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Lá Fora

Casanova e o novo (e cancelado) Homem-Formiga

Érico Assis
01 de Novembro de 2007

Casanova
Ant-Man

Na coluna "LÁ FORA", o Omelete lê e comenta todos os grandes lançamentos em quadrinhos nos Estados Unidos.

CASANOVA 9

Complicado explicar Casanova. O personagem principal, acho, é um ladrão e espião envolvido em uma rede de espionagem que é não só internacional, mas também interdimensional, que o leva a uma dimensão onde ele foi morto por um vilão em forma de MODOK, o que finalmente o faz aceitar trabalhar para a tal rede de espionagem, controlada por ninguém menos que seu pai e tendo sua irmã como melhor agente. Ah, e ele mora dentro de um robô gigante da II Guerra Mundial.

É complicado não só porque Casanova é tão cheia de referências – aos quadrinhos da Marvel dos anos 60, à literatura fantástica de Michael Moorcock, ao mundo da música, ao que tiver rolando de frases e gestos da cultura pop supercontemporânea – que precisa de um manual para explicar as piadas. Que, aliás, vem a cada edição nas páginas finais, em textos do criador Matt Fraction.

A série começou sua segunda história na edição 8. "Quando é Casanova Quinn?" envolve a rede E.M.P.I.R.E. investigando o caso de um avião experimental chamado Elemento H, uma viajante do futuro que diz que Casanova é essencial para a "multiquintessência" e um casal de ladrões contratado para matar Casanova. Acho.

O propósito da série é mesmo isso: confundir pela quantidade. Se você consegue entender tudo na primeira leitura, parabéns. Às vezes eu dependo da terceira. Mas justamente isso, de não se vender fácil para o leitor, é o que torna Casanova interessante.

E a própria bagunça tudo-ao-mesmo-tempo-agora reflete o entusiasmo de Fraction. Numa cena que já virou antológica, na edição 7, uma briga entre o herói e vários vilões acontece sob vários recordatórios riscados, como se o escritor não tivesse se acertado com nenhum: "A brigalhada que você esperava há sete edições!", "Garotas versus garotos que enfrentam garotas que odeiam garotos!", "Belo dia para uma luta de casamento!". Até que sobra um recordatório intacto: "EU AMO GIBI!"

Como você deve saber, a série é desenhada pelos brasileiros Fábio Moon e Gabriel Bá. Bá cuidou das primeiras sete edições, e seu estilo aparentemente definia a série para os leitores. Mas Moon entrou a partir da 8 e mostrou que é possível manter o mesmo estilo e deixar as páginas ainda mais bonitas. No meio da confusão de Casanova, a clareza do desenho ajuda a gente a se achar.

A série é publicada pela Image em uma linha mais barata, de US$ 1,99 por edição – cada uma com 16 páginas de história e mais umas 8 de textos dos autores. Fraction disponibilizou a edição 8 no MySpace para você ter uma provinha do que anda acontecendo. Confira aqui.

THE IRREDEEMABLE ANT-MAN 12

Os quadrinhos são cheios de idéias legais que não deram certo. O público não se sente convencido a ler, e poucas editoras insistem em manter revista que não vende (algumas insistem, dependendo do caso). The Irredeemable Ant-Man foi mais um caso desses.

Criação de Robert Kirkman, o cara que faz magia na Image com Invencível e Os Mortos-Vivos, o novo Homem-Formiga foge da figura tradicional de herói. Eric O'Grady, seu alter ego, é um agente do mais baixo escalão da S.H.I.E.L.D. que descobre uma nova versão do uniforme de Hank Pym e começa a usar seus poderes de miniaturização para fins, digamos, mesquinhos: entrar no vestiário feminino, roubar apartamentos, extorquir pessoas.

Não só isso. O cara, apesar de uma certa inocência (que garante nossa atenção), é simplesmente um mau sujeito. Ele trai os amigos, tenta tirar proveito de todos, reage violentamente quando descobre que a namorada tem um filho. Nas primeiras edições, ele salva uma mulher de um assalto – ela faz a clássica pergunta "como posso agradecê-lo?", e ele, para espanto dela, marca um jantar num restaurante fino. Ela paga a conta, porque ele "esqueceu a carteira" – mas ele não esquece do xaveco para levá-la para a caa.

Pode não ser o primeiro super-herói mesquinho, mas Kirkman escreve-o muito bem. É essa habilidade do autor para o realismo – gente que você conhece, reagindo do jeito humano (e errado), como você possivelmente faria – que atrai tanta gente para seus trabalhos.

O "indefensável" Homem-Formiga, porém, não fez sucesso. A série não pegou (seria culpa dos desenhos pouco estimulantes de Phil Hester?) e a Marvel desligou os aparelhos na edição 12. Onde, por sinal, O'Grady tem uma virada de consciência e resolve tornar-se um herói – ou simplesmente um ser humano melhor. Não sem dar um gostinho - na última cena, quando passa por uma mega-batalha entre heróis e vilões destruindo Nova York e decide que não está a fim de se envolver - de que ainda vai demorar pra mudar.

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