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Aqui Dentro e Lá Fora - 4 de agosto

Pequeno Vampiro e o Kung Fu e Superman #701

Érico Assis
05 de Agosto de 2010

Pequeno Vampiro e o Kung Fu

Pequeno Vampiro e o Kung Fu

Petit Vampire fait du kung fu
Joann Sfar
França , 2000 - 32 páginas
Ação / Infantil / Terror Zahar

Excelente
Superman #701

Superman #701

Superman #701
J.M. Straczynski e Eddy Barrows
EUA , 2010 - 24 páginas
Ação / Aventura / Drama DC Comics

Ótimo

As colunas AQUI DENTRO e LÁ FORA se fundiram e ganharam uma periodicidade semanal, dando mais vazão para as coisas que saem no Brasil e manter você também atualizado sobre o que está acontecendo longe das nossas bancas.

Veja os destaques da semana:

AQUI DENTRO: PEQUENO VAMPIRO E O KUNG FU

O QUÊ: Segundo volume de histórias do Pequeno Vampiro e seu amigo Michel. A HQ infantil é publicada pela editora Zahar, que lançou o primeiro volume em 2005. Na França, o personagem já ganhou uma série de animação.

QUEM: Joann Sfar, um dos maiores nomes dos quadrinhos na França, autor de O Gato do Rabino, também já publicado no Brasil pela Zahar.

POR QUÊ: Leia de novo acima. Joann Sfar é um dos maiores nomes dos quadrinhos na França. Já foi chamado de gênio, é comumente chamado de "prolífico" - publicou quase 100 álbuns nos 15 anos de carreira, enquanto a maioria dos autores do país faz só um por ano - e aparenta ter uma imaginação sem fim. Tanto que recentemente a emprestou ao cinema francês, convidado a dirigir uma cinebiografia onírica do famosíssimo músico Serge Gainsbourg.

Dessas qualificações, tira-se pelo menos duas conclusões. A primeira: por que ele é tão pouco publicado no Brasil? E a segunda, por consequência: tem-se que comemorar cada álbum dele que sai no Brasil.

Pequeno Vampiro e o Kung Fu tem muitos motivos para comemoração. É uma HQ para crianças, mas muito diferente de qualquer história infantil. Para começar, Sfar não desenha "bonitinho". Além disso, sangue, terror e violência não são tabus.

Já na primeira página, o menino Michel diz que quer pegar um fuzil e matar todos os bullys do colégio. A partir daí começa uma viagem com seu amigo Pequeno Vampiro para treinar kung fu e ficar forte para enfrentar os valentões. A viagem tem monstros assustadores (ainda mais assustadores no traço rápido de Sfar), crianças correndo risco de morte e até palavreado que nenhum censor permitiria nos quadrinhos e animações infantis dos EUA ou do Brasil.

Mas Sfar faz isso com ótimas intenções. Como toda boa história infantil, há uma lição a ser aprendida na jornada de Michel e do Pequeno Vampiro. E não é a que você espera. O desfecho é brilhante.

É interessante saber que Sfar linka muitas de suas obras. O Pequeno Vampiro, por exemplo, tem uma versão adulta protagonista de álbuns onde passa por várias desilusões amorosas. E Sandrina, a namoradinha de Michel, tem sua própria série de álbuns, escritas pelo colega Emmanuel Guibert. Sem falar nos temas judaicos, que atravessam sua obra e estão em mais destaque em O Gato do Rabino.

Aproveitando: Zahar, está mais do que na hora de retomar O Gato do Rabino! Pra não dizer que Pequeno Vampiro tem mais 5 álbuns já lançados na Europa.

P.S.: Para quem me acompanha no Twitter, o bonequinho do meu perfil é justamente o Michel de Pequeno Vampiro. Todo mundo que olha a HQ diz que é minha versão desenhada.

ONDE E QUANTO: Nas livrarias. O álbum tem 32 páginas e preço sugerido é de R$ 29,90.

LÁ FORA: SUPERMAN #701

O QUÊ/QUEM: Primeira edição da nova fase do Superman, pelo escritor J.M. Straczynski e o desenhista brasileiro Eddy Barrows.

POR QUÊ: J.M. Straczynski, ame-o ou o odeie. O roteirista é um dos que mais polariza fãs nos EUA, por trabalhos como Poder Supremo, Homem-Aranha e Thor. Ele chega inclusive a gerar essa reação nos próprios colegas escritores: há poucos dias Mark Waid reclamou, via Twitter, que em toda entrevista Straczynski parece dizer que tudo que veio antes dele, em qualquer personagem que assuma, estava errado.

Com Superman (e com a Mulher-Maravilha, que ele também assumiu recentemente), a situação se repetiu. Superman #701, sua primeira edição, criou uma trincheira: há críticos que detestaram, outros que a acharam renovadora.

Tem a ver com a proposta de Straczynski na série. No arco "Grounded" ("no chão"), que vai durar um ano, Superman vai caminhar pelos EUA para ter maior contato com o país. Ele até pode usar seus poderes de vez em quando, mas nada de sagas espaciais nem cortar caminho voando ou correndo. Caminhar para encontrar pequenas histórias, resolver pequenos problemas. Uma mudança de perspectiva.

A proposta parece ainda mais riponga quando você lê. Lembra os quadrinhos dos anos 70, como a clássica fase de Lanterna Verde/Arqueiro Verde em que eles descobriam os Reais Problemas Sociais do Mundo. Superman ajuda uma família a consertar o carro, uma vizinhança tomada por traficantes, um idoso que se recusa a ir ao médico (sim) e uma suicida que quer se atirar de um prédio.

A cena da suicida, aliás, parece ter alguma crítica velada. É muito similar à cena já clássica de All-Star Superman #10, em que o Super também impede que uma suicida se atire de um prédio. Na HQ de Morrison, porém, a cena dura uma página e meia (o contexto da edição é mostrar tudo que Superman é para o mundo). Na de Straczynski, são oito páginas de muito falatório. Só não entendi qual a sacada que ele quis fazer com a história do Morrison.

Falatório é algo já clássico do autor, para quem conhece, por exemplo, Midnight Nation. São longos papos de livro de autoajuda - você tem que se descobrir, e ser forte, não existe jeito normal de levar a vida, seja você mesmo, blábláblá -, nos quais o escritor parece se achar mestre. O próprio Superman encerra a edição explicando o heroísmo através de uma citação de Henry David Thoreau. Ok, Thoreau está longe de ser auto-ajuda - mas quando que você ia esperar ver Superman citando Henry David Thoreau?

Os desenhos do brasileiro Eddy Barrows complementam a sensação de anos 70. A anatomia perfeita, realista, as expressões bem escolhidas e a variação de ângulos lembram muito Neal Adams. É o melhor trabalho que Barrows já apresentou.

Você tem que concordar com o pessoal que diz que é uma visão renovadora do Superman. Faz tempo que não sai uma HQ tão diferente do herói - e estava fazendo falta. Agora é só saber como Straczynski vai manter esse pique de renovação em "Grounded" por mais um ano.

ONDE E QUANTO: Só importando. O preço de capa é US$ 3,99.


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Comentários (17)

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RAFAEL RAFAEL (12/08/2010 03:03:09)   8 0
Superman merecia mais.................



Maria Raquel Maria Raquel (11/08/2010 11:03:20)   1 0
Eu quero "Pequeno Vampiro e o Kung Fu", espero que já tenha chegado por aqui.


lol



sem avatar Hilter Frazão (10/08/2010 16:15:56)   1 0
Até certo ponto essa idéia do Straczynski para o Superman, não tem nada de inovador, aliás isso é até meio amador. Ora, querendo ser diferente, ele faz a coisa mais óbvia que alguém poderia fazer com o Super, querendo ser diferente: Se o Super voa, é um dos heróis mais poderosos(se não o mais)e estamos habituados a vê-lo em embates titânicos, por quê não trazê-lo paro o chão(grounded)? Convenhamos, outros caras com certeza já teriam pensado nisso, mas acho que viram que isso não seria legal para o personagem! Como nosso amigo disse: Enquanto o Super leva o velhinho para o hospital, aviões despencam do céu, predios em chamas desabam, pessoas morrem de fome na África, terremotos, tsunamis e outros cataclismas matam milhares de pessoas! Pô Straczynski, até eu escrevo melhor!!!!



Rafael Rafael (09/08/2010 18:19:13)   0 0
Resumindo:

J.M. Straczynski é um pretencioso escritor oriundo de TVSéries que escreve bons diálogos e cria algumas boas situações. Somente. Ponto final.

Lendo assim até parece ser bom, mas essa pretenção dele é algo surpreendente.

Sempre que pega um herói ele quer deixar sua marca e o reinventa. Mas o histórico de reinvenções nos quadrinhos não são muito boas...

Nunca gostei de escritor que cria polêmica pra chamar atenção. Aranha com poderes místicos, lixo...filhos da Gwen com o Norman, lixo de escala kryptoniana...revelação da identidade de Peter Parker(ok foi o Millar mas tenho certeza que ele deu pitaco e aval, afinal é quem comandava a casa do Aranha), tb foi aquele lixo que não vem sozinho...pacto com Mephisto (não me venham com essa que é tudo culpa do Quesada) foi o lixo "efeito dominó" para deletar não só o casamento mas tudo que ele vinha fazendo no título aracnídeo.

Na Marvel, salva-se o trabalho em Poder Supremo e Thor, com dois poréns. Em Poder Supremo ele não chegou a um objetivo. E em Thor, apesar do bom trabalho, faltou ação.

Inclusive essa é marca do trabalho dele, falta de ação. Conversa mais conversa e nada de ação. Digam qual bom vilão ele criou ou pelo menos usou?

E olhe que ele passou pelo Aranha, um dos heróis com a maior galeria de vilões. Somente usou bem: o Octopus e o Rei do Crime.

Criar? Morlum, Vespa, Sombra, um mafioso zumbi de radiação gama e um mané de couraça dourada cópia do Magma. Qual será reaproveitado?

E agora vai pra DC e o que faz? Superman levando velhinhos ao hospital enquanto morre gente em guerra pelo mundo?

Na Mulher Maravilha o que faz? O pacto do Mephisto que não conseguiu fazer com o aranha.

Nhé pro J.M. Straczynski!!!



sem avatar danielpaz (08/08/2010 23:14:55)   36 0
Não concordo contigo, Carlos.

Loeb é um Michael Bay dos quadrinhos.
Estranhinsky é o oposto: suas histórias mais "autorais" são constantes prelúdios.

Poder Supremo não engrenou. O que ficou de história relevante dessa série? Ficou na promessa. As premissas eram boas. Apenas não aconteceu muita coisa.

Com Thor, idem. Sem ele, as coisas começaram a acontecer.

Rising Stars tem boas idéias, e boas situações, mas é um tanto pretensiosa...

Os diálogos deles são bons. As situações, idem. Ele apenas não consegue ter feeling de quadrinhos. E antes de se dizer que isso é típico de bons escritores, Moore nunca teve nenhum problema em fazer histórias com outro timing.

Resumindo: não acho que Grounded dure muito. Ele vai sair, sem ter acontecido muita coisa. Que nem rolou nos últimos contratos deles com heróis.



sem avatar Denis (08/08/2010 13:31:08)   0 0
Pois eh...so espero que ele tenha respeito, pois super-homem representa tudo de bom que queremos e podemos ser no mundo...nada de deixar ele solteiro



Ana Ana (07/08/2010 16:04:02)   9 0
Superman é incrivel de qualquer jeito... É o Superman oras rsrs!
Mas essa idéia de resolver pequenos problemas não é muito nova, no inicio ele ja era assim.



Bruno Veland Bruno Veland (06/08/2010 22:51:15)   1 0
32 páginas por 29 pilas ? O jornal tem 20 e custa 50 centávos oras !

Por essas coisas que eu não tive interesse em aprender a ler e hoje sou rico !



sem avatar Marcio (06/08/2010 17:32:52)   14 0
"O álbum tem 32 páginas e preço sugerido é de R$ 29,90".
29,90 - TENSOOOOOOO...
CARO...
Pode valer a pena... Mas é caro pacas.



Carlos Carlos (06/08/2010 13:30:10)   2 0
Acho o Strazynsk um bom escritor. Na marvel escreveu muito bem os titulos que pegou. Lógico, o melhor deles sem dúvida foi Poder Supremo. Mas em Thor ele foi muito bom.... já no Homem-Aranha....

Ele se envolveu numa polêmica das grandes o que alias foi o prelúdio da saida dele da MArvel. MAs não foi culpa dele. A ideia estúpida do Homem-Aranha fazer acordos com Mefisto embora foi ele quem assinou não foi roteiro dele, foi do Quesada e o próprio Strazynsk confirmou. E depois que ele veio a público dar nome aos bois Quesada ficou fulo e começou ai um péssimo ambiente de trabalho que culminou com a saída do Strazynsky da Marvel.

Boto fé nesse novo arco de histórias do Superman. CErteza que vindo dele será um ótimo trabalho.



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Abelardo Abelardo (06/08/2010 10:06:47)   0 0
Não suporto aqueles que querem fazer quadrinhos virar fotonovela. É perfeitamente possível fazer bons quadrinhos sem cair no infinito blá blá blá blá blá...



sem avatar aloisio (05/08/2010 20:01:25)   -4 0
O que fazer com o superman ,roteiros simplistas como os do jep loeb ,sem pé nem cabeça igual o do azzarelo ,ou os mecanicos e medidos do geof johns ,cara a dc parece estar querendo modernizar o personagem ,grant morrison fez um excelente trabalho em grandes astros superman ,mas isso é caso isolado ,ha um consenso que o personagen se bem balizado gera grandes historias ,mark millar ja deu pistas para isso ,alan moore tambem ,o strazza não é um zé mané qualquer ,o problema é que fã da dc ,esqueceu de crescer ,voce mexe em alguma coisa e os caras ja começam a choromingar ,geof johns parece que tem visão editorial ,jim lee ja é fato consumado,e parece que a missão deles é tornar os icones da dc relevantes novamente ,strazza esta tentando fazer o superman dialogar com a realidade moderna ,com toda a sua dicotomia ,thoreau? ,se um fã do superman procurar conhecer este grande figura das ideias politizadas ,então ele atingiu seu objetivo.



Juliana Juliana (05/08/2010 18:38:13)   1 0
Superman sempre causando polêmica, seja por ser um "escoteiro" (rótulo que acho tosco) ou por citar Henry David Thoreau... ;P

Vamos ver no que dá essa "reinvenção" do Man of Steel.



Marcelo Marcelo (05/08/2010 13:19:15)   31 0
Alekis, é normal desenhistas brasileiros mudarem um pouco o nome nos quadrinhos americanos. Isso começou na década de 90 com a suspeita de que os leitores teriam algum tipo de preconceito com autores estrangeiros, mas isso nunca aconteceu. De qualquer forma ficava interessante mudar o nome para criar um nome artístico.

O nome verdadeiro do Eddy Barrows é Eduardo Barros. Ele mudou pra Eddy de propósito, mas o Barrows foi erro dos gringos e pegou.



alek alek (05/08/2010 12:21:37)   -17 0
Brasileiro com nome de Eddy Barrows?
Ah, tá. Ok.



DY \o/ DY \o/ (05/08/2010 11:28:23)   1 0
quando sai o superman ou batman terra um ????



Alexsandro Alexsandro (05/08/2010 10:33:52)   -18 0
Gosto quando vejo novas propostas para o homem-de-aço. JMS é sempre bom mesmo. Gosto de sue estilo com grandes cenas de diálogos, faz falta nos quadrinhos esse detalhe.




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