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Graphic novel de Will Eisner gera polêmica em bibliotecas brasileiras

Um Contrato com Deus é acusado de ser coisa do diabo

Érico Assis
19 de Junho de 2009

Contrato com Deus

A graphic novel Um Contrato com Deus e Outras Histórias de Cortiço, de Will Eisner, é o motivo de mais uma rodada de críticas a bibliotecas e ao governo. Educadores de São Paulo e Paraná pediram que a obra, distribuída pelo Ministério da Educação a escolas públicas, fosse retirada das bibliotecas.

O motivo: Um Contrato com Deus mostra cenas de violência e sexo (sexo adúltero, como sublinham alguns), incluindo estupro e sugestão de pedofilia. Segundo os educadores, o livro está em escolas com alunos de quinta série, com média de idade de 11 anos - e o conteúdo seria impróprio para a faixa etária.

Em São Paulo, o livro foi apontado como problemático em reportagem do jornal Agora e no telejornal SPTV 1ª edição. No Paraná, segundo reportagem do jornal Gazeta do Povo, foi o vereador e professor Jair Brugnago, da cidade de União da Vitória, que solicitou que a HQ fosse retirada das bibliotecas municipais. Brugnago também pediu que livros do escritor brasileiro Dalton Trevisan, conhecido por tramas relacionadas a erotismo, também fossem tirados das bibliotecas.

A polêmica chegou inclusive a blogs religiosos, que já tratam a obra como coisa do demônio. "Infelizmente, por ser PASSIVA (não confundir com pacífica), a sociedade brasileira tem deixado o Poder das Trevas colocar em execução tudo o que foi planejado nas profundezas do inferno e simplesmente, diante de tudo isto, tem dormitado em berços esplêndidos", diz o blog Holofote.

Vale lembrar que a polêmica vem na sequência do caso com a antologia Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol e repete quase perfeitamente casos já registrados nos EUA. Além disso, é um reflexo da maior entrada dos quadrinhos nas bibliotecas públicas, como política do Programa Nacional Biblioteca na Escola do Ministério da Educação.

Um Contrato com Deus é considerada um marco na história dos quadrinhos maduros e também na carreira de Eisner, que resolveu na época investir em quadrinhos para o público adulto. Lançada originalmente em 1978, foi uma das HQs que gerou o termo "graphic novel" ("romance gráfico") no mercado e na imprensa dos EUA para destacar o novo requinte das narrativas sequenciais.

Já existe versão do clássico até para iPhone.

Leia nosso artigo O Legado de Will Eisner


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Comentários (3)

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sem avatar Romario (03/11/2010 17:33:32)   0 0
vai la governo, joga só o caderno de esportes e o resumo das novelas pra população ler. Depois não sabem porque tem gente que ainda acha que Dostoievski é onomatopeia de espiro.



Julio Cesar Julio Cesar (25/07/2010 01:26:22)   -154 0
Eu concordo que deva haver um controle mais rigoroso, talvez. Afinal a revista é recomenada para maiores de qualquer maneira.

Mas que é hipocrisia é. É só ler Capitães de Areia, por exemplo, ou muitas outras obras clássicas de literatura.



sem avatar 1berto (24/07/2010 22:21:08)   2 0
Bom, acho que o debate é justo, e um preço pequeno a pagar pela democratização dos bons quadrinhos e do reconhecimento da importância da arte sequencial.
Minha opinião quanto o assunto é simples Eisner é deus.




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