Bill Watterson, o criador de Calvin & Haroldo, fez uma rara pausa na aposentadoria para falar de um ídolo: Charles Schulz, criador da tira Peanuts. Watterson resenhou para o jornal Wall Street Journal a nova e controversa biografia do pai de Snoopy e Charlie Brown, chamada Schulz and Peanuts.
Desde que encerrou sua tira em 2005, o criador de Calvin nunca mais apareceu em público, deu apenas uma entrevista - perguntas enviadas pelos fãs, por ocasião do lançamento da caixa Complete Calvin & Hobbes - e, apesar de rumores de que se dedica à pintura, nunca exibiu ou publicou seus novos trabalhos.
Em 1999, ele escreveu um artigo sobre Schulz para o jornal Los Angeles Times, por ocasião do fim de Peanuts - a tira se encerraria no ano seguinte, o mesmo da morte de seu autor. Voltar a falar do mestre prova a idolatria que Watterson tem por Schulz.
"Na minha infância, eu colecionava os livros anuais de Peanuts e os usava como meu curso pessoal de cartum, copiando os desenhos com a idéia de algum dia tornar-me o próximo Charles Schulz", ele confessa no início da resenha.
Para Watterson, o livro de David Michaelis é recomendável a todo fã de Charlie Brown. O resenhista destaca as relações que Michaelis cria entre cada época da vida de Schulz e as tiras que produzia - atribuindo, por exemplo, o amor impossível entre Schroeder e Lucy ao próprio sentimento do autor quanto ao primeiro casamento, que resultou em divórcio. No livro, as tirinhas são reproduzidas ao lado do texto.
Watterson ainda dá uma leve alfinetada, quando comenta as qualidades da tira: "Os desenhos limpos e minimalistas, o humor sarcástico, a honestidade emocional inflexível, os pensamentos de um animal de estimação, as crianças levadas a sério, as loucas fantasias, a enormidade do merchandising" - o cartunista, ao contrário de Schulz, nunca aceitou os milionários contratos para transformar Calvin e Haroldo em bonecos, adesivos, capas de caderno, lancheiras, rótulos de shampoo... E, pelo jeito, não vê com bons olhos a opinião contrária de seu mestre, mesmo com toda a idolatria.
"Apesar de toda influência que Peanuts teve sobre mim, eu me contentava em admirar Schulz de longe, e, como a maior parte de seus milhões de leitores, nunca o conheci. O senhor Michaelis realizou uma extraordinária investigação e escreveu um relato perceptivo e comovente da vida de Schulz. O livro finalmente apresenta Charles Schulz para todos nós", conclui Watterson.
Você pode ler a resenha completa aqui. E, enfim, com até Bill Watterson recomendando, qual é a editora que vai trazer Schulz and Peanuts para o Brasil?
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