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Sanctuary
Érico Borgo
Não faz muito tempo aqui no Brasil e mangá era sinônimo de histórias cômicas ou de samurais e ficção - afinal, era só o que tínhamos em banca: humor e ação. Felizmente, a Conrad está apostando cada vez mais na expansão dos gêneros, colocando ao alcance dos leitores adultos histórias empolgantes de terror, suspense, eróticas e policiais.
O excelente Sanctuary é exemplo disso, um mangá policial que acompanha as carreiras de dois homens, Hojo e Asami, que acreditam que o Japão é uma sociedade velha, acomodada e despreocupada com o futuro. Assim, imbuídos de enorme ambição, os dois decidem dominar o país e transformá-lo no seu santuário - Hojo através das forças criminosas da Yakuza, Asami através da política.
A trama do talentoso Sho Fumimura é extremamente envolvente, daquelas que não dá pra largar antes do final. Cada capítulo traz reviravoltas tão inteligentes como seus protagonistas, verdadeiros mestres da manipulação. Além disso, conta com a surpreendente arte de Ryoichi Ikegami (Mai - A Garota Sensitiva, Crying Freeman), desenhista dono de um expressivo traço, que inventa ângulos e enquadramentos fantásticos, amplificando a força do texto através das imagens e dando à história um ritmo assombroso.
Sanctuary tem 240 páginas em preto e branco, formato 13,4 x 20,2 cm e custa 12 reais.
Monster
Érico Borgo
Igualmente incrível é o mangá Monster, de Naoki Urasawa. Trata-se de um suspense cadenciado, que aplica na história algumas das mais importantes regras do gênero com louvor, algo tão difícil de se obter hoje em dia.
Nele conhecemos o Doutor Tenma, um jovem e brilhante neuro-cirurgião japonês, que está fazendo meteórica carreira num importante hospital alemão. O primeiro volume, quase na íntegra, dedica-se a apresentar o médico e desenvolver seu caráter e passado. A partir daí, quando o leitor já criou seus vínculos com o personagem, começa a verdadeira história - uma decisão de quinze anos atrás volta para assombrá-lo, dando início a uma reviravolta na vida do médico, que se vê no meio de uma intrincada trama de assassinato e responsabilidade.
Dono de um traço um tanto convencional, Urasawa concentra seus esforços na história elaboradíssima. O resultado é um clima de tensão crescente, mas que faz com que o mês passe devagar, à espera de um novo capítulo.
Monster tem 224 páginas em preto e branco, formato 13,5 x 20 cm e custa 12 reais.
Ultra: Sete Dias - Vol. 1
Por Marcelo Forlani
Quem assistiu à comédia Minha super ex-namorada (2006) e curtiu já tem o que ler este mês. Está nas lojas especializadas o primeiro volume de Ultra: Sete dias minissérie criada pelos Luna Brothers e que a Pixel lança aqui no Brasil. Apesar ser protagonizado por super-heroínas, a trama passa longe do gênero capas e cuecas para fora da calça quando o assunto é a sua história. Os dois irmãos preferem apostar no cotidiano de personagens femininas para entreter seus leitores. O resultado é bem interessante. Não é à toa que vem sendo comparado com a série de TV Sex and the City.
A personagem que dá título à série é Pearl Penalosa. Ela é uma das heroínas de Spring City. Linda e solteira, ela foi indicada ao prêmio de Melhor Super-Heroína do Ano, mas o assunto principal quando ela se encontra com as suas amigas é sempre o mesmo: quando é que ela vai arranjar um namorado? Tarefa nada fácil para uma workaholic, mas segundo disse uma vidente que leu seu futuro, ela vai encontrar seu verdadeiro amor em sete dias.
A arte de Jonathan Luna é linda, clean e sexy. Além de ilustrar a história, ele também cria os desenhos para as capas, que homenageiam famosas revistas como Maxim, Rolling Stone e Time, e propagandas de balas, cigarros e refrigerantes - tudo isso para mostrar que além de salvar o dia, as moças ainda ajudam seus chefes a ganhar dinheiro explorando suas imagens.
Os diálogos realistas do roteiro escrito por Joshua Luna chamaram a atenção do showbiz. A história acabou nas mãos da produtora Barbara Hall (Chicago Hope e Joan of Arcadia), que decidiu transformá-la em uma série de TV. O piloto foi produzido, mas parece que não foi muito bem aceito pelos figurões da CBS, que não deram o sinal verde para a produção da série. Uma pena!
Formato americano. 132 páginas. Preço: R$ 33,90. Pixel Media.
Caim
Érico Borgo
Aposta interessante a publicação de Caim pela Mythos Editora.
Na trama compentente, um bebê descartado num lixão é batizado Caim, o mesmo nome maldito do pária bíblico. A criança cresce como um renegado sem filiação conhecida - tentando desesperadamente sobreviver às armadilhas que o destino lança em seu caminho numa Buenos Aires futurista, onde as convulsões sociais e a repressão são a ordem do dia.
Trata-se de uma história em quadrinhos do roteirista Ricardo Barreiro (1949-1999), argentino de Buenos Aires mais conhecido na Europa, onde trabalhou exilado. A obra foi originalmente publicada no final da década de 1980 ao lado do amigo Eduardo Risso, também argentino, ilustrador bem mais conhecido dos brasileiros devido ao sucesso da série 100 balas.
Caim é, portanto, uma história em quadrinhos 100% portenha, algo raríssimo de ser ver por aqui fora do universo de Quino e sua Mafalda! Conhecê-la é algo indispensável, ao menos para que se tenha uma experiência diferente dos universos habituais a que estamos acostumados em nossas bancas.
A edição única tem 92 páginas em preto e branco, formato 20,5 x 27,4 cm e custa 19,90.
Authority - Sob nova direção
Érico Borgo
Isso já deveria estar claro na cabeça dos leitores, mas vale repetir: Authority é uma das melhores histórias de super-heróis já escritas e leitura obrigatória para os fãs do gênero.
O segundo encadernado que a Devir coloca nas lojas é ainda melhor que o primeiro. O primeiro arco de histórias, Trevas cósmicas, segue com a excelência de sempre com o roteirista inglês Warren Ellis e o ilustrador Bryan Hitch no comando. Ele mostra a desesperada luta do pouco ortodoxo supergrupo contra Deus (é isso aí...) e o destino da Garota do Século XX, Jenny Sparks, na virada do milênio.
A partir daí, porém, entram em cena Mark Millar e Frank Quitely e a coisa fica ainda melhor. Millar posiciona a autoridade global como uma crítica ao mesmo tempo política e ao universo dos super-heróis. O resultado é assombroso e talvez o melhor momento em toda a história da série.
Infelizmente, porém, a edição não acompanha a qualidade dos criadores. A Devir pisou feio na bola e mexeu no formato. Enquanto o Volume Um tem formato americano e qualidade de produção impecável, a segunda edição diminui alguns centímetros (junte as duas na estante e veja só que tristeza) e tem produção lamentável, com uma digitalização malfeita que esculhamba a arte de Quitely e Hitch. Cadê a qualidade do primeiro volume? Por conta disso, despenca a nota da HQ de 5 ovos para apenas 3.
Sob nova direção tem 182 páginas coloridas, formato 16,8 x 26,8 cm e custa 43 reais.
Aberrações - No coração da América
Marcelo Forlani
Os problemas de Authority passam longe de Aberrações, da mesma Devir, que tem tratamento gráfico impecável...
Steve Niles deve ser o artista não regular de uma revista de linha com o maior número de títulos publicados no Brasil recentemente. Pelo tanto que falamos dele aqui no Omelete, parece até que todo mês sai ao menos um novo álbum vindo de sua mente doentia. (Infelizmente) Não é verdade. Aberrações - No Coração da América é apenas o quarto título dele a aterrisar por aqui - os outros foram Crimes Macabros, Dias sombrios e o já clássico 30 dias de noite, que está sendo adaptado para os cinemas e ganhou até um lugar na lista H(o)T aí no menu esquerdo do site.
Neste novo álbum, Niles deixa de lado a parceria com Ben Templesmith, para trabalhar com Greg Ruth. Os estilos dos dois desenhistas são bem diferentes, mas têm lá a sua semelhança no jeito de contar a história com muitas sombras. Ruth dá ao álbum um jeitão de cinema, principalmente nos espasmos sofridos por Will, e muita velocidade.
A história se passa em uma zona rural no interior dos Estados Unidos, com direito a xerife e tudo. Nada de muito interessante acontece por lá. O último grande evento rolou quando várias mulheres, de diferentes famílias, deram à luz no mesmo momento as tais aberrações do título, incluindo aí Will, um gigante cabeçudo extremamente forte e ágil. As conseqüências deste fatídico dia você não lerá por aqui. Se quiser saber, terá que ver com seus próprios olhos. A má notícia é que você vai chegar ao fim muito rapidamente, já que a história é muito mais gráfica do que textual. A boa é que ainda tem muitas histórias com a grife Steve Niles esperando para chegar por aqui.
Aberrações tem 152 páginas coloridas, formato americano e custa 38,5 reais.
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