Oscar 2012
Críticas e comentários pessoais sobre os indicados nas principais categorias e uma opinião geral sobre as categorias técnicas.
Preliminarmente, gostaria de destacar a presença marcante das línguas espanhola e francesa em muitos filmes indicados. Presumo que nunca Hollywood homenageou o dialeto, bem como a cultura francesa como neste ano e nunca, de modo geral, se falou tanto espanhol, não importando o filme sendo de produção americana ou estrangeira, os indicados a melhor animação que o digam. Enfim, seria muito interessante se a Academia de artes valorizasse ou, pelo menos, reconhecesse o trabalho e desempenho dos cineastas brasileiros, indicando mais filmes brasileiros em um futuro não muito distante.
A votação para decidir quem leva o Oscar, já dizia Rubens Ewald Filho, é honesta, mas nem sempre justa. É deveras fato entender que os votantes, de forma geral, elegem os vencedores levando em consideração o seu gosto, não se deixando influenciar por campanhas políticas que nem sempre dão certo, por amizade ou por uma mera questão de influência. Isso resume o fato de tantas injustiças dentro da maior premiação do cinema “mundial”.
MELHOR FILME
O ARTISTA: Realmente o melhor filme do ano. Uma homenagem como esta aos criadores e responsáveis pelo desenvolvimento da transição entre o cinema mudo e o falado imortaliza qualquer realizador, seja diretor, produtor ou ator. “O artista” é merecedor desta honra. Começou com uma bilheteria muito pequena e insignificante, talvez pelo fato de o telespectador não compreender de inicio, a verdadeira mensagem que o filme produz: “Você tem que estar preparado para as mudanças e fazer parte das mudanças!”. Pra que melhor maneira de mostrar esta mensagem senão pela maravilhosa interpretação de Jean Dujardin? Graças ao “artista”, no futuro muitas pessoas irão compreender o sentido do trabalho que desenvolveu a sétima arte de forma a adequá-la à época atual. Acredito que o filme irá vencer também nas categorias de MELHOR ATOR, TRILHA SONORA, FOTOGRAFIA e MONTAGEM.
OS DESCENDETES: Primeiramente, é muito hawaiano pro meu gosto, já que a produção achou por bem fazer um grande merchandising da região em que o filme era rodado. Quando terminei de assistir, para vocês terem uma idéia, é como se eu estivesse escutando alguém dizendo: “Assista ‘os descendentes’ e depois venha passar as férias no Hawaii!”. Fora isso, George Clooney está muito bem, uma das melhores atuações que já vi. O filme foi injustiçado na categoria de melhor atriz coadjuvante, no entanto deve ganhar MELHOR ROTEIRO ADAPTADO, mas não tem força para ganhar melhor filme.
HISTÓRIAS CRUZADAS: É o melhor filme do ano, depois de “O artista”. Se o filme tivesse sido indicado para a categoria técnica de montagem eu diria que o mesmo pudesse ter força e ameaçar vencer por melhor filme, mas apesar do favoritismo para melhor coadjuvante o filme não causou tanto impacto. “Histórias Cruzadas” conta com simplicidade, delicadeza e, diga-se de passagem, até mesmo humor um tema muito sério que é a discriminação racial. Por mais que, vendo o filme, nós, telespectadores, torcemos por uma mudança na própria história, apenas nos contentamos, de forma extraordinária, com o que irá acontecer com os personagens depois do momento clímax do enredo. Com humildes surpresas o filme ensina como vencer o problema em questão batendo de frente com o real ofensor.
MEIA NOITE EM PARIS: Um momento de reflexão. Eu peço permissão aos adoradores de Woody Allen que o seu intelectualismo está se desenvolvendo “além de outras dimensões”. É o que o filme mostra de forma singela e até engraçada o retorno ao passado e o encontro do protagonista com os seus ídolos. Através do enredo podemos analisar o real sentido na vida de um apaixonado pelo trabalho. É o que o filme oferece de melhor. Acredito que MELHOR ROTEIRO ORIGINAL, este ano, é de Woody Allen.
O HOMEM QUE MUDOU O JOGO: O filme se justifica em uma palavra, estratégia. Mesmo pra quem não entende nada de baseball, não se perdendo no decorrer da história é claro, consegue entender a temática do filme, contudo o desenvolvimento é baseado em descrições tão técnicas que tornam o mesmo cansativo. Baseado nisso, não é mistério que a Academia não aprecia produções com essas características. Eu acredito que tal fato foi um dos motivos que fez “A rede social” perder o Oscar de melhor filme.
A INVENÇÃO DE HUGO CABRET: Uma homenagem ao cinema. Embora o filme não seja “a cara” de Martin Scorsese que acostumou os cinéfilos com filmes onde a violência estivesse presente, tenho que admitir, é uma bela homenagem feita aos criadores da sétima arte como os irmãos Lumière e George Meliés. Homenagem esta feita por um amante do cinema, por isso eu acredito que Martin Scorsese mereça o Oscar de MELHOR DIRETOR, levando em consideração a sua paixão. Não ficaria surpreso se a Academia o premiasse com o Oscar de melhor filme, destacando que é uma verdadeira super produção, apesar de eu ter as minhas dúvidas em razão de HUGO ser muito previsível. Pessoalmente, não acho que ele tenha força suficiente para vencer “O artista”. Agora em relação a categorias técnicas, eu acredito que vai estar muito presente, principalmente nas categorias de EFEITOS VISUAIS, DIREÇÃO DE ARTE, MIXAGEM E EDIÇÃO DE SOM.
CAVALO DE GUERRA: Em poucas palavras para descrever esse filme: Fascinante, Emocionante e Sensacional!!! É Spielberg... só isso! Embora o começo deixe um pouco a desejar, vamos percebendo o real resultado daquilo que é feito com esforço e amor. Por razões de campanha e pelo fato do filme tratar de um tema já muito presente nos filmes vencedores do Oscar, acredito que os votantes irão abrir espaço para coisas realmente novas e deixar o “cavalo de guerra” sem o prêmio de melhor filme.
A ARVORE DA VIDA: Surpresa surpreendente! Eu, pessoalmente fico feliz por este filme estar entre os nove indicados ao melhor filme. A maioria das pessoas, infelizmente, não conseguiu compreender o sentido da história. “É cansativo! Parado demais! Dei graças a DEUS quando terminou!” foram algumas das críticas que ouvi pessoalmente dos telespectadores. É uma inovação falar de um assunto familiar, a relação entre pai e filho, ao mesmo tempo em que se analisa a formação do mundo e o surgimento da humanidade, bem como o fim desta. A fotografia é a melhor coisa que há no filme, acredito que SE ganhar alguma coisa, no máximo será MELHOR FOTOGRAFIA.
TÃO FORTE E TÃO PERTO: Sem os surtos de loucura do protagonista que, diga-se de passagem, é muito chato, o filme teria sido bem melhor sem sombra de dúvida. Gosto muito do Stephen Daldry mas acho que ele negligenciou o próprio trabalho ao querer agitar um pouco a história. Se o enredo se desenvolvesse de forma paciente e com um pouco mais de estratégia, acredito que os críticos o tivessem visto com mais otimismo em razão do 11 de setembro. A atuação de Max Von Sydow é excelente, mas o filme deixou a desejar.
MELHOR ATOR
Jean Dujardin é o melhor ator uma vez que este consegue demonstrar uma habilidade para com o personagem de maneira ímpar. Sua atuação lembra um pouco Gene Kelly mas o diferencial de Dujardin está na forma de trabalhar o drama e a melancolia entre os dois pontos do filme, o começo e fim, onde o humor e o carisma prevalecem. Seu único risco é Geroge Clooney por “Os descendentes” que também está maravilhoso.
MELHOR ATRIZ
Preliminarmente, as cinco candidatas estão maravilhosas. Este foi um ano muito bom para as atrizes. Digo sem medo de ser feliz que se houvesse um empate técnico entre as cinco seria muito merecido! Por um lado vemos a favorita Meryl Streep que brilha em “A Dama de Ferro”, por outro temos a extraordinária Viola Davis por “Histórias Cruzadas”, que é a minha aposta. Temos também Glenn Close que merece o Oscar só pelo esforço em levar 15 anos para transformar a peça Albert Nobbs em filme. Rooney Mara mereceria bastante pela ousadia e profissionalismo em desenvolver o seu papel em “Millennium – Os homens que não amavam as mulheres” e por ultimo, mas não menos importante Michelle Williams que, apesar de não ter nada a ver com Marilyn Monroe surpreende com sua atuação em “Sete dias com Marilyn”.
MELHOR ATOR COADJUVANTE
Temos verdadeiras lendas. As fichas apostadas estão para Christopher Plummer por “Toda forma de amar”. Também é minha aposta, mas se Nick Nolte em “Guerreiro” ou Max Von Sydow em “Tão Forte e tão perto” vencessem não seria injusto!
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Octavia Spencer é a favorita em “Histórias Cruzadas”. Na minha humilde opinião, Octavia realmente merece, mas se Janet Mcteer vencesse por “Albert Nobbs” não seria injusto!
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Os Muppets” é um filme muito divertido, ainda mais com a Amy Adams cantando com aquela voz maravilhosa, mas venhamos e convenhamos, a música é muito bobinha! Realmente eu não sei como a Academia enxerga a música da animação “Rio”, mas comparando letra e, de certa forma, animação a musica de “Rio” realmente é a melhor! Será que desta vez podemos dizer que o Oscar “vai para o Brasil”?
MELHOR LONGA DE ANIMAÇÃO
Curiosamente todos indicados pela primeira vez, embora Fernando Trueba em “Chico & Rita” já tenha recebido um Oscar por filme estrangeiro pela produção “Sedução” em 1992. “Rango” é o favorito e também é a minha aposta, apesar de que muitos falam que “O gato de botas” pode surpreender. Honestamente, votando com o coração, entre os cinco, na minha humilde opinião, o melhor é “Chico & Rita”, pois este demonstra, primeiramente, o quanto a Academia está amadurecendo no quesito animação, ou seja, a melhor animação não é necessariamente aquela voltada mais para o público infantil. “Chico & Rita” é uma historia, primeiramente, censurável ao público infantil, ainda assim, é emocionante e maravilhosa! Se existisse justiça este longa seria o vencedor!
MELHOR FIGURINO
Apesar da Academia não apreciar muito o trabalho de Roland Emerich, acredito que “Anônimo” seja o grande vencedor, uma vez que esta categoria privelegia os filmes de época como a era elizabetana. “Jane Eyre” e “O artista” são trabalhos muito bons, mas não tão bons como aquele realizado pela figurinista Lisy Christl em “Anônimo”.
MELHOR MAQUIAGEM
Embora eu ache muito difícil a Academia fazer justiça à série “Harry Potter”, a minha aposta vai para “Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2”, por um ponto muito significante que não é só a caracterização de Ralph Finnes como Lord Voldemort mas o trabalho para a caracterização dos duendes do filme, bem como alguns bruxos como Aberforth Dumbledore interpretado por Ciarán Hinds. Se realmente ocorrer a injustiça para com “Harry Potter” acredito que devam premiar “A Dama de Ferro” que também é um trabalho muito bom.
MELHORES EFEITOS VISUAIS
Todos os trabalhos muito bons, mas há a necessidade de refletir sobre um ponto muito importante, a Academia não é muito fã de filmes sobre máquinas. Se levar em consideração este ponto, “Transformers”, “Gigante de Aço” e, de certa forma “A invenção de Hugo Cabret” podem ser descartados, contudo eu acredito na vitoria deste ultimo, exatamente pela perfeição de detalhes capazes de superar “Planeta dos Macacos” e “Harry Potter”.
MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Quando assisti “A separação” eu indiquei às pessoas que estudam leis. Apesar dos métodos primitivos de perícia criminal, comparados ao modelo brasileiro, a trama consegue prender a nossa atenção sobre como os procedimentos de resolução de um determinado crime e como a religião e o orgulho podem influenciar o trâmite do processo visto no filme. Por esse lado “A separação” é a minha aposta. Quanto aos demais, o polonês “In Darkness” e o canadense “monsieur lazhar” apontam questões interessantes sobre educação e holocausto mas não tem a força necessária para vencerem. Quanto a “Footnote” de Israel e “Bullhead” da Bélgica, honestamente, é vergonhoso ver filmes desse tipo substituindo “Tropa de Elite 2”. Não preciso dizer mais nada!