Sábado, tradicionalmente, é o dia mais concorrido da Comic-Con. É aquele que se esgota mais rápido e também o dia com mais atrações especiais. Este ano não seria diferente. A sala H começou com uma gigantesca fila, que forçou Érico Borgo a acordar cedo e cambalear tal qual os zumbis de Walking Dead até lá. O motivo: entrar para ver o primeiro vídeo de Lanterna Verde. Enquanto isso, Marcelo Forlani tirava o atraso, publicando o painel do dia anterior, em que Guillermo Del Toro deu uma aula de cinema. Veja o que os dois editores do Omelete fizeram hoje:
Érico Borgo
Foram duas horas e meia na fila, mas o meu desespero começou muito antes disso, quando andava à procura do fim da fila e ia ficando cada vez mais longe da porta da Sala H e, consequentemente, do Lantarna Verde. É uma tarefa que testa a fé de qualquer nerd acordar tão cedo para ver de perto a cara de um super-herói. E depois de 150 minutos parado - tempo suficiente para escrever o Da Frigideira Scott Pilgrim - desisti dos deuses nerds e apelei para algo superior: uma amiga que trabalha em um grande estúdio e me ajudou a entrar por uma porta lateral. Eu entrei e consegui ver tudo o que queria. Mas a última notícia que tive da minha amiga é que ela foi pega "contrabandeando" um outro colega jornalista e banida do prédio principal da Comic-Con. Ela precisa fazer um estágio com os mexicanos que ajudam a atravessar a fronteira aqui do lado.
Dentro da Salal H, os paineis seguiram a seguinte ordem: Lanterna Verde (com as presenças de Ryan Reynolds, Blake Lively, Mark Strong, Peter Sarsgaard e o diretor Martin Campbell), Harry Potter (com Tom Felton) e Sucker Punch (que teve Zack Snyder, Vanessa Hudgens, Emily Braunen, Gena Malone, Jamie Chung, Carla Gugino e Abbie Cornish). Quem mais recebeu aplausos foi o ótimo trailer do sétimo Harry Potter, mas a grande surpresa foi o empolgante trailer de Sucker Punch. Depois disso, saí dali, atravessei a rua e me enfurnei no Hilton Bay Front, onde pude participar de entrevistas com os artistas dos filmes que tinha acabado de ver.
Mais ao fim do dia, me encontrei com o Forlani e juntos fizemos entrevistas em vídeo sobre os filmes Cowboys & Aliens e Thor. Foi bom conversar com o criador da HQ que está sendo adaptada por Jon Favreau e Olivia Wylde, mas o que valeu o dia foi ganhar um cumprimento secreto dos roteiristas Roberto Orci e Alex Kurtzman quando dissemos a eles que o Omelete tinha feito a primeira exibição de Star Trek da América Latina.
Nas entrevistas com o presidente do Marvel Studios, Kevin Feige, o diretor de Thor, Kenneth Branagh, e seu elenco principal. Tudo ia bem, até que passa do meu lado Natalie Portman. Olho para a cara do Forlani, que está branco e igualmente sem palavras.
Com o fim dos trabalhos, nada melhor do que uma cerveja, então corremos até o Omni Hotel, onde a Warner Bros. estava dando uma festa para Sucker Punch. Aqui nos Estados Unidos, é comum as festas terem hora para acabar. Chegamos ao hotel 3 minutos antes do fim e tudo o que conseguimos foi uma cerveja cada, olhar o buffet de comida já vazio e ouvir a última música que a DJ tocou. Sem mais o que fazer por ali, pegamos nossas coisas e partimos em busca de algo para jantar. Paramos no Hooters para comer e caçoar dos outros.
Marcelo Forlani
Hoje consegui sair mais tarde do hotel. Mas não com mais calma. Saí em cima da hora e corri como sempre para chegar ao destino final, o Hilton que fica do lado do Centro de Convenções de San Diego. Era lá que faria as entrevistas de Resident Evil 4: Recomeço. Porém, ao chegar por lá, recebi a notícia de que Milla Jovovich tinha chega às 4h da manhã em San Diego e talvez não conseguisse descer para participar das entrevistas. "Mas não é certeza. Cruze os dedos", disse a assessora de imprensa. Eu cruzei. Todos os 20, mas não adiantou. Acabamos conversando apenas com o diretor Paul W. S. Anderson e a atriz Ali Larter.
Saí dali direto para o Centro de Convenções porque sábado é o dia do Masquerade, o concurso de Cosplayers, que reúne fantasiados de todos os tipos e tamanhos. Cheguei até a conversar com os primeiros da fila, que me disseram que estavam lá desde as 5h da manhã - para um evento que só começaria às 19h30. Tirei algumas fotos de um, conversei com outros, e até ganhei um abraço cheio de amor de um free hugger.
Mas depois disso, era hora de voltar à realidade e enfrentar fila. Destino: Sala H, onde seria mostrado o painel de Resident Evil, Paul, Cowboys & Aliens, Marvel (Thor e Capitão América) e, para encerrar, o já tradicional stand-up com Kevin Smith, que encerra a programação do local. Foram três horas na fila. Neste tempo, editei uma entrevista que você vai ler em breve, adiantei outra, comi meu muffin, tomei água, sentei na grama, levantei e a fila não andou! Eu estava bastante perto da entrada. Em um dia normal, bastaria meia hora para entrar. Mas dias normais não existem na Comic-Con. Não mesmo!
De repente, todo mundo começa a olhar para trás e gritar. Viro e vejo um cara algemado sendo carregado por dois policiais. Sem entender nada, e sem conexão para checar online, pergunto ao povo da minha frente e fico sabendo o que estava acontecendo: uma pessoa que estava guardando lugar havia sido esfaqueada (segundo me contaram, no olho!). O cara que passou algemado era o meliante em questão. O incidente atrasou a programação do Hall H em meia hora. Já quase sem perspectiva de entrar, recebi do Érico um SMS dizendo para eu correr para o hotel onde ele estava, pois em cinco minutos começaríamos a fazer as entrevistas de Cowboys & Aliens.
Como o Érico já disse lá em cima, conversamos com o criador da HQ, a atriz Olivia Wylde e os roteiristas Roberto Orci e Alex Kurtzman. Mas quase na hora de conversar com o diretor Jon Favreau, o Érico foi cooptado pelos agentes da Marvel. Sozinho e persistente, consegui meus 30s com Jon Favreau, que estava com pressa e foi atencioso, mas ligou o piloto-automático e não falou nada que salvasse. Fui até a sala onde estava o Érico para dizer que estava indo para a festa da Warner, quando ele me disse que as entrevistas poderiam ser filmadas. Liguei a câmera, encostei na parede para mexer o mínimo possível e quase esgotei a bateria. Depois de ver de perto o Thor e o Loki, levei um susto ao ver que estava frente a frente com Natalie Portman. Olhei para o Érico e ele parecia que tinha olhado na cara da Medusa. Estava petrificado! Foi engraçado.
Depos disso, fomos beber e dar mais risadas. Como deveríamos fazer todos os dias, mas nem sempre dá.
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