Na
seção "LÁ FORA", o Omelete lê e comenta todos
os grandes lançamentos em quadrinhos nos Estados Unidos.
Será que aquele projeto que foi tantas vezes notícia aqui rendeu alguma coisa boa ou foi decepcionante? Quais são as novas séries que estão agitando os leitores americanos? Onde estão surgindo os novos nomes, seja de escritores ou ilustradores?
Vamos conferir aqui, sempre atentos às lojas especializadas americanas, as respostas para estas e outras perguntas.
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SEAGUY 3
Primeira de três minisséries que Grant Morrison está escrevendo para a Vertigo, Seaguy é a volta do escritor àqueles momentos de Homem-Animal em que, ao mesmo tempo, sentíamos que nada tinha sentido mas percebíamos que algo de genial e inovador estava surgindo. Tipo a história do Coiote ou a dos golfinhos, lembra? Se não lembra, vá ler o Homem-Animal do Morrison agora. No mundo de cara-do-mar, ser super-herói é uma coisa meio vazia, pois não existem mais vilões. Depois de mais um supercrossover cataclísmico, acabou esse lance de bem e mal. Quer dizer, mais ou menos. Ele e seu parceiro-golfinho descobrem que o último refrigerante sensação do mercado é, na verdade, um ser vivo explorado por uma mega-corporação, cuja fábrica fica num mega-navio sobre as ruínas da Atlântida, a qual ele descobre ter sido submersa quando a Lua alçou aos céus como túmulo do último faraó do Egito antigo... Ah É o Grant Morrison. Super-heróis, idéias malucas e múmias na Lua. O que mais você precisa de um gibi? |
JLA: ANOTHER NAIL
Você acabou de ler sobre Seaguy, não? Tudo que a mini do Grant Morrison critica, parodia e ironiza no mundo dos super-heróis está na minissérie de Alan Davis para a DC. Continuação do sucesso O prego, a nova história começa um ano após o final da última mini. O conflito entre Nova Gênese e Apokolips encerra-se à moda cósmica-retumbante, e dá início a uma saga que mistura quase todos as personagens DC no combate a uma ameaça do nível de Crise nas infinitas Terras. Veja bem, a idéia da linha Túnel do tempo é inventar possibilidades malucas para os heróis DC, de preferência inimagináveis, criativas (mesmo que raramente seja o caso). Davis faz outra coisa: ele recorta alguma memória de infância do universo DC do jeito que gosta e cria uma desculpa pra desenhar o maior número possível de personagens em vários daqueles superpainéis que esgotam as tintas coloridas da gráfica. Fanboys do mundo vão, como na minissérie precedente, ficar de olhos arregalados com a também fanboyzice de Davis, babando cada vez que captarem uma referência. Eu, pelo contrário, não tive paciência pra entender a trama. |
B.P.R.D.: A PLAGUE OF FROGS 5
Já foi assistir a Hellboy no cinema? Filmezinho divertido, né? Deu até vontade de voltar e reler todas as histórias já publicadas do monstrão vermelho. Foi o que fiz. O que acabou levando a outra constatação: gostei mais do filme do que dos gibis, algo inédito na relação HQ-cinema. Mas a idéia aqui é falar de revistas, não de cinema. E, mais especificamente, desta última minissérie do Bureau de Pesquisa e Defesa Paranormal, o único lançamento relacionado a Hellboy (fora algumas reedições) que a Dark Horse colocou nas lojas para aproveitar o embalo do filme. Após várias edições especiais em que a turma de coadjuvantes teve aventuras desenvolvidas por escritores convidados, o próprio Mike Mignola assume o roteiro. A diferença é significativa. Mesmo com os (ótimos) desenhos de Guy Davis, dá pra perceber a mão de Mignola empurrando para uma narrativa mais visual, inventando imagens aterrorizantes. Essa é a única coisa boa da mini. A história não tem bem um sentido ou razão de ser. O legal mesmo é o mistério que percorre as várias páginas silenciosas, especialmente na última edição, prenunciando mudanças na vida de Abe Sapien e do Bureau. É uma história menor no universo Hellboy, mas vale pra quem é fã de carteirinha da personagem. |
CONAN 6
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A proposta do novo título na Dark Horse é seguir fielmente os pulps de Robert E. Howard, o que a distancia bastante do meu Conan predileto e um pouco da versão mais conhecida da personagem, a de Roy Thomas. Na primeira seqüência de aventuras, Conan e um bando de aesires chegam a Hiperbórea - um lugar que o bárbaro imaginava ser o paraíso na Terra, mas que quase o manda para o inferno. É uma típica história do cimério, mesmo que seja de um Conan bem mais jovem e inexperiente. Lembra um pouco as tramas do Roy Thomas, mas dá pra notar bem a diferença de perspectiva do Robert Howard. O que não dá pra notar é a mão do Kurt Busiek, teoricamente roteirista da publicação. Porém, os desenhos de Cary Nord, apesar de inconstantes, combinada à belíssima pintura de Dave Stewart, devem agradar aos fãs mais antigos - são como páginas e páginas daquelas fantásticas capas dos pulps. |
PUNISHER 6
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Sinceramente, gosto muito do Ennis. Ele tem edições de Hellblazer e Preacher belíssimas e várias minisséries inteligentes. No entanto, só consegue tratar o Justiceiro como uma piada ambulante. Isso deu três ou quatro episódios divertidos. Agora encheu o saco. A idéia de transportar a série para a linha Max supostamente traria um tom mais sério. Ennis até tenta: cria uma trama onde o antigo parceiro de Castle, Microchip (ele não tinha morrido?), alia-se a agentes do governo para acabar com a cruzada do anti-herói. E o novo desenhista, Lewis Larosa, dá o clima certo pra uma boa história. Até parece interessante, no início. Depois descamba pra mais palavrão, piadas com referências sexuais e desculpas pra mostrar cabeças explodindo. Foi legal o irlandês aparecer na vida de Frank Castle. Aqui e ali se aproveitou uma boa idéia, mas já deu. Acabou. Hora de achar outro escritor para o Justiceiro ou de esquecer o coitado por um tempo. |
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