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Tim Festival 2008 - Gogol Bordello: ciganos 2.0

O que vale é a performance e a festa que causa na audiência


Terceiro mundo em chamas: dá pra resumir assim o combo Gogol Bordello, que finalmente se apresentou no Tim Festival - depois de anos sendo quase-confirmado nos bastidores. A banda foi o ponto alto da sexta-feira, batizada de "festa", que trouxe nomes da música eletrônica como Junior Boys e DJ Yoda.

A esbórnia começou com Dean Decon, simpático produtor gordinho de Baltimore. Deacon é do tipo que dispensa o palco e prefere se apresentar no meio do público. A interação, para ele, é 90% do show - tanto que fez miséria com quem estava por lá, conseguiu sobreviver ao som altíssimo e entrou na sua viagem. Ao longo das suas faixas, o músico conclamou a platéia a gritar, armou um concurso de dança e, no final, já tinha feito um imenso corredor de quadrilha de festa junina na tenda do festival.

Mas, em termos de performance, o Gogol Bordello goleou Deacon - e com louvor de causa.

Liderada pelo ucraniano bigodudo Eugene Hütz, a banda é uma seleção de músicos da periferia mundial: russos, etíopes, equatorianos, israelenses... Todos tão pirados quanto o vocalista, um Borat mais sacana do que bobo, que é figurinha fácil em filmes independentes e foi alçado ao posto de "performer do ano" pela Madonna.

A música do Gogol é uma releitura de sons folclóricos, com pés nos ciganos e nas canções típicas e animadas do leste europeu. Lembra a brasileira Karnak e os shows da No Smoking Orchestra, banda do cineasta sérvio Emir Kusturica. Difícil é imaginar a platéia que se reunia ali, louca pelos gritos de Hütz, no show de uma dessas bandas.

O mérito maior dos Bordello é esse: mostrar que há vida (e boa música) para além da ponte Londres-Nova York. Daí se pode perdoar que o gipsy punk da banda seja meio pastichento, cheio de clichês ou até meio cansativo. O que vale é a performance e a festa que causa na audiência.

Super taranta! e Gypsy Punks: Underdog World Strike, os dois últimos discos da banda, formaram o setlist do show, com clássicos da banda - como "Ultimate", que abriu, "60 revolutions" e "Think locally, fuck globally".

Hütz não é o único astro do palco, dividindo o brilho com o insano violinista Sergey Ryabtsev e com suas duas dançarinas, que também fazem as vezes de backing vocals e apareceram usando uniformes do clube Santos adornados com patches anti-nazistas.

É difícil resumir o que se passa no palco do Gogol. Quando um ucraniano, que formou sua banda em Nova York, sobe num palco em São Paulo e cita "Morena tropicana", hit de Alceu Valença, antes da sua "Start wearing purple"... é confusão de dar nó. Mas é certo que a vida seria melhor se houvesse mais shows assim. 

Leia mais sobre o Tim Festival 2008


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