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Esse texto foi escrito em junho de 2003 e, antes que se diga qualquer outra coisa, vale lembrar que nada melhor que o tempo para baixar a poeira e botar as revoluções em perspectiva.
The Bends foi lançado em 1995 e esses oito anos de descanso acabaram derrubando por terra muitos dos conceitos absolutos da época.
Nem o sucessor de Pablo Honey (o disco de estréia), nem a maior revolução da história musical (alguém falou Ok Computer?). The Bends acaba funcionando como um intermediário que transformaria a transição Pablo Honey-Ok Computer em uma suave rampa, ao invés do agudo degrau que poderia parecer.
Pop perfeito com dosagem exata de baladas assobiáveis, guitarras distorcidas e complexidade melódica. Em nenhum outro momento a banda (e em pouquíssimas ocasiões a música como um todo) viria a apresentar tanta perfeição como naquele disco. A exemplo do que os Beatles fizeram com Revolver, o Radiohead já bradava ali aos quatro ventos que não era estanque, que recusava a acomodação.
Como não sorrir à mera menção de uma melodia perfeita como a de "Street Spirit"? Como não grudar na cadeira com os espasmos distorcidos de The Bends?
Da fofura de "[nice dream]" e "Bulletproof" à furia de "Just", não há falhas aparentes no álbum.
Falha é não tê-lo.
18 Ovos.
Incluindo os meus.
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