Fortaleza, CE
DC Comics | Lanterna Verde original é o novo personagem gay da DC Comics
Jonas Trash (02/06/2012 13:43:37)
Não tenho nada contra essa mudança, e acho que no geral não mudara em nada o que o herói representa, ou vai ter pessoas aqui que vão deixar de falar com algum familiar que depois de muito tempo assume ser homossexual.
Mas se alguém pensa dessa forma paciência, deve ser o mesmo tipo de pessoa que disse em 1998 que não escutaria mais os discos do Judas Priest já que neste ano ele assumiu ser homossexual.
DC Comics | Lanterna Verde original é o novo personagem gay da DC Comics
Inácio (03/06/2012 02:25:37)
Terça-feira, 22 de maio de 2012, a DC ComicsTM anunciou que vai “tirar do armário” um de seus personagens icônicos e o mundo dos quadrinhos (fãs, mais do que todos) está às voltas com as discussões que já tomam corpo, sobretudo nos fóruns da rede mundial de computadores. Antagonizando-se sem muita educação, os fãs de cada um dos principais nomes da “moderna mitologia” digladiam-se, ante a perspectiva de “descobrirem” que seus ídolos “não são bem o que eles pensavam”.
Aqui, a primeira questão importante, para mim: só se descobre algo que existe; se a homossexualidade de um personagem não estava lá, desde o seu início, na mente de seu criador, não há, verdadeiramente, homossexualidade a descobrir, mas uma a “inventar”, no caso em comento, uma recém-inventada, recém-criada e – defendo – criada ar revelia da opinião mais importante: a do autor, a do criador do personagem em questão.
Por exemplo: há alguns anos, tentou-se dizer que os personagens Messala (um tribuno romano) e Judá Ben-Hur (um judeu de abastada família de comerciantes) eram homossexuais (ou bissexuais), tinham tido um envolvimento afetivo na sua infância. Ora, quem se deu ao trabalho de assistir às magníficas três horas e tanto da película sabe que não há a menor indicação de homossexualidade no judeu Ben-Hur ou no romano Messala; bem ao contrário. Ben-Hur se apaixona por uma de suas servas e termina por casar-se com ela, mas nem vou tentar argumentar muito, porque não é necessário. O espectador imparcial vê isto, sem esforço. E o vê, porque foi esta a intenção do autor, do criador do filme e dos personagens. Não há, ali, homossexualidade a “descobrir”, ainda que haja a “inventar”, na nossa modernidade.
Outro exemplo: quando li o Drácula de Bram Stocker não me veio nenhuma indicação de homossexualidade, nesse vampiro (posso estar enganado, porque li a obra há mais de vinte anos e não voltei a ela, nunca mais). Mas o filme (aliás, espetacular) de Francis Ford Coppola, em certa passagem, parece insinuar (de forma muito disfarçada) que Vlad Dracul teve certo interesse dúbio (do ponto de vista erógeno) com relação ao personagem Jonathan Harker. Se eu estiver certo, quanto à lembrança da leitura, houve uma desvirtuação da personagem Drácula, em relação aos seus traços fundamentais
Voltando aos quadrinhos.
Não há homossexualidade “a descobrir” em Bruce Wayne, nem em Clark Kent, nem em Oliver Queen (“Arqueiro Verde”), nem em James Logan (Wolverine) etc., ainda que, ao sabor dos interesses comerciais (e as estatísticas mostram que o público homossexual é um dos que mais efetua gastos não essenciais – viagens, leitura, etc. – o que, aliás, é uma das razões comerciais dissimuladas, quando se trata de defender a realização das chamadas “paradas gays”: ou seja, elas trazem turistas/consumidores para as cidades onde são realizadas) se possa criar uma homossexualidade em um ou em vários desses personagens. Mais ainda: uma bissexualidade.
Neste artigo, não faço juízo de moral sobre o homossexualismo; minha ótica, aqui, é a dos direitos de autor. Pense comigo: você leva anos imaginando uma personagem. Você a cria, luta junto às editoras e ao setor comercial para que a sua criação tenha vida. Um dia, bingo: seu personagem é publicado e, com ele, grande parte dos seus valores.
Agora, para sua infelicidade, você morre (como diria William Wallace: “Todo homem morre, mas nem todo homem vive, realmente). Seu personagem cai num limbo de esquecimento editorial. Décadas se passam e alguém com muito pouco respeito por você e por sua obra, mas com muito por dinheiro e balanços comerciais editoriais resolve que seu personagem, aquele mesmo a quem você emprestou alma – aliás, a quem você deu uma alma – precisa de uma repaginada, para ser mais atrativo aos público jovem... Então, ele “descobre” uma “sexualidade nova”, alternativa àquela que você, autor morto, determinou para o seu personagem. É como se, de repente, Legolas fossem homossexual, ou como se Éowyn fosse lésbica. Como você acha que J. R. R. Tolkien se sentiria? E não venha me dizer que os mortos não sentem nada (se você pensa assim – como Epicuro –, leia um pouquinho de Aristóteles e sua Ética a Nicômaco, quando aquele fala dos prejuízos que se podem causar aos mortos, mesmo que estes não os sintam).
É diferente, por exemplo, do caso do Professor Albus Dumbledore, cuja criadora J. K. Rowling declarou em entrevista que sempre o considerou homossexual (“Segundo a "BBC", Rowling contou ao público que enquanto trabalhava no projeto do sexto filme da série, "Harry Potter e o Príncipe Mestiço", viu que o roteiro mencionava o interesse de Dumbledore por uma moça. A escritora decidiu então esclarecer as coisas e informou ao diretor do filme, David Yates, da condição gay do personagem”).
Portanto, sem fazer juízo de valor moral – como declarei, antes – apenas me preocupa essa desvirtuação da criação intelectual, esse desrespeito ao direito que o autor – e somente ele – deveria ter (juridicamente, porque moralmente é inegável que só ele o tem) de estabelecer os aspectos fundamentais de sua obra e, dentro dela, de cada um dos seus personagens.
Essa linha de ponderação que sigo, encontro-a também em “Batman e a Filosofia” , nono capítulo , intitulado “O que Batman faria? Bruce Wayne como modelo moral”:
“(. . .) Mas com Batman e outros personagens fictícios, além de sempre existir a possibilidade de mudança, há várias pessoas definindo o caráter e talvez planejando essa mudança. Afirmamos que os autores podem garantir que Batman sempre permanecerá verdadeiro à sua missão, porém não há nenhuma garantia de que eles farão isso. Quanto mais histórias forem escritas, por mais e mais autores, maiores são as chances de que elas não representarão um personagem consistente, coeso, e muito menos um que sempre manterá os mesmos padrões de excelência moral.
Isso não apenas é potencialmente verdadeiro para histórias futuras, como também representa um problema para as passadas.
. . .
“(. . .) Se existe um modo de retratar Batman corretamente como um personagem, também deve haver maneira de retratá-lo erroneamente como personagem – mas como determinar tal diferença? Pode ser apenas pela maioria dos fãs? Não, porque se ela for baseada na maioria, então pode ser mudada, e estamos procurando por um ‘Batman verdadeiro’, estável. (. . .) E a questão parece se resumir a isso: pode um personagem fictício como Batman ter propriedades essenciais? E se a resposta for afirmativa, como?
. . .
(. . .) Porém, como o Super-Homem e muitos outros heróis de ficção dentro e fora do mundo dos quadrinhos, o conceito de Batman cresceu e amadureceu, tornando-se algo diferente e maior. Esses conceitos novos, maduros, de tais personagens foram transformados em ícones como parte de nossa mitologia moderna. Assim, existe um forte senso no qual essa versão se tornou o verdadeiro Batman. Há um poder psicológico nesse personagem – ou que apela à nossa consciência literária como um arquétipo – e é por isso que ele existe há tanto tempo e continua a inspirar os fãs.
Há espaço, é claro, para um crescimento contínuo à medida que novas histórias de Batman são escritas. Assim como acontece com qualquer personagem estabelecido na literatura, no entanto, podemos ver esse crescimento no contexto de preservar a essência do personagem. (. . .) se as mudanças do personagem forem muito drásticas, não podemos plausivamente continuar a chamá-lo de ‘Batman’. Enquanto existir como um ícone, e não apenas como um personagem, ele possui um status mitológico para nós. Como tal, evolui para algo que podemos com propriedade chamar sua verdadeira persona.”
Sim, um personagem de ficção pote ter características essenciais, mais ainda com respeito a um fator tão predominante na personalidade humana como a sexualidade/orientação sexual. Facilmente verificável e inquestionável a orientação sexual do detetive Sherlock Holmes de Sir Arthur Conan Doyle, do Conan de Robert E. Howard, de James Bond, de Bruce Wayne. E essa e outras características essenciais devem ficar ao abrigo de alterações, por “sub-criadores” (para usar a expressão de J. R. R. Tolkien, criador de “O Senhor dos Anéis”), de modo a não se desvirtuar um personagem.
Vejamos como o tema não é simples...
Outra pergunta: será que não se trata muito mais de interesse comercial do que de genuína defesa da tolerância quanto à sexualidade de cada um? Vejamos Joseph Campbell (“O Poder do Mito”):
“(. . .) o que é penoso, para nós, é que muitas das pessoas incumbidas de escrever as histórias não têm noção da sua responsabilidade. Essas histórias fazem e desfazem vidas. Mas os filmes são produzidos simplesmente para fazer dinheiro. Não se encontra aí aquela espécie de responsabilidade que impregna o sacerdócio, num ritual. Este é um dos nossos problemas, hoje em dia.”
Mais uma questão: e se a inovação supra comentada for bem, comercialmente, irão começar a dar experiências homossexuais aos personagens sabidamente heterossexuais, de modo a gerar mais polêmica e a vender mais revistas?...
E se você acha que toda essa discussão é excessiva ou irreal, dê uma passada nas páginas de Joseph Campbell e seu “O Poder do Mito”.
DC Comics | Lanterna Verde original é o novo personagem gay da DC Comics
Olive (06/06/2012 02:00:57)
Inácio, Holmes e Bruce Wayne são bibas notórias.A mitologia desses personagens carrega essa fama a décadas.Ben-Hur é um filme carregado de erotismo gay.É só prestar atenção.Veja que a vida real tá cheia de gente que não se assume, qual o motivo disso não ser aplicado a personagens de ficção, ainda mais que não faltam bons candidatos ao posto?
DC Comics | Lanterna Verde original é o novo personagem gay da DC Comics
RicardoTR (02/06/2012 14:41:44)
Não sei o porque dessa "raiva", os personagens escolhidos para receberem mudanças não são os mais "populares"... (nem serão do primeiro escalão).
E do jeito que alguns reclamam parece ate que não existe mais nenhum herói hétero.
DC Comics | Lanterna Verde original é o novo personagem gay da DC Comics
Inácio (03/06/2012 02:22:09)
Terça-feira, 22 de maio de 2012, a DC ComicsTM anunciou que vai “tirar do armário” um de seus personagens icônicos e o mundo dos quadrinhos (fãs, mais do que todos) está às voltas com as discussões que já tomam corpo, sobretudo nos fóruns da rede mundial de computadores. Antagonizando-se sem muita educação, os fãs de cada um dos principais nomes da “moderna mitologia” digladiam-se, ante a perspectiva de “descobrirem” que seus ídolos “não são bem o que eles pensavam”.
Aqui, a primeira questão importante, para mim: só se descobre algo que existe; se a homossexualidade de um personagem não estava lá, desde o seu início, na mente de seu criador, não há, verdadeiramente, homossexualidade a descobrir, mas uma a “inventar”, no caso em comento, uma recém-inventada, recém-criada e – defendo – criada ar revelia da opinião mais importante: a do autor, a do criador do personagem em questão.
Por exemplo: há alguns anos, tentou-se dizer que os personagens Messala (um tribuno romano) e Judá Ben-Hur (um judeu de abastada família de comerciantes) eram homossexuais (ou bissexuais), tinham tido um envolvimento afetivo na sua infância. Ora, quem se deu ao trabalho de assistir às magníficas três horas e tanto da película sabe que não há a menor indicação de homossexualidade no judeu Ben-Hur ou no romano Messala; bem ao contrário. Ben-Hur se apaixona por uma de suas servas e termina por casar-se com ela, mas nem vou tentar argumentar muito, porque não é necessário. O espectador imparcial vê isto, sem esforço. E o vê, porque foi esta a intenção do autor, do criador do filme e dos personagens. Não há, ali, homossexualidade a “descobrir”, ainda que haja a “inventar”, na nossa modernidade.
Outro exemplo: quando li o Drácula de Bram Stocker não me veio nenhuma indicação de homossexualidade, nesse vampiro (posso estar enganado, porque li a obra há mais de vinte anos e não voltei a ela, nunca mais). Mas o filme (aliás, espetacular) de Francis Ford Coppola, em certa passagem, parece insinuar (de forma muito disfarçada) que Vlad Dracul teve certo interesse dúbio (do ponto de vista erógeno) com relação ao personagem Jonathan Harker. Se eu estiver certo, quanto à lembrança da leitura, houve uma desvirtuação da personagem Drácula, em relação aos seus traços fundamentais
Voltando aos quadrinhos.
Não há homossexualidade “a descobrir” em Bruce Wayne, nem em Clark Kent, nem em Oliver Queen (“Arqueiro Verde”), nem em James Logan (Wolverine) etc., ainda que, ao sabor dos interesses comerciais (e as estatísticas mostram que o público homossexual é um dos que mais efetua gastos não essenciais – viagens, leitura, etc. – o que, aliás, é uma das razões comerciais dissimuladas, quando se trata de defender a realização das chamadas “paradas gays”: ou seja, elas trazem turistas/consumidores para as cidades onde são realizadas) se possa criar uma homossexualidade em um ou em vários desses personagens. Mais ainda: uma bissexualidade.
Neste artigo, não faço juízo de moral sobre o homossexualismo; minha ótica, aqui, é a dos direitos de autor. Pense comigo: você leva anos imaginando uma personagem. Você a cria, luta junto às editoras e ao setor comercial para que a sua criação tenha vida. Um dia, bingo: seu personagem é publicado e, com ele, grande parte dos seus valores.
Agora, para sua infelicidade, você morre (como diria William Wallace: “Todo homem morre, mas nem todo homem vive, realmente). Seu personagem cai num limbo de esquecimento editorial. Décadas se passam e alguém com muito pouco respeito por você e por sua obra, mas com muito por dinheiro e balanços comerciais editoriais resolve que seu personagem, aquele mesmo a quem você emprestou alma – aliás, a quem você deu uma alma – precisa de uma repaginada, para ser mais atrativo aos público jovem... Então, ele “descobre” uma “sexualidade nova”, alternativa àquela que você, autor morto, determinou para o seu personagem. É como se, de repente, Legolas fossem homossexual, ou como se Éowyn fosse lésbica. Como você acha que J. R. R. Tolkien se sentiria? E não venha me dizer que os mortos não sentem nada (se você pensa assim – como Epicuro –, leia um pouquinho de Aristóteles e sua Ética a Nicômaco, quando aquele fala dos prejuízos que se podem causar aos mortos, mesmo que estes não os sintam).
É diferente, por exemplo, do caso do Professor Albus Dumbledore, cuja criadora J. K. Rowling declarou em entrevista que sempre o considerou homossexual (“Segundo a "BBC", Rowling contou ao público que enquanto trabalhava no projeto do sexto filme da série, "Harry Potter e o Príncipe Mestiço", viu que o roteiro mencionava o interesse de Dumbledore por uma moça. A escritora decidiu então esclarecer as coisas e informou ao diretor do filme, David Yates, da condição gay do personagem”).
Portanto, sem fazer juízo de valor moral – como declarei, antes – apenas me preocupa essa desvirtuação da criação intelectual, esse desrespeito ao direito que o autor – e somente ele – deveria ter (juridicamente, porque moralmente é inegável que só ele o tem) de estabelecer os aspectos fundamentais de sua obra e, dentro dela, de cada um dos seus personagens.
Essa linha de ponderação que sigo, encontro-a também em “Batman e a Filosofia” , nono capítulo , intitulado “O que Batman faria? Bruce Wayne como modelo moral”:
“(. . .) Mas com Batman e outros personagens fictícios, além de sempre existir a possibilidade de mudança, há várias pessoas definindo o caráter e talvez planejando essa mudança. Afirmamos que os autores podem garantir que Batman sempre permanecerá verdadeiro à sua missão, porém não há nenhuma garantia de que eles farão isso. Quanto mais histórias forem escritas, por mais e mais autores, maiores são as chances de que elas não representarão um personagem consistente, coeso, e muito menos um que sempre manterá os mesmos padrões de excelência moral.
Isso não apenas é potencialmente verdadeiro para histórias futuras, como também representa um problema para as passadas.
. . .
“(. . .) Se existe um modo de retratar Batman corretamente como um personagem, também deve haver maneira de retratá-lo erroneamente como personagem – mas como determinar tal diferença? Pode ser apenas pela maioria dos fãs? Não, porque se ela for baseada na maioria, então pode ser mudada, e estamos procurando por um ‘Batman verdadeiro’, estável. (. . .) E a questão parece se resumir a isso: pode um personagem fictício como Batman ter propriedades essenciais? E se a resposta for afirmativa, como?
. . .
(. . .) Porém, como o Super-Homem e muitos outros heróis de ficção dentro e fora do mundo dos quadrinhos, o conceito de Batman cresceu e amadureceu, tornando-se algo diferente e maior. Esses conceitos novos, maduros, de tais personagens foram transformados em ícones como parte de nossa mitologia moderna. Assim, existe um forte senso no qual essa versão se tornou o verdadeiro Batman. Há um poder psicológico nesse personagem – ou que apela à nossa consciência literária como um arquétipo – e é por isso que ele existe há tanto tempo e continua a inspirar os fãs.
Há espaço, é claro, para um crescimento contínuo à medida que novas histórias de Batman são escritas. Assim como acontece com qualquer personagem estabelecido na literatura, no entanto, podemos ver esse crescimento no contexto de preservar a essência do personagem. (. . .) se as mudanças do personagem forem muito drásticas, não podemos plausivamente continuar a chamá-lo de ‘Batman’. Enquanto existir como um ícone, e não apenas como um personagem, ele possui um status mitológico para nós. Como tal, evolui para algo que podemos com propriedade chamar sua verdadeira persona.”
Sim, um personagem de ficção pote ter características essenciais, mais ainda com respeito a um fator tão predominante na personalidade humana como a sexualidade/orientação sexual. Facilmente verificável e inquestionável a orientação sexual do detetive Sherlock Holmes de Sir Arthur Conan Doyle, do Conan de Robert E. Howard, de James Bond, de Bruce Wayne. E essa e outras características essenciais devem ficar ao abrigo de alterações, por “sub-criadores” (para usar a expressão de J. R. R. Tolkien, criador de “O Senhor dos Anéis”), de modo a não se desvirtuar um personagem.
Vejamos como o tema não é simples...
Outra pergunta: será que não se trata muito mais de interesse comercial do que de genuína defesa da tolerância quanto à sexualidade de cada um? Vejamos Joseph Campbell (“O Poder do Mito”):
“(. . .) o que é penoso, para nós, é que muitas das pessoas incumbidas de escrever as histórias não têm noção da sua responsabilidade. Essas histórias fazem e desfazem vidas. Mas os filmes são produzidos simplesmente para fazer dinheiro. Não se encontra aí aquela espécie de responsabilidade que impregna o sacerdócio, num ritual. Este é um dos nossos problemas, hoje em dia.”
Mais uma questão: e se a inovação supra comentada for bem, comercialmente, irão começar a dar experiências homossexuais aos personagens sabidamente heterossexuais, de modo a gerar mais polêmica e a vender mais revistas?...
E se você acha que toda essa discussão é excessiva ou irreal, dê uma passada nas páginas de Joseph Campbell e seu “O Poder do Mito”.
DC Comics | Lanterna Verde original é o novo personagem gay da DC Comics
Silver Surfer (02/06/2012 15:19:33)
Só não gostei porque está muito na cara que é uma jogada de marketing. A própria DC reconheceu que queria "tirar do armário" um personagem do alto escalão (Batman?), mas depois houve uma "mudança de planos" e acabou "convertendo" um personagem de segundo escalão de um universo paralelo (para causar menos polêmica).
Por isso prefiro a Marvel: o Estrela Polar é um personagem reconhecidamente homossexual há anos, o casamento é uma consequência natural de algo que vem sendo conduzido com cuidado ao longo dos anos. Todo o estardalhaço em torno do casamento gay na Marvel pode ser marketing, mas o casamento em si é perfeitamente condizente com a cronologia do personagem.
DC Comics | Lanterna Verde original é o novo personagem gay da DC Comics
Josemar (02/06/2012 20:37:53)
Primeiro cara que vejo que expôs um argumento coerente e sem preconceito contra essa mudança da orientação sexual do Lanterna Verde.
No mais, concordo com você, Silver Surfer.
DC Comics | Lanterna Verde original é o novo personagem gay da DC Comics
Inácio (03/06/2012 02:15:46)
"Quanto mais histórias forem escritas, por mais e mais autores, maiores são as chances de que elas não representarão um personagem consistente, coeso, e muito menos um que sempre manterá os mesmos padrões de excelência moral.
Isso não apenas é potencialmente verdadeiro para histórias futuras, como também representa um problema para as passadas.
. . .
“(. . .) Se existe um modo de retratar Batman corretamente como um personagem, também deve haver maneira de retratá-lo erroneamente como personagem – mas como determinar tal diferença? Pode ser apenas pela maioria dos fãs? Não, porque se ela for baseada na maioria, então pode ser mudada, e estamos procurando por um ‘Batman verdadeiro’, estável. (. . .) E a questão parece se resumir a isso: pode um personagem fictício como Batman ter propriedades essenciais? E se a resposta for afirmativa, como?
. . .
(. . .) Porém, como o Super-Homem e muitos outros heróis de ficção dentro e fora do mundo dos quadrinhos, o conceito de Batman cresceu e amadureceu, tornando-se algo diferente e maior. Esses conceitos novos, maduros, de tais personagens foram transformados em ícones como parte de nossa mitologia moderna. Assim, existe um forte senso no qual essa versão se tornou o verdadeiro Batman. Há um poder psicológico nesse personagem – ou que apela à nossa consciência literária como um arquétipo – e é por isso que ele existe há tanto tempo e continua a inspirar os fãs.
Há espaço, é claro, para um crescimento contínuo à medida que novas histórias de Batman são escritas. Assim como acontece com qualquer personagem estabelecido na literatura, no entanto, podemos ver esse crescimento no contexto de preservar a essência do personagem. (. . .) se as mudanças do personagem forem muito drásticas, não podemos plausivamente continuar a chamá-lo de ‘Batman’. Enquanto existir como um ícone, e não apenas como um personagem, ele possui um status mitológico para nós. Como tal, evolui para algo que podemos com propriedade chamar sua verdadeira persona.”
Quem fala é Joseph Campbell ("O Poder do Mito", "O Herói de Mil Faces").
DC Comics | Lanterna Verde original é o novo personagem gay da DC Comics
Olive (06/06/2012 02:11:51)
Tudo é jogada de marketing.Isso é uma indústria, porém, eles merecem o parabéns por investirem em tema tabu.Se a DC for coerente, Batman vai sair do armário.
DC Comics | Lanterna Verde original é o novo personagem gay da DC Comics
Marcos Paulo (02/06/2012 21:18:15)
Ainda não entendo o porque de tanta reclamação.
Em primeiro lugar, existem gays em todos os lugares, quer gostemos ou não, e não podemos mudar isso.
Segundo, isso é um reboot da DC, então era de se esperar por grandes mudanças.
Terceiro, achar que o Lanterna Verde deixou de ser o herói que era só por que mudaram a orientação sexual dele, é no mínimo infantil. Ele ainda é o Lanterna Verde e ele ainda é um super-herói, e com quem ele tem um relacionamente dificilmente irá ser capaz de gerar um aumento ou diminuição na qualidade das histórias - PRINCIPALMENTE, pois esse não é o foco de nenhuma HQ.
Quarto, só porque irá ler uma história sobre um personagem gay, não significa que as crianças que a lêem irão ser gays. Do contrário, como já foi dito lá embaixo, só existiriam héteros no mundo.
O que eu acho, é que se podemos ''suportar'' histórias que mostrem violência, sangue, estupro e cenas explícitas de sexo entre héteros, então podemos ''suportar'', um herói que seja gay.
DC Comics | Lanterna Verde original é o novo personagem gay da DC Comics
Predator (03/06/2012 00:01:31)
A coisa mais ridícula que pode existir é um herói afeminado...que peito ou moral ele terá para enfrentar grandes oponentes ?....ele vai dizer: Uiiiii...pára boba! kkkkkkk....
DC Comics | Lanterna Verde original é o novo personagem gay da DC Comics
Inácio (03/06/2012 02:11:50)
Caríssimo Marcos, pense comigo, por um instante.
Quanto mais histórias forem escritas, por mais e mais autores, maiores são as chances de que elas não representarão um personagem consistente, coeso, e muito menos um que sempre manterá os mesmos padrões de excelência moral.
Isso não apenas é potencialmente verdadeiro para histórias futuras, como também representa um problema para as passadas.
. . .
“(. . .) Se existe um modo de retratar Batman corretamente como um personagem, também deve haver maneira de retratá-lo erroneamente como personagem – mas como determinar tal diferença? Pode ser apenas pela maioria dos fãs? Não, porque se ela for baseada na maioria, então pode ser mudada, e estamos procurando por um ‘Batman verdadeiro’, estável. (. . .) E a questão parece se resumir a isso: pode um personagem fictício como Batman ter propriedades essenciais? E se a resposta for afirmativa, como?
. . .
(. . .) Porém, como o Super-Homem e muitos outros heróis de ficção dentro e fora do mundo dos quadrinhos, o conceito de Batman cresceu e amadureceu, tornando-se algo diferente e maior. Esses conceitos novos, maduros, de tais personagens foram transformados em ícones como parte de nossa mitologia moderna. Assim, existe um forte senso no qual essa versão se tornou o verdadeiro Batman. Há um poder psicológico nesse personagem – ou que apela à nossa consciência literária como um arquétipo – e é por isso que ele existe há tanto tempo e continua a inspirar os fãs.
Há espaço, é claro, para um crescimento contínuo à medida que novas histórias de Batman são escritas. Assim como acontece com qualquer personagem estabelecido na literatura, no entanto, podemos ver esse crescimento no contexto de preservar a essência do personagem. (. . .) se as mudanças do personagem forem muito drásticas, não podemos plausivamente continuar a chamá-lo de ‘Batman’. Enquanto existir como um ícone, e não apenas como um personagem, ele possui um status mitológico para nós. Como tal, evolui para algo que podemos com propriedade chamar sua verdadeira persona.”
Quem fala é Joseph Campbell ("O Poder do Mito", "O Herói de Mil Faces").
DC Comics | Lanterna Verde original é o novo personagem gay da DC Comics
Inácio (02/06/2012 13:54:07)
Terça-feira, 22 de maio de 2012, a DC ComicsTM anunciou que vai “tirar do armário” um de seus personagens icônicos e o mundo dos quadrinhos (fãs, mais do que todos) está às voltas com as discussões que já tomam corpo, sobretudo nos fóruns da rede mundial de computadores. Antagonizando-se sem muita educação, os fãs de cada um dos principais nomes da “moderna mitologia” digladiam-se, ante a perspectiva de “descobrirem” que seus ídolos “não são bem o que eles pensavam”.
Aqui, a primeira questão importante, para mim: só se descobre algo que existe; se a homossexualidade de um personagem não estava lá, desde o seu início, na mente de seu criador, não há, verdadeiramente, homossexualidade a descobrir, mas uma a “inventar”, no caso em comento, uma recém-inventada, recém-criada e – defendo – criada ar revelia da opinião mais importante: a do autor, a do criador do personagem em questão.
Por exemplo: há alguns anos, tentou-se dizer que os personagens Messala (um tribuno romano) e Judá Ben-Hur (um judeu de abastada família de comerciantes) eram homossexuais, tinham tido um envolvimento afetivo na sua infância. Ora, quem se deu ao trabalho de assistir às magníficas três horas e tanto da película sabe que não há a menor indicação de homossexualidade no judeu Ben-Hur ou no romano Messala; bem ao contrário. Bem-Hur apaixona-se por uma de suas servas e termina por casar-se com ela, mas nem vou tentar argumentar muito, porque não é necessário. O espectador imparcial vê isto, sem esforço. E o vê, porque foi esta a intenção do autor, do criador do filme e dos personagens. Não há, ali, homossexualidade a “descobrir”, ainda que haja a “inventar”, na nossa modernidade.
Outro exemplo: quando li o Drácula de Bram Stocker não me veio nenhuma indicação de homossexualidade, nesse vampiro (posso estar enganado, porque li a obra há mais de vinte anos e não voltei a ela, nunca mais). Mas o filme (aliás, espetacular) de Francis Ford Copolla, em certa passagem, parece insinuar (de forma muito disfarçada) que Vlad Dracul teve certo interesse dúbio (do ponto de vista erógeno) com relação ao personagem Jonathan Harker. Se eu estiver certo, quanto à lembrança da leitura, houve uma desvirtuação da personagem Drácula, em relação aos seus traços fundamentais
Voltando aos quadrinhos.
Não há homossexualidade “a descobrir” em Bruce Wayne, nem em Clark Kent, nem em Oliver Quinn (“Arqueiro Verde”), nem em James Logan (Wolverine) etc., ainda que, ao sabor dos interesses comerciais (e as estatísticas mostram que o público homossexual é um dos que mais efetua gastos não essenciais – viagens, leitura, etc. – o que, aliás, é uma das razões comerciais dissimuladas, quando se trata de defender a realização das chamadas “paradas gays”: ou seja, elas trazem turistas/consumidores para as cidades onde são realizadas) se possa criar uma homossexualidade em um ou em vários desses personagens. Mais ainda: uma bissexualidade.
Neste artigo, não faço juízo de moral sobre o homossexualismo; minha ótica, aqui, é a dos direitos de autor. Pense comigo: você leva anos imaginando uma personagem. Você a cria, luta junto às editoras e ao setor comercial para que a sua criação tenha vida. Um dia, bingo: seu personagem é publicado e, com ele, grande parte dos seus valores.
Agora, para sua infelicidade, você morre (como diria William Wallace: “Todo homem morre, mas nem todo homem vive, realmente). Seu personagem cai num limbo de esquecimento editorial. Décadas se passam e alguém com muito pouco respeito por você e por sua obra, mas com muito por dinheiro e balanços comerciais editoriais resolve que seu personagem, aquele mesmo a quem você emprestou alma – aliás, a quem você deu uma alma – perceisa de uma repaginada, para ser mais atrativo aos público jovem... Então, ele “descobre” uma “sexualidade nova”, alternativa àquela que você, autor morto, determinou para o seu personagem. É como se, de repente, Legolas fossem homossexual, ou como se Éowyn fosse lésbica. Como você acha que J. R. R. Tolkien se sentiria? E não venha me dizer que os mortos não sentem nada (se você pensa assim – como Epicuro –, leia um pouquinho de Aristóteles e sua Ética a Nicômaco, quando aquele fala dos prejuízos que se podem causar aos mortos, mesmo que estes não os sintam).
É diferente, por exemplo, do caso do Professor Dumbledore, cuja criadora J. K. Rowling declarou em entrevista que sempre o considerou homossexual.
Portanto, sem fazer juízo de valor moral – como declarei, antes – apenas me preocupa essa desvirtuação da criação intelectual, esse desrespeito ao direito que o autor – e somente ele – deveria ter (juridicamente, porque moralmente é inegável que só ele o tem) de estabelecer os aspectos fundamentais de sua obra e, dentro dela, de cada um dos seus personagens.
Essa linha de ponderação que sigo, encontro-o também em “Batman e a Filosofia” , nono capítulo , intitulado “O que Batman faria? Bruce Wayne como modelo moral”:
“(. . .) Mas com Batman e outros personagens fictícios, além de sempre existir a possibilidade de mudança, há várias pessoas definindo o caráter e talvez planejando essa mudança. Afirmamos que os autores podem garantir que Batman sempre permanecerá verdadeiro à sua missa, porém não há nenhuma garantia de que eles farãi isso. Quanto mais histórias forem escritas, por mais e mais autores, maiores são as chances de que elas não representarão um personagem consistente, coeso, e muito menos um que sempre manterá os mesmos padrões de excelência moral.
Isso não apenas é potencialmente verdadeiro para histórias futuras, como também representa um problema para as passadas.
. . .
“(. . .) Se existe um modo de retratar Batman corretamente como um personagem, também deve haver maneira de retratá-lo erroneamente como personagem – mas como determinar tal diferença? Pode ser apenas pela maioria dos fãs? Não, porque se ela for baseada na maioria, então pode ser mudada, e estamos procurando por um ‘Batman verdadeiro’, estável. (. . .) E a questão parece se resumir a isso: pode um personagem fictício como Batman ter propriedades essenciais? E se a resposta for afirmativa, como?”
Sim, um personagem de ficção pote ter características essenciais, mais ainda com respeito a um fator tão predominante na personalidade humana como a sexualidade/orientação sexual. Facilmente verificável e inquestionável a orientação sexual do detetive Sherlock Holmes de Sir Arthur Conan Doyle, do Conan de Robert E. Howard, de James Bond, de Bruce Wayne. E essa e outras características essenciais devem ficar ao abrigo de alterações, por “sub-criadores” (para usar a expressão de J. R. R. Tolkien, criador de “O Senhor dos Anéis”), de modo a não se desvirtuar um personagem.
Vejamos como o tema não é simples...
Outra pergunta: será que não se trata muito mais de interesse comercial do que de genuína defesa da tolerância quanto à sexualidade de cada um? Vejamos Joseph Campbell (“O Poder do Mito”):
“(. . .) o que é penoso, para nós, é que muitas das pessoas incumbidas de escrever as histórias não têm noção da sua responsabilidade. Essas histórias fazem e desfazem vidas. Mas os filmes são produzidos simplesmente para fazer dinheiro. Não se encontra aí aquela espécie de responsabilidade que impregna o sacerdócio, num ritual. Este é um dos nossos problemas, hoje em dia.”
Mais uma questão: e se a inovação supra comentada for bem, comercialmente, irão começar a dar experiências homossexuais aos personagens sabidamente heterossexuais, de modo a gerar mais polêmica e a vender mais revistas?...
E se você acha que toda essa discussão é excessiva ou irreal, dê uma passada nas páginas de Joseph Campbell e seu “O Poder do Mito”.
DC Comics | Lanterna Verde original é o novo personagem gay da DC Comics
Artur (02/06/2012 17:48:09)
Desculpe, mas vc é homofônico sim e muito talvez vc ache que não é, mas vc e muitooo o mesmo discurso de todo homofônico.
Batman | Scott Snyder diz que Cavaleiro das Trevas não é gay
Inácio (01/06/2012 13:34:56)
Terça-feira, 22 de maio de 2012, a DC ComicsTM anunciou que vai “tirar do armário” um de seus personagens icônicos e o mundo dos quadrinhos (fãs, mais do que todos) está às voltas com as discussões que já tomam corpo, sobretudo nos fóruns da rede mundial de computadores. Antagonizando-se sem muita educação, os fãs de cada um dos principais nomes da “moderna mitologia” digladiam-se, ante a perspectiva de “descobrirem” que seus ídolos “não são bem o que eles pensavam”.
Aqui, a primeira questão importante, para mim: só se descobre algo que existe; se a homossexualidade de um personagem não estava lá, desde o seu início, na mente de seu criador, não há, verdadeiramente, homossexualidade a descobrir, mas uma a “inventar”, no caso em comento, uma recém-inventada, recém-criada e – defendo – criada ar revelia da opinião mais importante: a do autor, a do criador do personagem em questão.
Por exemplo: há alguns anos, tentou-se dizer que os personagens Messala (um tribuno romano) e Judá Ben-Hur (um judeu de abastada família de comerciantes) eram homossexuais, tinham tido um envolvimento afetivo na sua infância. Ora, quem se deu ao trabalho de assistir às magníficas três horas e tanto da película sabe que não há a menor indicação de homossexualidade no judeu Ben-Hur ou no romano Messala; bem ao contrário. Bem-Hur apaixona-se por uma de suas servas e termina por casar-se com ela, mas nem vou tentar argumentar muito, porque não é necessário. O espectador imparcial vê isto, sem esforço. E o vê, porque foi esta a intenção do autor, do criador do filme e dos personagens. Não há, ali, homossexualidade a “descobrir”, ainda que haja a “inventar”, na nossa modernidade.
Outro exemplo: quando li o Drácula de Bram Stocker não me veio nenhuma indicação de homossexualidade, nesse vampiro (posso estar enganado, porque li a obra há mais de vinte anos e não voltei a ela, nunca mais). Mas o filme (aliás, espetacular) de Francis Ford Copolla, em certa passagem, parece insinuar (de forma muito disfarçada) que Vlad Dracul teve certo interesse dúbio (do ponto de vista erógeno) com relação ao personagem Jonathan Harker. Se eu estiver certo, quanto à lembrança da leitura, houve uma desvirtuação da personagem Drácula, em relação aos seus traços fundamentais
Voltando aos quadrinhos.
Não há homossexualidade “a descobrir” em Bruce Wayne, nem em Clark Kent, nem em Oliver Quinn (“Arqueiro Verde”), nem em James Logan (Wolverine) etc., ainda que, ao sabor dos interesses comerciais (e as estatísticas mostram que o público homossexual é um dos que mais efetua gastos não essenciais – viagens, leitura, etc. – o que, aliás, é uma das razões comerciais dissimuladas, quando se trata de defender a realização das chamadas “paradas gays”: ou seja, elas trazem turistas/consumidores para as cidades onde são realizadas) se possa criar uma homossexualidade em um ou em vários desses personagens. Mais ainda: uma bissexualidade.
Neste artigo, não faço juízo de moral sobre o homossexualismo; minha ótica, aqui, é a dos direitos de autor. Pense comigo: você leva anos imaginando uma personagem. Você a cria, luta junto às editoras e ao setor comercial para que a sua criação tenha vida. Um dia, bingo: seu personagem é publicado e, com ele, grande parte dos seus valores.
Agora, para sua infelicidade, você morre (como diria William Wallace: “Todo homem morre, mas nem todo homem vive, realmente). Seu personagem cai num limbo de esquecimento editorial. Décadas se passam e alguém com muito pouco respeito por você e por sua obra, mas com muito por dinheiro e balanços comerciais editoriais resolve que seu personagem, aquele mesmo a quem você emprestou alma – aliás, a quem você deu uma alma – perceisa de uma repaginada, para ser mais atrativo aos público jovem... Então, ele “descobre” uma “sexualidade nova”, alternativa àquela que você, autor morto, determinou para o seu personagem. É como se, de repente, Legolas fossem homossexual, ou como se Éowyn fosse lésbica. Como você acha que J. R. R. Tolkien se sentiria? E não venha me dizer que os mortos não sentem nada (se você pensa assim – como Epicuro –, leia um pouquinho de Aristóteles e sua Ética a Nicômaco, quando aquele fala dos prejuízos que se podem causar aos mortos, mesmo que estes não os sintam).
É diferente, por exemplo, do caso do Professor Dumbledore, cuja criadora J. K. Rowling declarou em entrevista que sempre o considerou homossexual.
Portanto, sem fazer juízo de valor moral – como declarei, antes – apenas me preocupa essa desvirtuação da criação intelectual, esse desrespeito ao direito que o autor – e somente ele – deveria ter (juridicamente, porque moralmente é inegável que só ele o tem) de estabelecer os aspectos fundamentais de sua obra e, dentro dela, de cada um dos seus personagens.
Essa linha de ponderação que sigo, encontro-o também em “Batman e a Filosofia” , nono capítulo , intitulado “O que Batman faria? Bruce Wayne como modelo moral”:
“(. . .) Mas com Batman e outros personagens fictícios, além de sempre existir a possibilidade de mudança, há várias pessoas definindo o caráter e talvez planejando essa mudança. Afirmamos que os autores podem garantir que Batman sempre permanecerá verdadeiro à sua missa, porém não há nenhuma garantia de que eles farãi isso. Quanto mais histórias forem escritas, por mais e mais autores, maiores são as chances de que elas não representarão um personagem consistente, coeso, e muito menos um que sempre manterá os mesmos padrões de excelência moral.
Isso não apenas é potencialmente verdadeiro para histórias futuras, como também representa um problema para as passadas.
. . .
“(. . .) Se existe um modo de retratar Batman corretamente como um personagem, também deve haver maneira de retratá-lo erroneamente como personagem – mas como determinar tal diferença? Pode ser apenas pela maioria dos fãs? Não, porque se ela for baseada na maioria, então pode ser mudada, e estamos procurando por um ‘Batman verdadeiro’, estável. (. . .) E a questão parece se resumir a isso: pode um personagem fictício como Batman ter propriedades essenciais? E se a resposta for afirmativa, como?”
Sim, um personagem de ficção pote ter características essenciais, mais ainda com respeito a um fator tão predominante na personalidade humana como a sexualidade/orientação sexual. Facilmente verificável e inquestionável a orientação sexual do detetive Sherlock Holmes de Sir Arthur Conan Doyle, do Conan de Robert E. Howard, de James Bond, de Bruce Wayne. E essa e outras características essenciais devem ficar ao abrigo de alterações, por “sub-criadores” (para usar a expressão de J. R. R. Tolkien, criador de “O Senhor dos Anéis”), de modo a não se desvirtuar um personagem.
Vejamos como o tema não é simples...
Outra pergunta: será que não se trata muito mais de interesse comercial do que de genuína defesa da tolerância quanto à sexualidade de cada um? Vejamos Joseph Campbell (“O Poder do Mito”):
“(. . .) o que é penoso, para nós, é que muitas das pessoas incumbidas de escrever as histórias não têm noção da sua responsabilidade. Essas histórias fazem e desfazem vidas. Mas os filmes são produzidos simplesmente para fazer dinheiro. Não se encontra aí aquela espécie de responsabilidade que impregna o sacerdócio, num ritual. Este é um dos nossos problemas, hoje em dia.”
Mais uma questão: e se a inovação supra comentada for bem, comercialmente, irão começar a dar experiências homossexuais aos personagens sabidamente heterossexuais, de modo a gerar mais polêmica e a vender mais revistas?...
E se você acha que toda essa discussão é excessiva ou irreal, dê uma passada nas páginas de Joseph Campbell e seu “O Poder do Mito”.
Batman | Scott Snyder diz que Cavaleiro das Trevas não é gay
Uilians (07/06/2012 23:03:08)
Valeu Inácio. o melhor dos posts sobre o assunto !
X-Men | Marvel confirma casamento homossexual na série
Inácio (01/06/2012 13:34:48)
Terça-feira, 22 de maio de 2012, a DC ComicsTM anunciou que vai “tirar do armário” um de seus personagens icônicos e o mundo dos quadrinhos (fãs, mais do que todos) está às voltas com as discussões que já tomam corpo, sobretudo nos fóruns da rede mundial de computadores. Antagonizando-se sem muita educação, os fãs de cada um dos principais nomes da “moderna mitologia” digladiam-se, ante a perspectiva de “descobrirem” que seus ídolos “não são bem o que eles pensavam”.
Aqui, a primeira questão importante, para mim: só se descobre algo que existe; se a homossexualidade de um personagem não estava lá, desde o seu início, na mente de seu criador, não há, verdadeiramente, homossexualidade a descobrir, mas uma a “inventar”, no caso em comento, uma recém-inventada, recém-criada e – defendo – criada ar revelia da opinião mais importante: a do autor, a do criador do personagem em questão.
Por exemplo: há alguns anos, tentou-se dizer que os personagens Messala (um tribuno romano) e Judá Ben-Hur (um judeu de abastada família de comerciantes) eram homossexuais, tinham tido um envolvimento afetivo na sua infância. Ora, quem se deu ao trabalho de assistir às magníficas três horas e tanto da película sabe que não há a menor indicação de homossexualidade no judeu Ben-Hur ou no romano Messala; bem ao contrário. Bem-Hur apaixona-se por uma de suas servas e termina por casar-se com ela, mas nem vou tentar argumentar muito, porque não é necessário. O espectador imparcial vê isto, sem esforço. E o vê, porque foi esta a intenção do autor, do criador do filme e dos personagens. Não há, ali, homossexualidade a “descobrir”, ainda que haja a “inventar”, na nossa modernidade.
Outro exemplo: quando li o Drácula de Bram Stocker não me veio nenhuma indicação de homossexualidade, nesse vampiro (posso estar enganado, porque li a obra há mais de vinte anos e não voltei a ela, nunca mais). Mas o filme (aliás, espetacular) de Francis Ford Copolla, em certa passagem, parece insinuar (de forma muito disfarçada) que Vlad Dracul teve certo interesse dúbio (do ponto de vista erógeno) com relação ao personagem Jonathan Harker. Se eu estiver certo, quanto à lembrança da leitura, houve uma desvirtuação da personagem Drácula, em relação aos seus traços fundamentais
Voltando aos quadrinhos.
Não há homossexualidade “a descobrir” em Bruce Wayne, nem em Clark Kent, nem em Oliver Quinn (“Arqueiro Verde”), nem em James Logan (Wolverine) etc., ainda que, ao sabor dos interesses comerciais (e as estatísticas mostram que o público homossexual é um dos que mais efetua gastos não essenciais – viagens, leitura, etc. – o que, aliás, é uma das razões comerciais dissimuladas, quando se trata de defender a realização das chamadas “paradas gays”: ou seja, elas trazem turistas/consumidores para as cidades onde são realizadas) se possa criar uma homossexualidade em um ou em vários desses personagens. Mais ainda: uma bissexualidade.
Neste artigo, não faço juízo de moral sobre o homossexualismo; minha ótica, aqui, é a dos direitos de autor. Pense comigo: você leva anos imaginando uma personagem. Você a cria, luta junto às editoras e ao setor comercial para que a sua criação tenha vida. Um dia, bingo: seu personagem é publicado e, com ele, grande parte dos seus valores.
Agora, para sua infelicidade, você morre (como diria William Wallace: “Todo homem morre, mas nem todo homem vive, realmente). Seu personagem cai num limbo de esquecimento editorial. Décadas se passam e alguém com muito pouco respeito por você e por sua obra, mas com muito por dinheiro e balanços comerciais editoriais resolve que seu personagem, aquele mesmo a quem você emprestou alma – aliás, a quem você deu uma alma – perceisa de uma repaginada, para ser mais atrativo aos público jovem... Então, ele “descobre” uma “sexualidade nova”, alternativa àquela que você, autor morto, determinou para o seu personagem. É como se, de repente, Legolas fossem homossexual, ou como se Éowyn fosse lésbica. Como você acha que J. R. R. Tolkien se sentiria? E não venha me dizer que os mortos não sentem nada (se você pensa assim – como Epicuro –, leia um pouquinho de Aristóteles e sua Ética a Nicômaco, quando aquele fala dos prejuízos que se podem causar aos mortos, mesmo que estes não os sintam).
É diferente, por exemplo, do caso do Professor Dumbledore, cuja criadora J. K. Rowling declarou em entrevista que sempre o considerou homossexual.
Portanto, sem fazer juízo de valor moral – como declarei, antes – apenas me preocupa essa desvirtuação da criação intelectual, esse desrespeito ao direito que o autor – e somente ele – deveria ter (juridicamente, porque moralmente é inegável que só ele o tem) de estabelecer os aspectos fundamentais de sua obra e, dentro dela, de cada um dos seus personagens.
Essa linha de ponderação que sigo, encontro-o também em “Batman e a Filosofia” , nono capítulo , intitulado “O que Batman faria? Bruce Wayne como modelo moral”:
“(. . .) Mas com Batman e outros personagens fictícios, além de sempre existir a possibilidade de mudança, há várias pessoas definindo o caráter e talvez planejando essa mudança. Afirmamos que os autores podem garantir que Batman sempre permanecerá verdadeiro à sua missa, porém não há nenhuma garantia de que eles farãi isso. Quanto mais histórias forem escritas, por mais e mais autores, maiores são as chances de que elas não representarão um personagem consistente, coeso, e muito menos um que sempre manterá os mesmos padrões de excelência moral.
Isso não apenas é potencialmente verdadeiro para histórias futuras, como também representa um problema para as passadas.
. . .
“(. . .) Se existe um modo de retratar Batman corretamente como um personagem, também deve haver maneira de retratá-lo erroneamente como personagem – mas como determinar tal diferença? Pode ser apenas pela maioria dos fãs? Não, porque se ela for baseada na maioria, então pode ser mudada, e estamos procurando por um ‘Batman verdadeiro’, estável. (. . .) E a questão parece se resumir a isso: pode um personagem fictício como Batman ter propriedades essenciais? E se a resposta for afirmativa, como?”
Sim, um personagem de ficção pote ter características essenciais, mais ainda com respeito a um fator tão predominante na personalidade humana como a sexualidade/orientação sexual. Facilmente verificável e inquestionável a orientação sexual do detetive Sherlock Holmes de Sir Arthur Conan Doyle, do Conan de Robert E. Howard, de James Bond, de Bruce Wayne. E essa e outras características essenciais devem ficar ao abrigo de alterações, por “sub-criadores” (para usar a expressão de J. R. R. Tolkien, criador de “O Senhor dos Anéis”), de modo a não se desvirtuar um personagem.
Vejamos como o tema não é simples...
Outra pergunta: será que não se trata muito mais de interesse comercial do que de genuína defesa da tolerância quanto à sexualidade de cada um? Vejamos Joseph Campbell (“O Poder do Mito”):
“(. . .) o que é penoso, para nós, é que muitas das pessoas incumbidas de escrever as histórias não têm noção da sua responsabilidade. Essas histórias fazem e desfazem vidas. Mas os filmes são produzidos simplesmente para fazer dinheiro. Não se encontra aí aquela espécie de responsabilidade que impregna o sacerdócio, num ritual. Este é um dos nossos problemas, hoje em dia.”
Mais uma questão: e se a inovação supra comentada for bem, comercialmente, irão começar a dar experiências homossexuais aos personagens sabidamente heterossexuais, de modo a gerar mais polêmica e a vender mais revistas?...
E se você acha que toda essa discussão é excessiva ou irreal, dê uma passada nas páginas de Joseph Campbell e seu “O Poder do Mito”.
X-Men | Marvel confirma casamento homossexual na série
Toni (02/12/2012 19:05:05)
Concordo plenamente com você.
Marvel Comics comemora casamento gay com capa especial [Atualizado]
Inácio (01/06/2012 13:34:41)
Terça-feira, 22 de maio de 2012, a DC ComicsTM anunciou que vai “tirar do armário” um de seus personagens icônicos e o mundo dos quadrinhos (fãs, mais do que todos) está às voltas com as discussões que já tomam corpo, sobretudo nos fóruns da rede mundial de computadores. Antagonizando-se sem muita educação, os fãs de cada um dos principais nomes da “moderna mitologia” digladiam-se, ante a perspectiva de “descobrirem” que seus ídolos “não são bem o que eles pensavam”.
Aqui, a primeira questão importante, para mim: só se descobre algo que existe; se a homossexualidade de um personagem não estava lá, desde o seu início, na mente de seu criador, não há, verdadeiramente, homossexualidade a descobrir, mas uma a “inventar”, no caso em comento, uma recém-inventada, recém-criada e – defendo – criada ar revelia da opinião mais importante: a do autor, a do criador do personagem em questão.
Por exemplo: há alguns anos, tentou-se dizer que os personagens Messala (um tribuno romano) e Judá Ben-Hur (um judeu de abastada família de comerciantes) eram homossexuais, tinham tido um envolvimento afetivo na sua infância. Ora, quem se deu ao trabalho de assistir às magníficas três horas e tanto da película sabe que não há a menor indicação de homossexualidade no judeu Ben-Hur ou no romano Messala; bem ao contrário. Bem-Hur apaixona-se por uma de suas servas e termina por casar-se com ela, mas nem vou tentar argumentar muito, porque não é necessário. O espectador imparcial vê isto, sem esforço. E o vê, porque foi esta a intenção do autor, do criador do filme e dos personagens. Não há, ali, homossexualidade a “descobrir”, ainda que haja a “inventar”, na nossa modernidade.
Outro exemplo: quando li o Drácula de Bram Stocker não me veio nenhuma indicação de homossexualidade, nesse vampiro (posso estar enganado, porque li a obra há mais de vinte anos e não voltei a ela, nunca mais). Mas o filme (aliás, espetacular) de Francis Ford Copolla, em certa passagem, parece insinuar (de forma muito disfarçada) que Vlad Dracul teve certo interesse dúbio (do ponto de vista erógeno) com relação ao personagem Jonathan Harker. Se eu estiver certo, quanto à lembrança da leitura, houve uma desvirtuação da personagem Drácula, em relação aos seus traços fundamentais
Voltando aos quadrinhos.
Não há homossexualidade “a descobrir” em Bruce Wayne, nem em Clark Kent, nem em Oliver Quinn (“Arqueiro Verde”), nem em James Logan (Wolverine) etc., ainda que, ao sabor dos interesses comerciais (e as estatísticas mostram que o público homossexual é um dos que mais efetua gastos não essenciais – viagens, leitura, etc. – o que, aliás, é uma das razões comerciais dissimuladas, quando se trata de defender a realização das chamadas “paradas gays”: ou seja, elas trazem turistas/consumidores para as cidades onde são realizadas) se possa criar uma homossexualidade em um ou em vários desses personagens. Mais ainda: uma bissexualidade.
Neste artigo, não faço juízo de moral sobre o homossexualismo; minha ótica, aqui, é a dos direitos de autor. Pense comigo: você leva anos imaginando uma personagem. Você a cria, luta junto às editoras e ao setor comercial para que a sua criação tenha vida. Um dia, bingo: seu personagem é publicado e, com ele, grande parte dos seus valores.
Agora, para sua infelicidade, você morre (como diria William Wallace: “Todo homem morre, mas nem todo homem vive, realmente). Seu personagem cai num limbo de esquecimento editorial. Décadas se passam e alguém com muito pouco respeito por você e por sua obra, mas com muito por dinheiro e balanços comerciais editoriais resolve que seu personagem, aquele mesmo a quem você emprestou alma – aliás, a quem você deu uma alma – perceisa de uma repaginada, para ser mais atrativo aos público jovem... Então, ele “descobre” uma “sexualidade nova”, alternativa àquela que você, autor morto, determinou para o seu personagem. É como se, de repente, Legolas fossem homossexual, ou como se Éowyn fosse lésbica. Como você acha que J. R. R. Tolkien se sentiria? E não venha me dizer que os mortos não sentem nada (se você pensa assim – como Epicuro –, leia um pouquinho de Aristóteles e sua Ética a Nicômaco, quando aquele fala dos prejuízos que se podem causar aos mortos, mesmo que estes não os sintam).
É diferente, por exemplo, do caso do Professor Dumbledore, cuja criadora J. K. Rowling declarou em entrevista que sempre o considerou homossexual.
Portanto, sem fazer juízo de valor moral – como declarei, antes – apenas me preocupa essa desvirtuação da criação intelectual, esse desrespeito ao direito que o autor – e somente ele – deveria ter (juridicamente, porque moralmente é inegável que só ele o tem) de estabelecer os aspectos fundamentais de sua obra e, dentro dela, de cada um dos seus personagens.
Essa linha de ponderação que sigo, encontro-o também em “Batman e a Filosofia” , nono capítulo , intitulado “O que Batman faria? Bruce Wayne como modelo moral”:
“(. . .) Mas com Batman e outros personagens fictícios, além de sempre existir a possibilidade de mudança, há várias pessoas definindo o caráter e talvez planejando essa mudança. Afirmamos que os autores podem garantir que Batman sempre permanecerá verdadeiro à sua missa, porém não há nenhuma garantia de que eles farãi isso. Quanto mais histórias forem escritas, por mais e mais autores, maiores são as chances de que elas não representarão um personagem consistente, coeso, e muito menos um que sempre manterá os mesmos padrões de excelência moral.
Isso não apenas é potencialmente verdadeiro para histórias futuras, como também representa um problema para as passadas.
. . .
“(. . .) Se existe um modo de retratar Batman corretamente como um personagem, também deve haver maneira de retratá-lo erroneamente como personagem – mas como determinar tal diferença? Pode ser apenas pela maioria dos fãs? Não, porque se ela for baseada na maioria, então pode ser mudada, e estamos procurando por um ‘Batman verdadeiro’, estável. (. . .) E a questão parece se resumir a isso: pode um personagem fictício como Batman ter propriedades essenciais? E se a resposta for afirmativa, como?”
Sim, um personagem de ficção pote ter características essenciais, mais ainda com respeito a um fator tão predominante na personalidade humana como a sexualidade/orientação sexual. Facilmente verificável e inquestionável a orientação sexual do detetive Sherlock Holmes de Sir Arthur Conan Doyle, do Conan de Robert E. Howard, de James Bond, de Bruce Wayne. E essa e outras características essenciais devem ficar ao abrigo de alterações, por “sub-criadores” (para usar a expressão de J. R. R. Tolkien, criador de “O Senhor dos Anéis”), de modo a não se desvirtuar um personagem.
Vejamos como o tema não é simples...
Outra pergunta: será que não se trata muito mais de interesse comercial do que de genuína defesa da tolerância quanto à sexualidade de cada um? Vejamos Joseph Campbell (“O Poder do Mito”):
“(. . .) o que é penoso, para nós, é que muitas das pessoas incumbidas de escrever as histórias não têm noção da sua responsabilidade. Essas histórias fazem e desfazem vidas. Mas os filmes são produzidos simplesmente para fazer dinheiro. Não se encontra aí aquela espécie de responsabilidade que impregna o sacerdócio, num ritual. Este é um dos nossos problemas, hoje em dia.”
Mais uma questão: e se a inovação supra comentada for bem, comercialmente, irão começar a dar experiências homossexuais aos personagens sabidamente heterossexuais, de modo a gerar mais polêmica e a vender mais revistas?...
E se você acha que toda essa discussão é excessiva ou irreal, dê uma passada nas páginas de Joseph Campbell e seu “O Poder do Mito”.
DC Comics | Lanterna Verde original é o novo personagem gay da DC Comics
Inácio (01/06/2012 13:34:32)
Terça-feira, 22 de maio de 2012, a DC ComicsTM anunciou que vai “tirar do armário” um de seus personagens icônicos e o mundo dos quadrinhos (fãs, mais do que todos) está às voltas com as discussões que já tomam corpo, sobretudo nos fóruns da rede mundial de computadores. Antagonizando-se sem muita educação, os fãs de cada um dos principais nomes da “moderna mitologia” digladiam-se, ante a perspectiva de “descobrirem” que seus ídolos “não são bem o que eles pensavam”.
Aqui, a primeira questão importante, para mim: só se descobre algo que existe; se a homossexualidade de um personagem não estava lá, desde o seu início, na mente de seu criador, não há, verdadeiramente, homossexualidade a descobrir, mas uma a “inventar”, no caso em comento, uma recém-inventada, recém-criada e – defendo – criada ar revelia da opinião mais importante: a do autor, a do criador do personagem em questão.
Por exemplo: há alguns anos, tentou-se dizer que os personagens Messala (um tribuno romano) e Judá Ben-Hur (um judeu de abastada família de comerciantes) eram homossexuais, tinham tido um envolvimento afetivo na sua infância. Ora, quem se deu ao trabalho de assistir às magníficas três horas e tanto da película sabe que não há a menor indicação de homossexualidade no judeu Ben-Hur ou no romano Messala; bem ao contrário. Bem-Hur apaixona-se por uma de suas servas e termina por casar-se com ela, mas nem vou tentar argumentar muito, porque não é necessário. O espectador imparcial vê isto, sem esforço. E o vê, porque foi esta a intenção do autor, do criador do filme e dos personagens. Não há, ali, homossexualidade a “descobrir”, ainda que haja a “inventar”, na nossa modernidade.
Outro exemplo: quando li o Drácula de Bram Stocker não me veio nenhuma indicação de homossexualidade, nesse vampiro (posso estar enganado, porque li a obra há mais de vinte anos e não voltei a ela, nunca mais). Mas o filme (aliás, espetacular) de Francis Ford Copolla, em certa passagem, parece insinuar (de forma muito disfarçada) que Vlad Dracul teve certo interesse dúbio (do ponto de vista erógeno) com relação ao personagem Jonathan Harker. Se eu estiver certo, quanto à lembrança da leitura, houve uma desvirtuação da personagem Drácula, em relação aos seus traços fundamentais
Voltando aos quadrinhos.
Não há homossexualidade “a descobrir” em Bruce Wayne, nem em Clark Kent, nem em Oliver Quinn (“Arqueiro Verde”), nem em James Logan (Wolverine) etc., ainda que, ao sabor dos interesses comerciais (e as estatísticas mostram que o público homossexual é um dos que mais efetua gastos não essenciais – viagens, leitura, etc. – o que, aliás, é uma das razões comerciais dissimuladas, quando se trata de defender a realização das chamadas “paradas gays”: ou seja, elas trazem turistas/consumidores para as cidades onde são realizadas) se possa criar uma homossexualidade em um ou em vários desses personagens. Mais ainda: uma bissexualidade.
Neste artigo, não faço juízo de moral sobre o homossexualismo; minha ótica, aqui, é a dos direitos de autor. Pense comigo: você leva anos imaginando uma personagem. Você a cria, luta junto às editoras e ao setor comercial para que a sua criação tenha vida. Um dia, bingo: seu personagem é publicado e, com ele, grande parte dos seus valores.
Agora, para sua infelicidade, você morre (como diria William Wallace: “Todo homem morre, mas nem todo homem vive, realmente). Seu personagem cai num limbo de esquecimento editorial. Décadas se passam e alguém com muito pouco respeito por você e por sua obra, mas com muito por dinheiro e balanços comerciais editoriais resolve que seu personagem, aquele mesmo a quem você emprestou alma – aliás, a quem você deu uma alma – perceisa de uma repaginada, para ser mais atrativo aos público jovem... Então, ele “descobre” uma “sexualidade nova”, alternativa àquela que você, autor morto, determinou para o seu personagem. É como se, de repente, Legolas fossem homossexual, ou como se Éowyn fosse lésbica. Como você acha que J. R. R. Tolkien se sentiria? E não venha me dizer que os mortos não sentem nada (se você pensa assim – como Epicuro –, leia um pouquinho de Aristóteles e sua Ética a Nicômaco, quando aquele fala dos prejuízos que se podem causar aos mortos, mesmo que estes não os sintam).
É diferente, por exemplo, do caso do Professor Dumbledore, cuja criadora J. K. Rowling declarou em entrevista que sempre o considerou homossexual.
Portanto, sem fazer juízo de valor moral – como declarei, antes – apenas me preocupa essa desvirtuação da criação intelectual, esse desrespeito ao direito que o autor – e somente ele – deveria ter (juridicamente, porque moralmente é inegável que só ele o tem) de estabelecer os aspectos fundamentais de sua obra e, dentro dela, de cada um dos seus personagens.
Essa linha de ponderação que sigo, encontro-o também em “Batman e a Filosofia” , nono capítulo , intitulado “O que Batman faria? Bruce Wayne como modelo moral”:
“(. . .) Mas com Batman e outros personagens fictícios, além de sempre existir a possibilidade de mudança, há várias pessoas definindo o caráter e talvez planejando essa mudança. Afirmamos que os autores podem garantir que Batman sempre permanecerá verdadeiro à sua missa, porém não há nenhuma garantia de que eles farãi isso. Quanto mais histórias forem escritas, por mais e mais autores, maiores são as chances de que elas não representarão um personagem consistente, coeso, e muito menos um que sempre manterá os mesmos padrões de excelência moral.
Isso não apenas é potencialmente verdadeiro para histórias futuras, como também representa um problema para as passadas.
. . .
“(. . .) Se existe um modo de retratar Batman corretamente como um personagem, também deve haver maneira de retratá-lo erroneamente como personagem – mas como determinar tal diferença? Pode ser apenas pela maioria dos fãs? Não, porque se ela for baseada na maioria, então pode ser mudada, e estamos procurando por um ‘Batman verdadeiro’, estável. (. . .) E a questão parece se resumir a isso: pode um personagem fictício como Batman ter propriedades essenciais? E se a resposta for afirmativa, como?”
Sim, um personagem de ficção pote ter características essenciais, mais ainda com respeito a um fator tão predominante na personalidade humana como a sexualidade/orientação sexual. Facilmente verificável e inquestionável a orientação sexual do detetive Sherlock Holmes de Sir Arthur Conan Doyle, do Conan de Robert E. Howard, de James Bond, de Bruce Wayne. E essa e outras características essenciais devem ficar ao abrigo de alterações, por “sub-criadores” (para usar a expressão de J. R. R. Tolkien, criador de “O Senhor dos Anéis”), de modo a não se desvirtuar um personagem.
Vejamos como o tema não é simples...
Outra pergunta: será que não se trata muito mais de interesse comercial do que de genuína defesa da tolerância quanto à sexualidade de cada um? Vejamos Joseph Campbell (“O Poder do Mito”):
“(. . .) o que é penoso, para nós, é que muitas das pessoas incumbidas de escrever as histórias não têm noção da sua responsabilidade. Essas histórias fazem e desfazem vidas. Mas os filmes são produzidos simplesmente para fazer dinheiro. Não se encontra aí aquela espécie de responsabilidade que impregna o sacerdócio, num ritual. Este é um dos nossos problemas, hoje em dia.”
Mais uma questão: e se a inovação supra comentada for bem, comercialmente, irão começar a dar experiências homossexuais aos personagens sabidamente heterossexuais, de modo a gerar mais polêmica e a vender mais revistas?...
E se você acha que toda essa discussão é excessiva ou irreal, dê uma passada nas páginas de Joseph Campbell e seu “O Poder do Mito”.
DC Comics | Lanterna Verde original é o novo personagem gay da DC Comics
Ricardo (01/06/2012 13:43:31)
TL; DR;
DC Comics | Lanterna Verde original é o novo personagem gay da DC Comics
Lauro (01/06/2012 13:47:23)
Se formos seguir essa lógica, praticamente todos os heróis da DC pós reboot foram "desvirtuados", "traindo" a memória de seus idealizadores.
Não se pode focar apenas na questão da sexualidade. As próprias características de muitos deles foram drasticamente alteradas durante os anos. É só ver o caso de Batman e Arqueiro Verde, por exemplo.
Muita coisa nas HQs é "inventada" como o texto sugere. Deve ser, felizmente ou não, devido ao próprio avanço social/cultural.
O texto é bom, mas foca exclusivamente na questão sexual, e não observa que as mudanças já ocorrem a décadas em outros campos.
DC Comics | Lanterna Verde original é o novo personagem gay da DC Comics
Felipe (01/06/2012 13:57:17)
William Wyler, diretor de "Ben Hur" deu entrevistas em que confirmava o interesse homoerótico de Messala por Ben Hur. E Stephen Boyd, que interpretou Messala, confirmou que Wyler o tinha instruído para interpretar o personagem com interesse sexual, velado, pelo herói judeu.
Então, estava lá sim. Se você não viu, aí é com você.
DC Comics | Lanterna Verde original é o novo personagem gay da DC Comics
angelica (01/06/2012 14:00:21)
já não gostava... agora gosto menos, nada haver herois gays aff!
DC Comics | Lanterna Verde original é o novo personagem gay da DC Comics
Chuck (01/06/2012 14:39:41)
Falou um monte pra defender essa m... de homossexualismo. Realmente, a situação está preta... no cinema é essa nojeira de gayzismo a todo instante, agora também nos quadrinhos.
DC Comics | Lanterna Verde original é o novo personagem gay da DC Comics
Cabral (01/06/2012 14:58:18)
Se formos focar apenas os direitos do autor, como você diz no texto, então não podemos nos limitar à questão da sexualidade: é preciso discutir TODAS as mudanças que ocorreram com os personagens, desde sua criação.
Todos os personagens passam por mudanças, pois precisam se adaptar à cada época. O Superman de hoje não é o mesmo imaginado pelos criadores nos 1930. Isso o torna um personagem pior?
Não. Mostra apenas que ele evoluiu, juntamente com o mundo à volta.
X-Men | Confira um preview da edição com o casamento gay
Inácio (01/06/2012 13:34:17)
Terça-feira, 22 de maio de 2012, a DC ComicsTM anunciou que vai “tirar do armário” um de seus personagens icônicos e o mundo dos quadrinhos (fãs, mais do que todos) está às voltas com as discussões que já tomam corpo, sobretudo nos fóruns da rede mundial de computadores. Antagonizando-se sem muita educação, os fãs de cada um dos principais nomes da “moderna mitologia” digladiam-se, ante a perspectiva de “descobrirem” que seus ídolos “não são bem o que eles pensavam”.
Aqui, a primeira questão importante, para mim: só se descobre algo que existe; se a homossexualidade de um personagem não estava lá, desde o seu início, na mente de seu criador, não há, verdadeiramente, homossexualidade a descobrir, mas uma a “inventar”, no caso em comento, uma recém-inventada, recém-criada e – defendo – criada ar revelia da opinião mais importante: a do autor, a do criador do personagem em questão.
Por exemplo: há alguns anos, tentou-se dizer que os personagens Messala (um tribuno romano) e Judá Ben-Hur (um judeu de abastada família de comerciantes) eram homossexuais, tinham tido um envolvimento afetivo na sua infância. Ora, quem se deu ao trabalho de assistir às magníficas três horas e tanto da película sabe que não há a menor indicação de homossexualidade no judeu Ben-Hur ou no romano Messala; bem ao contrário. Bem-Hur apaixona-se por uma de suas servas e termina por casar-se com ela, mas nem vou tentar argumentar muito, porque não é necessário. O espectador imparcial vê isto, sem esforço. E o vê, porque foi esta a intenção do autor, do criador do filme e dos personagens. Não há, ali, homossexualidade a “descobrir”, ainda que haja a “inventar”, na nossa modernidade.
Outro exemplo: quando li o Drácula de Bram Stocker não me veio nenhuma indicação de homossexualidade, nesse vampiro (posso estar enganado, porque li a obra há mais de vinte anos e não voltei a ela, nunca mais). Mas o filme (aliás, espetacular) de Francis Ford Copolla, em certa passagem, parece insinuar (de forma muito disfarçada) que Vlad Dracul teve certo interesse dúbio (do ponto de vista erógeno) com relação ao personagem Jonathan Harker. Se eu estiver certo, quanto à lembrança da leitura, houve uma desvirtuação da personagem Drácula, em relação aos seus traços fundamentais
Voltando aos quadrinhos.
Não há homossexualidade “a descobrir” em Bruce Wayne, nem em Clark Kent, nem em Oliver Quinn (“Arqueiro Verde”), nem em James Logan (Wolverine) etc., ainda que, ao sabor dos interesses comerciais (e as estatísticas mostram que o público homossexual é um dos que mais efetua gastos não essenciais – viagens, leitura, etc. – o que, aliás, é uma das razões comerciais dissimuladas, quando se trata de defender a realização das chamadas “paradas gays”: ou seja, elas trazem turistas/consumidores para as cidades onde são realizadas) se possa criar uma homossexualidade em um ou em vários desses personagens. Mais ainda: uma bissexualidade.
Neste artigo, não faço juízo de moral sobre o homossexualismo; minha ótica, aqui, é a dos direitos de autor. Pense comigo: você leva anos imaginando uma personagem. Você a cria, luta junto às editoras e ao setor comercial para que a sua criação tenha vida. Um dia, bingo: seu personagem é publicado e, com ele, grande parte dos seus valores.
Agora, para sua infelicidade, você morre (como diria William Wallace: “Todo homem morre, mas nem todo homem vive, realmente). Seu personagem cai num limbo de esquecimento editorial. Décadas se passam e alguém com muito pouco respeito por você e por sua obra, mas com muito por dinheiro e balanços comerciais editoriais resolve que seu personagem, aquele mesmo a quem você emprestou alma – aliás, a quem você deu uma alma – perceisa de uma repaginada, para ser mais atrativo aos público jovem... Então, ele “descobre” uma “sexualidade nova”, alternativa àquela que você, autor morto, determinou para o seu personagem. É como se, de repente, Legolas fossem homossexual, ou como se Éowyn fosse lésbica. Como você acha que J. R. R. Tolkien se sentiria? E não venha me dizer que os mortos não sentem nada (se você pensa assim – como Epicuro –, leia um pouquinho de Aristóteles e sua Ética a Nicômaco, quando aquele fala dos prejuízos que se podem causar aos mortos, mesmo que estes não os sintam).
É diferente, por exemplo, do caso do Professor Dumbledore, cuja criadora J. K. Rowling declarou em entrevista que sempre o considerou homossexual.
Portanto, sem fazer juízo de valor moral – como declarei, antes – apenas me preocupa essa desvirtuação da criação intelectual, esse desrespeito ao direito que o autor – e somente ele – deveria ter (juridicamente, porque moralmente é inegável que só ele o tem) de estabelecer os aspectos fundamentais de sua obra e, dentro dela, de cada um dos seus personagens.
Essa linha de ponderação que sigo, encontro-o também em “Batman e a Filosofia” , nono capítulo , intitulado “O que Batman faria? Bruce Wayne como modelo moral”:
“(. . .) Mas com Batman e outros personagens fictícios, além de sempre existir a possibilidade de mudança, há várias pessoas definindo o caráter e talvez planejando essa mudança. Afirmamos que os autores podem garantir que Batman sempre permanecerá verdadeiro à sua missa, porém não há nenhuma garantia de que eles farãi isso. Quanto mais histórias forem escritas, por mais e mais autores, maiores são as chances de que elas não representarão um personagem consistente, coeso, e muito menos um que sempre manterá os mesmos padrões de excelência moral.
Isso não apenas é potencialmente verdadeiro para histórias futuras, como também representa um problema para as passadas.
. . .
“(. . .) Se existe um modo de retratar Batman corretamente como um personagem, também deve haver maneira de retratá-lo erroneamente como personagem – mas como determinar tal diferença? Pode ser apenas pela maioria dos fãs? Não, porque se ela for baseada na maioria, então pode ser mudada, e estamos procurando por um ‘Batman verdadeiro’, estável. (. . .) E a questão parece se resumir a isso: pode um personagem fictício como Batman ter propriedades essenciais? E se a resposta for afirmativa, como?”
Sim, um personagem de ficção pote ter características essenciais, mais ainda com respeito a um fator tão predominante na personalidade humana como a sexualidade/orientação sexual. Facilmente verificável e inquestionável a orientação sexual do detetive Sherlock Holmes de Sir Arthur Conan Doyle, do Conan de Robert E. Howard, de James Bond, de Bruce Wayne. E essa e outras características essenciais devem ficar ao abrigo de alterações, por “sub-criadores” (para usar a expressão de J. R. R. Tolkien, criador de “O Senhor dos Anéis”), de modo a não se desvirtuar um personagem.
Vejamos como o tema não é simples...
Outra pergunta: será que não se trata muito mais de interesse comercial do que de genuína defesa da tolerância quanto à sexualidade de cada um? Vejamos Joseph Campbell (“O Poder do Mito”):
“(. . .) o que é penoso, para nós, é que muitas das pessoas incumbidas de escrever as histórias não têm noção da sua responsabilidade. Essas histórias fazem e desfazem vidas. Mas os filmes são produzidos simplesmente para fazer dinheiro. Não se encontra aí aquela espécie de responsabilidade que impregna o sacerdócio, num ritual. Este é um dos nossos problemas, hoje em dia.”
Mais uma questão: e se a inovação supra comentada for bem, comercialmente, irão começar a dar experiências homossexuais aos personagens sabidamente heterossexuais, de modo a gerar mais polêmica e a vender mais revistas?...
E se você acha que toda essa discussão é excessiva ou irreal, dê uma passada nas páginas de Joseph Campbell e seu “O Poder do Mito”.
X-Men | Confira um preview da edição com o casamento gay
Castiel (01/06/2012 14:08:33)
Pode ficar ''sossegado'' que não é o Batman, mas sim o Lanterna Verde, o personagem gay da DC.
Não sei se isso foi uma tentativa de dar um ''gás'' pro personagem, após o fiasco do filme, mas...
X-Men | Confira um preview da edição com o casamento gay
Daniel (01/06/2012 14:15:11)
Legal e tal.. concordo e obrigado pelo artigo, mas não cabe ao caso do Estrela Polar (q não foi citado no seu texto, eu sei - porém a matéria é sobre o casamento dele). Tudo isso tem muito a ver com o Lanterna Verde, pq o Estrela já era gay muitos anos antes dessa nova publicação. Arrisco dizer, sem certeza, que o Estrela sempre foi gay (desde antes da revelação)
X-Men | Confira um preview da edição com o casamento gay
Lauro (01/06/2012 17:12:17)
Daniel, pois é você está correto...
Diz a lenda que Estrela Polar foi criado desde o começo para ser gay, mas o editor da Marvel na época não permitiu a revelação.
É por isso que no começo da carreira, o personagem não era visto com qualquer interesse romântico, ao contrários dos demais da Tropa Alfa, até mesmo sua irmã.
X-Men | Confira um preview da edição com o casamento gay
Calixto (02/06/2012 14:57:46)
MUITO BOM. UMA COISA É VC ENSINAR A IGUALDADE DE DIREITOS E RESPEITO ENTRE AS CLASSES. ISSO TEM DE HAVER. É INEGÁVEL. OUTRA É VC INCENTIVAR UMA PRÁTICA POR DIVERSOS MOTIVOS, ENTRE ELES O PRINCIPAL: O COMERCIAL. AH, E VER UM CASAL DE HÉTEROS " SE PEGANDO" EM PÚBLICO TB NÃO É LEGAL. TEMOS DE TER CUIDADO COM A ONDA "TUDO É NORMAL".
X-Men | Confira um preview da edição com o casamento gay
Olive (03/06/2012 05:16:50)
Facilmente verificável e inquestionável a orientação sexual do detetive Sherlock Holmes de Sir Arthur Conan Doyle, do Conan de Robert E. Howard, de James Bond, de Bruce Wayne
KKKK!Inquestionável?Tirando o Bond e o Conan, o resto é fruta.Batman é símbolo cultural gay e isso a mais de 50 anos.
X-Men | Confira um preview da edição com o casamento gay
Eric (20/06/2012 00:53:51)
Muito interessante o que vc falou









