Depois da islandesa, ficou difícil para um grupo menor como o Hot Chip fazer um espetáculo, no mesmo palco. Menor, mais ou menos: na fila para entrar na Marina da Glória, a quantidade de pessoas que passavam gritando "rótechipe!" era impressionante. E quem quer espetáculo, de qualquer forma? Não o grupo londrino, que está mais preocupado em fazer boa música do que no mis en scène.
Produtores espertos, os ingleses ficaram conhecidos tanto pelos seus hits de pista quanto pelas dezenas de bons remixes espalhados por aí, de Gorillaz a Cansei de Ser Sexy. Mas ao vivo, a banda demora para engrenar - talvez por eles começarem com uma música ainda não lançada, "Shake a fist", talvez pela concentração em repetir ao vivo as várias camadas de sons do estúdio.
A estranheza durou pouco, já que logo vieram com composições conhecidas - "Over and over", o hit sexual da banda, apareceu bem no meio do curto show. "No fit state" e "And I was a boy from school" foram outras do último álbum, The warning. "Ready for the floor", também ainda não lançada, fez parte do show. A impressão que ficou é que, mesmo sendo uma banda pronta para a pista, com seu neo-synth-pop, a batata ali só esquenta mesmo quando entram os instrumentos acústicos - seja os bongôs ou a guitarra - sobre as batidas sintetizadas.
Bem o contrário dos conterrâneos Arctic Monkeys, que entraram no palco logo depois e se garantiram no básico baixo-guitarra-bateria. Blasé e corretinha, a banda não se esforçou muito para conquistar a platéia. E nem precisava, já que estava todo mundo ali de pernas abertas para a macacada.
O público de fãs era heterodoxo: de meninas histéricas a guris que reconheciam "Old yellow bricks" no primeiro acorde do baixo, de senhores de meia idade a pitboys sem camisa. Todos, sem excessão, fazendo coro com o vocalista Alex Turner.
O setlist obedeceu exatamente ao reproduzido pela banda em Buenos Aires, dois dias antes. Começou com "Sandtrap" e emendou com "This house is a circus", "Brianstorm", "Still take you home" e "Dancing shoes", praticamente sem pausas. Daí pra diante, mesclou igual por igual músicas dos dois álbuns, Whatever people say I am, that's what I'm not (2006) e Favourite worst nightmare (2007).
Se o repertório é igual, a banda se mostrou afiada também na execução. Ao vivo, os hits perdem parte do suíngue indie para ganhar peso e velocidade. Assim, músicas do naipe de "Fluorescent adolescent" e "I bet you look good on the dancefloor" ficam ainda melhores.
Com um show tão animado, só faltou mesmo um pouquinho mais de simpatia por parte dos ingleses travadões.
Enqüanto isso, a gata de franjas...
Quem ficou para ver os Arctic Monkeys, perdeu Cat Power. Dizem que a cantora estava empolgada, pra cima, fazendo piadas. Dizem que se auto-apelidou "Tigresssa". Dizem que fez moonwalk. Dizem. O bis, no entanto, foi atestadamente bom.
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