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80 anos de quadrinhos Disney

A primeira tira de Mickey foi publicada em 13 de janeiro de 1930

Roberto Elísio dos Santos
13 de Janeiro de 2010

Disney - 80 anos
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Disney - 80 anos

Com o sucesso dos desenhos animados estrelados por Mickey Mouse, Walt Disney começou a licenciar seus personagens para serem transformados em brinquedos e outros produtos de consumo, como relógios, o que gerava lucros para o estúdio em um momento de grave crise econômica. Disney também firmou um acordo com a empresa King Features para distribuir as tiras protagonizadas por suas criações.

Dessa forma, em 13 janeiro de 1930, os jornais norte-americanos começaram a publicar as tiras de Mickey, desenhadas por Ub Iwerks e arte-finallizadas por Win Smith a partir de roteiros elaborados pelo próprio Disney, que se baseavam nos curtas de animação. Quando Iwerks e Smith deixaram o estúdio, Disney incumbiu o artista Floyd Gottfredson de fazer os quadrinhos. Em 45 anos de trabalho, Gottfredson escreveu e desenhou as aventuras serializadas e as piadas de Mickey e criou personagens como o Coronel Cintra, o bandido Mancha Negra e Esquálidus, o homem do futuro.

Outro artista de destaque nas tiras e páginas dominicais editadas nos jornais foi Al Taliaferro, que auxiliava Gottfredson em suas tiras e fazia as adaptações de desenhos animados para os quadrinhos, na série intitulada Silly Simphonies, para a qual desenhou, em 1934, "A Galinha Sábia" e se encantou com o pato preguiçoso e irritadiço vestido de marinheiro que debutou nessa história. Taliaferro convenceu Disney a lançar, quatro anos depois, a tira do Pato Donald, que realizou até sua morte, em 1969, adicionando à família Pato novos integrantes, como os sobrinhos de Donald (Huguinho, Zezinho e Luisinho), a Vovó Donalda e Margarida.

O mais cultuado dos quadrinhistas norte-americanos é Carl Barks. Depois de ter contribuído com a revista humorística The Calgary Eye-Opener com cartuns eróticos (para a época), ingressou no Estúdio Disney e participou da produção do longa de animação Branca de Neve e os Sete Anões e de vários curta metragens do Pato Donald.

Em 1942, Barks desenhou, ao lado de Jack Hannah, a história em quadrinhos "O Tesouro do Pirata". Ele resolveu, então, dedicar-se a essas narrativas gráficas sequenciais. O artista deixou o estúdio de animação e, em seu sítio localizado na Califórnia, escreveu e desenhou mais de 500 histórias, longas e curtas, com o Pato e seus familiares. Criou personagens que se popularizaram entre os leitores: o milionário e avarento Tio Patinhas, o sortudo e arrogante Gastão, o inventor maluco Professor Pardal, os Irmãos Metralha, a feiticeira Maga Patalójika, entre outros.

Além de Barks, diversos artistas produziram histórias para as revistas de quadrinhos nos Estados Unidos, como Walt Kelly, Paul Murry (desenhista das aventuras de Mickey e co-criador do Superpateta), Tony Strobl e Jack Bradbury. Na década de 1960, para atender ao mercado latino-americano e europeu, surgiu o Studio Program, que desenvolveu novos personagens, a exemplo do atrapalhado primo Peninha (criado pelo roteirista Dick Kinney e pelo desenhista Al Hubbard) e dos espiões 0-0 Zé-ro e Pata Hari (paródia de James Bond).

Nos anos 1970 os quadrinhos Disney norte-americanos ficaram repetitivos e foram gradativamente perdendo leitores. O destaque fica apenas para as aventuras do Superpateta desenhadas por Pete Alvarado e para as histórias curtas de Mickey com arte de Paul Murry. A década seguinte foi marcada pelo aparecimento de novos quadrinhistas (Keno Don Rosa e William Van Horn), responsáveis pelo "renascimento dos quadrinhos Disney". Don Rosa, por exemplo, retomou a obra de Barks e recriou clássicos desse artista, como a série "A Saga de Tio Patinhas", que conta a história do personagem desde a infância pobre na Escócia até sua velhice como milionário e o encontro com os sobrinhos. Atualmente, as revistas de quadrinhos são editadas pela Boom! Kids e trazem basicamente histórias criadas na Europa, principalmente na Itália.

Disney no Brasil

No mesmo ano em que surgiram nos Estados Unidos, as tiras de Mickey chegaram ao Brasil. Na edição 1277 da revista O Tico-Tico, os leitores brasileiros encontravam as "Aventuras do Ratinho Curioso - Walt Disney e UB Iwerks. Exclusividade para O Tico-Tico em todo o Brasil". Logo, o personagem passou a aparecer sobre o logotipo da publicação ao lado de outros personagens (Chiquinho, Jagunço, Zé Macaco e Faustina, Gato Félix, Lamparina, Réco-Réco, Bolão e Azeitona, etc.), com arte de J. Carlos. Este foi o primeiro artista brasileiro a desenhar Mickey, seja em capas do Almanaque O Tico-Tico, seja em peças publicitárias publicadas na revista nos anos 1930.

Ao longo das décadas de 1930 e 1940, os quadrinhos Disney estiveram presentes nas páginas da Gazetinha, do Suplemento Juvenil, O Lobinho, Mirim, Guri e Gibi. Nesses periódicos, as tiras com os personagens Disney dividiam o espaço com histórias de outros personagens distribuídos por syndicates americanos e com histórias feitas por artistas brasileiros. Mas, de 1946 a 1948, a EBAL (Editora Brasil-América Ltda.), do editor Adolfo Aizen, publicou 17 números da revista Seleções Coloridas, sendo que 13 delas traziam histórias completas protagonizadas por Mickey, Donald e outros personagens - inclusive algumas realizadas por Carl Barks e pelo quadrinhista argentino Luis Destuet.

Em julho de 1950, a Editora Abril lançou a revista mensal O Pato Donald (que, a partir do número 22 passou a ser editada semanalmente em formatinho), seguindo o modelo da publicação argentina El Pato Donald. Dois anos depois, chegava às bancas a revista mensal Mickey. O título Zé Carioca teve início em janeiro de 1961, com o número 479 da revista do Pato, revezando quinzenalmente com ela. Já Tio Patinhas ganhou sua revista no final de 1963, inicialmente intitulada Almanaque Tio Patinhas. Na década de 1970 foram lançadas as revistas Almanaque Disney, Disney Especial (coletâneas de histórias agrupadas por temas), Edição Extra, além de diversos almanaques e edições especiais. Com o tempo, várias publicações foram descontinuadas, mas as revistas Pato Donald, Mickey, Zé Carioca e Tio Patinhas continuam a ser produzidas mensalmente.

O primeiro artista brasileiro a desenhar histórias em quadrinhos Disney foi Jorge Kato, cuja primeira história, "Papai Noel por acaso", saiu em dezembro de 1959. Até 2001, diversos quadrinhistas brasileiros realizaram histórias com personagens Disney: Waldyr Igayara, Carlos Edgard Herrero, Renato Canini, Primaggio Mantovi, Maocir Rodrigues Soares, Irineu Soares Rodrigues, Luiz Podavin, Roberto Fukue, Euclides Miyaura, Eli Leon, Gustavo Machado, Paulo Borges e os roteiristas Cláudio de Souza, Ivan Saidenberg, Júlio de Andrade Filho, Gerson Teixeira, entre outros. Da imaginação desses artistas saíram personagens como Morcego Vermelho, Biquinho, Zico e Zeca, Pedrão, etc.

Produção europeia

A primeira revista com os quadrinhos Disney na Europa, Mickey Mouse Annual, foi lançada na Inglaterra no final de 1931 e continha histórias realizadas pelo artista britânico Wilfred Haughton. Em julho de 1937 começava a circular Mickey Mouse Weekly, que, além de Haughton, contava com William Ward (autor das aventuras vividas por Donald ao lado do marinheiro Mac), Basil Reynolds e Ronald Neilson.

Mas o país que mais produz quadrinhos Disney é a Itália. No começo, os personagens Disney eram desenhados por artistas italianos sem o consentimento do estúdio americano, mas essa situação mudou quando o editor Arnoldo Mondadori adquiriu os direitos de publicação e lançou, em 1935, o jornalzinho Topolino, que passou a contar com histórias elaboradas por Antonio Rubino e Federico Pedrocchi. Ao término da Segunda Guerra Mundial, Topolino foi relançado em formatinho como revista (inicialmente mensal e, depois, semanal). Nesse período destacam-se os "mestres Disney italianos" Romano Scarpa (criador da pata Brigite, Tudinha, Pata Ieié, etc.), Giovan Battista Carpi (co-autor das aventuras do Superpato), Giorgio Cavazzano, Massimo De Vita e Marco Rota, entre outros. Esses artistas criaram o estilo italiano de desenho Disney, o que mantém a Itália como a maior produtora de quadrinhos Disney.

Também a Holanda e a Dinamarca têm uma longa tradição e uma grande produção de quadrinhos Disney. Quadrinhstas como o holandês Daan Jippes (que está refazendo histórias escritas por Carl Barks e desenhadas por outros artistas), o espanhol César Ferioli Pelaez e o chileno Victor Arriagada Rios, mais conhecido como Vicar, continuam a manter na atualidade a tradição dos quadrinhos Disney, que mesclam aventura e humor.

Roberto Elísio dos Santos é vice-coordenador do Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP, jornalista, professor do Programa de Mestrado em Comunicação da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS) e autor dos livros Para reler os quadrinhos Disney (Paulinas) e História em Quadrinhos Infantil - leitura para crianças e adultos (Marca de Fantasia) e organizador de O Tico-Tico 100 anos: centenário da primeira revista de quadrinhos do Brasil (Opera Graphica).



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