um encontro cara a cara.

Beij(o)!
Lu

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