Depois de Alan Moore ser entrevistado por toda mídia anglófona, parece que agora os jornalistas de lá caíram nas graças de Grant Morrison - o escritor escocês que reinventou Superman, bagunçou a vida de Batman e, por tabela, de todo o Universo DC, além de estar envolvido em novos projetos nos quadrinhos e no cinema.
Para começar, Batman and Robin. Morrison incendiou fãs e jornalistas ao dizer que a nova série seria uma abordagem "David Lynchiana" de Batman. E, aos poucos, começa a dar mais detalhes sobre a HQ, que terá desenhos (pelo menos em algumas edições) de seu colega em Grandes Astros: Superman, Frank Quitely.
A principal dúvida é quem serão Batman e Robin. Em entrevista ao Comic Book Resources, Morrison voltou a confirmar que Bruce Wayne está fora de cena e, enquanto a minissérie Battle for the Cowl corre lá fora até junho e decide quem vai assumir a capa do morcego, o roteirista não pode dizer quem está por trás do capuz. Mas deu dois indicativos fortes:
- "Veremos Jason Todd em um papel diferente do que estamos acostumados."
- Sobre Damian, o filho de Batman com Talia al Ghul: "Ele terá um papel na série, aliás, um papel bem grande. Só que ainda não posso falar sobre ele".
Além disso, o escritor reforçou que teremos um Batman "mais alegre e espontâneo" e um Robin mais "malvado e violento". E completa: "Enquanto antes Batman era visto num papel de liderança, agora vemos Robin tendo algumas idéias próprias".
Tire suas próprias conclusões a partir daí. Nós aqui chutamos que Damian é o novo Robin. Já Jason Todd entrou no páreo para Batman: mas ainda tem que disputar o capuz com os outros ex-Robins, Dick Grayson e Tim Drake.
Enquanto no CBR Morrison falava de Batman, no blog Underwire da revista Wired ele contou de tudo um pouco. O blog revelou em primeira mão a belíssima capa da edição em capa dura de Final Crisis, que você confere ao lado. E o mais interessante da entrevista foram suas declarações sobre Superman.
A segunda coletânea de All-Star Superman saiu há poucas semanas nos EUA. A Wired pediu uma retrospectiva da obra ao seu autor. Mais especificamente, qual é sua visão de Superman:
"Nós desconstruímos nossos ícones. Sabemos que políticos são mentirosos filhos da puta, que astros da TV são viciados em cocaína, que os atores bonitos são malucos travecos e que as lindas supermodelos são bulímicas, neuróticas e caóticas. Sabemos que nossos comediantes prediletos vão virar alcoólatras pervertidos ou deprimidos suicidas. Nossos reality shows colocaram um espelho escaldante diante das nossas caras de babuíno e das nossas obsessões óbvias e ridículas pela sujeira mais baixa e a fofoca mais inútil.
Sabemos que acabamos com a atmosfera e matamos os doces ursos polares e nem temos mais energia para sentir culpa. Deixa os pedófilos levarem as crianças. Não há mais a quem recorrer ou culpar, fora, paradoxalmente, aqueles caras levemente medievais que começaram a revolução industrial. No que resta acreditar? O único homem de verdadeira moral, de verdadeiro coração que nos resta é um personagem fictício dos quadrinhos! Os únicos modelos seculares a serem seguidos em uma cultura progressista, responsável, racional-científica e iluminada são... Kal-El, de Krypton, mais conhecido como Superman, e seus descendentes multicoloridos.
Nosso objetivo era colocar Superman e seu elenco no coração de fábulas sci-fi que qualquer pessoa, de qualquer idade, poderia ler e entender, embora cada um fosse entender as histórias de um jeito. Se você acaba de perder seu pai, talvez você leia o que Clark Kent diz no funeral do pai dele e sinta um pouco de comunhão humana. Se você quer sentir como é ser adolescente, veja o fantástico desenho de Frank Quitely do jovem Superman na lua, com seu fiel supercão Krypto ao lado. Superman é nós mesmos, nos nossos sonhos. Ele vive nossas vidas, mas de forma épica. Essa foi nossa abordagem."
Para completar, Morrison falou sobre seus novos projetos na linha Vertigo da DC. Seaguy: Slaves of Mickey Eye, continuação de sua minissérie de 2004 (que fará parte de uma trilogia), sai em abril, com desenhos de Cameron Stewart. Há outra minissérie, em oito capítulos, cujo nome ele não mencionou, mas que "será uma nova versão dessas histórias de fantasia onde existe um mundo fantástico dentro do guarda-roupa" (os desenhos serão de Sean Murphy).
E, por fim, The New Bible, minissérie com desenhos de Camilla D'Errico (que fez os gibis de Avril Lavigne) - sobre a qual não comentou o conteúdo. Além disso, o escritor está tentando convencer o artista inglês Rian Hughes a fazer uma nova graphic novel.
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