Na
seção "LÁ FORA", o Omelete lê e comenta todos
os grandes lançamentos em quadrinhos nos Estados Unidos.
Será que aquele projeto que foi tantas vezes notícia aqui rendeu alguma coisa boa ou foi decepcionante? Quais são as novas séries que estão agitando os leitores americanos? Onde estão surgindo os novos nomes, seja de escritores ou ilustradores?
Vamos conferir aqui, sempre atentos às lojas especializadas americanas, as respostas para estas e outras perguntas.
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Você já sabe, né? Agora a Marvel é, não-oficialmente, um depósito de idéias para filmes. Afinal, é o que enche os tubos da editora de dinheiro. Então, não faz mal lembrar Hollywood, de vez em quando, que existe toda uma galeria de personagens no limbo. Quem sabe até dá pra fazer uma história realmente boa, com criadores de verdade? Pois é, quem sabe... A recente minissérie do Homem-Coisa é uma amostra do que será o filme do monstro, neste momento em pré-produção. É escrita pelo mesmo roteirista do filme, Hans Rodionoff. Se o talento de Rodionoff estiver todo representado aqui (e em outra recente produção sua para os quadrinhos, o romance gráfico Lovecraft), prepare-se para mais uma bomba cinematográfica. A mini é uma clichezão sobre uma grande corporação que interfere em terra sagrada e desperta seu espírito protetor - o Homem-Coisa, claro (nem preciso lembrar que não tem nada a ver com o conceito original). Será que o filme vai ser tão ruim assim? As coisas melhoram muito pouco em Strange, que reinventa a origem o Doutor Estranho. A primeira edição é verborrágica e infantil, assolada por clichês. E os desenhos de Brandon Peterson, que deviam ser maravilhosos (as capas dele em Ultimate X-Men e Green Lantern, bem como seu trabalho na Crossgen, são excelentes), são apenas comuns. J.M. Straczynski, um roteirista de quem gosto bastante, erra feio nessa mini. Já em Warlock e Black Widow dá pra ter mais esperança. A primeira tem uma idéia bem legal - uma designer é contratada para trabalhar em um filme sobre Warlock, mas o filme acaba sendo um plano do Enclave para ressuscitar sua criação - e um roteiro muito bem amarrado (Greg Pak, vindo do cinema indie) e desenhos bastante adequados (Charlie Adlard). Richard K. Morgan, roteirista da nova mini da Viúva Negra, está se esforçando para ser divertido, enchendo as páginas de piadinhas e referências; mas Bill Sienkiewicz está desenhando pra caramba, o que até agora salva a mini. Tenho esperança que melhore até o fim. |
RUNAWAYS 18
As melhores idéias são aquelas para as quais você olha e pensa: putz, ninguém fez isso antes? Mas como?? Runaways é assim. Seis adolescentes descobrem que seus pais são supervilões planejando a destruição mundial. O sexteto, então, une-se, desaparece da vista dos genitores e resolve preparar algum plano para enfrentá-los - ajuda o fato de descobrirem que são mutantes, ou superdotados, ou extraterrestres. Em suma, super-heróis mirins. A série é maravilhosamente bem conduzida por Brian K. Vaughan - que é um cara que está quase lá em tudo que faz: Y the last man, Ex-machina - e tem desenhos muito bons do novato Adrian Alphona (quando não do excelente Takeshi Miyazawa). O final - forçado por causa das baixas vendas - foi meio abrupto, fechando todas as pontas, mas abrindo outras num epílogo que me deixa esperançoso quanto a um possível retorno no futuro. (Adendo de última hora: Vaughan informa que a série volta até fevereiro de 2005.) Se for adaptada para o cinema, vai ser chamada de Os Goonies do século XXI. Confira você mesmo. |
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NEW FRONTIER 6
Pense O reino do amanhã, só que na Era de Prata. Esse ambicioso projeto do escritor e desenhista Darwyn Cooke é uma gigantesca história - não apenas por ter seis edições de 80 páginas, mas por ter um espírito majestoso - e uma entusiasmada declaração de amor ao heroísmo do universo DC na década de 60. Estão em destaque ali todas as personagens que tiveram seus grandes momentos na época (Flash, Lanterna Verde, Ájax) e mesmo outros que a maioria só conhece por revamps (Os Perdedores, Desafiadores do Desconhecido, Esquadrão Suicida). As imagens de Cooke são gloriosas. Além do seu estilo - Hanna e Barbera encontram Jack Kirby - ser único, suas páginas são excepcionais. A grande maioria delas, em New frontier, é dividida apenas em três painéis horizontais. Faz você ver aquilo como um grande filme em widescreen. E Cooke sabe usar o espaço como ninguém. New Frontier pode ser chata para quem não conhece nada da DC dos anos 50 ou 60 (como eu). Mas os desenhos de Cooke valem a pena. E vale também a análise, em retrospecto, da moral americana de quase meio século atrás. Legal ver que o grande herói destacado por Cooke é Hal Jordan, grande arquétipo do aventureiro sem medo americano, mas avesso à guerra. |
ROGUE 1 / GAMBIT 1 / JUBILEE 1 / X-FORCE 1 / NIGHTCRAWLER 1 / MADROX 1 / SABRETOOTH 1
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Rogue: lembra das outras minisséries dela? Nem eu. Pois você também vai se esquecer dessa. Gambit: mesma coisa. E ainda copia a idéia da precedente: o herói volta à cidade natal e envolve-se com sua velha vida de ladrão. X-Force: Rob Liefeld. E Fabian Nicieza. E é pior do que você imagina. Jubileu: série de colegial clichezona. Que mundo insano é esse onde cancelam Mary Jane (cujo tema é exatamente o mesmo) e colocam Jubilee no lugar? Noturno: médio pra ruim. Mas para que ele precisa de uma série? Madrox: Uhm, Peter David. É divertida. Aguarde comentários ao final. Dentes-de-Sabre: o Daniel Way já copiou descaradamente um filme do John Carpenter, Enigma do outro mundo, em Venom. Me dê mais algumas edições e eu digo que filme ele está copiando desta vez. Que cara-de-pau! |
GREEN LANTERN 181
Em Green Lantern 175, a página final revela que Terry, o amigo homossexual de Kyle Rayner, pode tornar-se o novo Lanterna Verde! Porém, na edição 176, Ron Marz substitui Ben Raab nos roteiros e... Varre a trama do colega pra escanteio!! Acredite: deve entrar para a história das coisas mais mal-amarradas dos quadrinhos. Bom, mas aqui já é a edição 181, e o rápido retorno de Marz à série serviu apenas para fechar algumas pontas soltas da vida de Kyle. Afinal, Hal Jordan retorna mês que vem (em nova publicação). Primeiro, Marz faz Kyle comer o pão que o diabo amassou. Depois, enfia-o numa batalha final com Major Força (aquele que matou a namorada do cara, lembra? Tava merecendo uma boa história de vingança). Por fim, dá um epílogo extremamente vago... Afinal, a gente só vai saber o destino de Kyle daqui a alguns meses. Essa rápida passagem de Marz foi, pelo menos, uma melhora em relação ao que Ben Raab estava fazendo. Metido numa longa jornada espacial, as histórias do Lanterna estavam estupidamente chatas, rendidas aos piores clichês possíveis de tramas espaciais. Marz trouxe a ação de volta à Terra e, dentro do possível, fez bem o que tinha que fazer: dar um fim à personagem que criou há mais de dez anos. Uma última coisa a destacar: o brasileiro Luke Ross não só está melhor do que os desenhistas anteriores da revista, mas também teve uma evolução pessoal no estilo. É sempre bom elogiar um conterrâneo. |
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