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Sete Dias com Marilyn | Crítica

Michelle Williams brilha ao mostrar charme e inseguranças da deusa hollywoodiana

Marcelo Forlani
27 de Abril de 2012

Sete Dias com Marilyn

Sete Dias com Marilyn

My Week with Marilyn
EUA, Reino Unido , 2011 - 99 min.
Drama

Direção:
Simon Curtis

Roteiro:
Adrian Hodges, Colin Clark

Elenco:
Michelle Williams, Eddie Reymayne, Julia Ormond, Kenneth Branagh, Pipp Torrens, Emma Watson, Geraldine Somerville, Michael Kitchen, Miranda Riason, Karl Moffatt, Simon Russell Beale, Toby Jones, Robert Portal, Philip Jackson, Jim Carter

Bom
Sete dias com Marilyn
Sete dias com Marilyn
Sete dias com Marilyn

Em uma das sequências de Sete Dias com Marilyn (My Week with Marilyn, 2011), Michelle Williams aparece andando pelo castelo de Windsor, na Inglaterra. No fim de sua visita ao local, ela e seu acompanhante, Colin (Eddie Redmayne), são recebidos com aplausos pelos funcionários do local. Ao perceber a comoção, ela se vira para ele e pergunta: "Devo ser ela?", para logo em seguida começar a fazer poses, dar tchauzinhos e jogar beijos. A cena é apenas um dos inúmeros exemplos que mostram bem a separação que Norma Jean fazia de sua personagem mais famosa: Marilyn Monroe.

A protagonista que vemos no filme é tão linda e sensual, quanto insegura e volátil. E todas essas sensações, mesmo as que se referem aos atributos físicos de Marilyn só conseguem ser sentidos porque Michelle Willams está perfeita como a curvilínea atriz, que aos 30 anos estava no ápice de sua carreira e foi convidada para ir a Londres estrelar um filme dirigido e coprotagonizado com Sir Laurence Olivier (Kenneth Branagh), tão apaixonado por ela quanto qualquer outro homem que viveu nos anos 1950, para o desespero de sua esposa, Vivien Leigh (Julia Ormond).

Esta tensão sexual causada por onde a loira californiana passava é outro ponto bastante destacado no longa. Apesar de chegar à Inglaterra ao lado de seu terceiro marido, o escritor Arthur Miller (Dougray Scott), ela seduz com extrema facilidade os homens ao seu redor. Seu sócio na Marilyn Monroe Productions, Milton Greene (Dominic Cooper), já havia passado por isso e saído com o coração despedaçado, cenário do qual ele tenta afastar o jovem Colin. Sem sucesso. Mesmo apaixonado pela jovem Lucy (Emma Watson), que trabalhava no figurino do estúdio Pinewood, Colin acaba se deixando enfeitiçar pelo enigma que era aquela mulher.

O diretor Simon Curtis e o roteirista Adrian Hodges erram ao repetir tão exaustivamente os dilemas internos enfrentados por Marilyn sem se aprofundar de verdade. Eles a mostram inúmeras vezes perdida no set de filmagem com o sistema Stanislavski de atuação - aquele que prega viver o personagem para entender seus sentimentos e assim agir como ele, em vez de apenas "fingir". Os dois não se cansam também de apontar as incontáveis horas que ela deixou seus colegas atores e a equipe técnica esperando "achar a personagem" ou em uma de suas crises de insegurança. Deixam mais do que claro também o problema com as pílulas que - na versão oficial - acabaram vitimando-a em 5 de agosto de 1962.

Mas a repetição que pega mal para os cineastas vira elogio para Michelle Williams, que em todas as cenas consegue mimetizar impecavelmente trejeitos, timbre de voz e poses de Marilyn. Ela consegue passar também o tanto que a atriz sofria com o excesso de atenção, dando a entender que ela sofria com algum distúrbio psiquiátrico como uma síndrome do pânico ou algo do tipo e tinha problemas mal resolvidos com os pais ausentes.

O filme é baseado nos livros The Prince, The Showgirl and Me e My Week with Marilyn, que relatam as memórias de Colin daqueles dias em que participou das filmagens de O Príncipe Encantado (The Prince and the Showgirl, 1957) ao lado da loira. Sete Dias com Marilyn acaba se tornando uma declaração de amor a uma mulher que era perfeita até nas suas imperfeições e continua imaculada em suas mentes mesmo depois de destroçar seus corações. Se já é assim na interpretação, imagine o estrago que a original não fazia.

Voltando ao castelo, em uma outra passagem, Marilyn e Colin passeiam pela biblioteca do local e veem um desenho de Holbein, que chama a atenção da moça pela sua beleza. Ao saber que a obra de arte já tinha 400 anos, ela diz "Espero estar bonita assim quando tiver 400 anos". Ao morrer jovem e ainda sedutora, ela chegará com facilidade aos 4 séculos ainda linda, sensual e enigmática.



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Comentários (20)

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Jorge Luís Jorge Luís (08/08/2012 17:27:42)   76 0
Além de apresentar um fato particularmente interessante – sobretudo para os fãs mais hardcore do universo cinematográfico – da vida de Marilyn Monroe, a produção se beneficia enormemente de uma carismática Michelle Williams, que consegue a proeza de trazer o mito de volta a vida, sem apelar para a caricatura.

Se existe uma falha mais evidente na produção, ela está justamente em algumas cenas que reconstroem o universo da Hollywood clássica beirando a perfeição, e deixando claro, o quanto poderia ter sido ainda mais grandioso, se esse mesmo esmero visual e dramático, se estendesse durante todo o filme.



sem avatar David Duchovny (05/05/2012 17:17:42)   4 0
Sete Dias com Marilyn é um tipo de filme que peca pela sua indecisão e/ou falta de ambição , mesmo tenho um grande material histórico em mãos , Vide o " Método Perigoso" que afligido pelo mesmo dilema, ela nao engrena e ficamos sem saber realmente o que poderia de melhor ser feito

Mas enfim , o que neste "Sete Dias com Marilyn" peca é na sua incapacidade de manter o foco no
objetivo do filme : Contar a historia do jovem e rico Colin Clark , aqui vivido de maneira correta , exalando a inocência da inexperiência da personagem, por Eddie Reymayne , que passe seu setes dias acompanhando a idas e vindas da Srta Monroe .

Se a historia daria uma grande filme , mostrando um Marilyn fora dos holofotes , o diretor Simon Curtis nao consegue dar a firmeza necessária a narrativa, pois a historia em nenhum momento consegue nos passar a ideia principal , que ao meu ver é mostrar que nem tudo eram flores para Marily Monroe ,pincelados aqui com os seu casamento com Arthur Miller , seu problemas com álcool , remédios e sua consequente solidão

Mas não se consegue muito este identificatório , culpa também do pano de fundo do filme atrapalhar mais do que ajudar , que são os bastidores das gravações do filme " O príncipe Encantado", onde a personalidade da atriz é alterada constantemente tentando nos passar a imagem que tudo é questão de imagem ( o que não deixa de ser verdade), principalmente se tratando de um mito como Marilyn Monroe sempre sera .

Enfim chegamos a Michelle Willians que se esforça e mereceu sua indicação ao Oscar ao exalar uma sensualidade e carência com os brilhos dos olhos (ponto para a cena do lago também), mas que , nao por culpa dela, os seu dilema e sofrimentos de sempre ter aos olhos do mundo ser a estrela , atrapalham sua vida pessoal , não nos convencem , pois aparentam artificias e jamais somos apresentados a verdadeira Marilyn . A própria Michelle por nao ter uma grande semelhança com Marilyn sofre uma boa maquiagem e adaptação corporal(aplausos para as cenas em que ela dança) , repetindo os trejeitos da Marilyn ate que convincentemente .

De resto o filme peca , falta um pouco de coerência como o fato da aparição publica da atriz sempre causar histeria coletiva e no final do filme isso nao acontece somente para engrandecer a cena de despedida.Ou a Emma Watson que merecia um melhor desenvolvimento ... etc




sem avatar Fernanda (27/04/2012 23:59:38)   2 2
A pergunta que não quer calar é: Alguém sabe do que se trata realmente o filme?? Porque me parece que a pessoa que escreveu isso não se deu ao trabalho de pesquisar e muito menos ver de onde surgiu a ideia do filme... Bom como vc mesmo disse, é uma adaptação de dois livros do ponto de vista do Colin, que contou sua história como a viveu e não como as pessoas gostariam de ler. Marilyn foi retratada como era e não acho que os diretores pecaram por mostrar a verdade, pecariam se tivessem feito uma farsa. Sim ela tem direito de querer ser linda com 400 anos, eu tbm adoraria! Não tinha como aprofundar nas questões psicológicas ou até mesmo questões do passado, já que o filme retrata 7 dias com Marilyn e não a vida de Marilyn. O filme é um recorte bem específico de um período de sua vida para quem quer ver uma história mais completa tem que procurar o Blonde feito pela HBO estrelado pela Poppy Montgomery....
E sobre o filme é sensacional como a Michelle Williams conseguiu ser perfeita em sua interpretação...Fez jus a Diva!


sem avatar David Duchovny (05/05/2012 16:47:06)   4 0
Faço a mesma pergunta.

Thayna Thayna (18/03/2013 21:09:31)   10 0
Ótimo comentário! Não me canso de admirar a atuação da Michelle Williams.


 Cristina Cristina (27/04/2012 23:08:51)   559 0
Michelle Williams foi extremamente elogiada por esse filme, fiquei mais interessada ainda, verei com certeza!



Romualdo Romualdo (27/04/2012 17:26:00)   1617 1
Pow.. tava muito querendo ver esse filme, mas queria ver no cinema e achava que já tinha saído de cartaz rs.



sem avatar Santos D. (27/04/2012 16:37:42)   1260 0
Dirigir O Principe Encantado foi uma experiencia amarga para Laurence Olivier.
Ele teve de enfrentar pela primeira vez o desafio de dirigir uma produção hollywoodiana com todas as dificuldades que isso traz para um diretor estreiante em Hollywood como o estrelismo da protagonista do filme.
Não sei se Sete Dias com Marylin retrata essa parte da história mas independente disso pretendo conferir.Michelle Willians é uma excelente atriz.



Raul Raul (27/04/2012 15:27:48)   1069 1
O filme é bom! Vale bastante pela atuação memorável da Michelle Willians;



Caio Caio (27/04/2012 14:44:18)   103 0
Um filme encantador e, neste caso, merecedor dos 3 ovos. A história nunca se aprofunda nos problemas internos de Marilyn, algo que alguns críticos apontaram como sendo o grande problema do filme. Mas a trama é contada através dos olhos de Colin, tudo é rápido demais pra ser explorado pois assim foram seus sete dias com ela: intenso demais num curto período de tempo. É mais um filme sobre a desmistificação de um mito.



Vinícius Vinícius (27/04/2012 11:57:12)   349 1
Po, Forlani, "eStrema facilidade" não dá!



Pedro Pedro (27/04/2012 11:19:26)   67 0
Ainda não assisti, mas assistirei essa semana.
Só pelo fato de ter Michelle Williams já me leva para o cinema e também por ser uma obra sobre Marilyn Monroe, um grande ícone da história do cinema.



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sem avatar Icaro (27/04/2012 10:01:27)   6 3
O filme tem duas "modalidades" bem distintas. Uma, a mais interessante, mostra os bastidores das filmagens. A outra, mais bobinha e derivativa, dedica-se a retratar o namorico entre a Marilyn e o tal Colin Clark, uma espécie de Notting Hill menos adocicado, digamos.

Evidentemente, a parte do namorico ocupa bem mais tempo que a outra. Ruim para o filme.

O retrato que o filme faz de Marilyn é bem interessante. Pena que ela seja a única personagem com alguma tridimensionalidade. O filme encara os personagens de uma maneira bem utilitarista, eles não são personagens propriamente ditos, são mais objetos de cena. Esse aqui serve pra infernizar a vida da Marilyn, esse serve pra bajulá-la, esse serve pra ter um namorico com ela. Laurence Olivier, apesar de bem interpretado, parece um vilão de vaudeville, com bigodinho e tudo. Seu único papel no filme é resmungar. No final ainda rola uma espécie de redenção, mas soa meio artificial.

Enfim, é um filme de altos e baixos, com boas interpretações. Ruim não é.


Filipe Filipe (27/04/2012 14:23:58)   45 0
otima analise meu amigo, o filme no seu começo é mto bom pq mostra uma Marilyn q nao sabe decorar uma frase, na outra metade o filme cai e eu fiquei torcendo pra que acabasse logo... e a Emma watson ta mto linda


sem avatar Pierre (27/04/2012 09:52:06)   4 0
ESTREMA FACILIDADE



Marcello Marcello (27/04/2012 09:36:33)   119 3
Achei o filme simplesmente um espetáculo. Michelle Willians faz com que nós nos apaixonemos por Marilyn, mesmo pra quem só a conhecia por nome, como eu.
Emma Watson também estava impecável, fazendo-me esquecer por um momento que ela será a eterna Hermione! Rsrsrs




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