Melhores HQs | Janeiro/2012

Oeste Vermelho, Era a Guerra das Trincheiras, Gen - Pés Descalços, Kardec, Polina, El Invierno del Dibujante

15/02/2012 - 1:15 - Érico Assis
Oeste Vermelho
Oeste Vermelho

Era a Guerra das Trincheiras
Era a Guerra das Trincheiras

Kardec
Kardec

El Invierno del Dibujante
El Invierno del Dibujante

Gen - Pés Descalços
Gen - Pés Descalços

Polina
Polina

Na coluna mensal MELHORES HQs, o Omelete seleciona o que há de mais interessante entre os lançamentos nas histórias em quadrinhos nas bancas e livrarias nacionais (e, eventualmente, internacionais).

Como a maioria das editoras tirou férias em janeiro, pegamos alguns lançamentos que saíram nos últimos meses de 2011 e que ainda estão nas livrarias e bancas.

OESTE VERMELHO

Magno Costa / Marcelo Costa
88 páginas, 20x20 cm, colorida
Devir
R$ 34,50

No velho oeste, os mocinhos são ratos e os bandidos são gatos. E pronto, a partir desta premissa você já pode prever a trama de Oeste Vermelho, álbum de estreia dos irmãos Magno e Marcelo Costa. Embora o enredo de cidadezinha tranquila, saloons, tiroteios e vingança seja a que você já conhece se assistiu a qualquer western, os desenhos, as cores e a narrativa são de um primor detalhista que fazem o álbum valer a pena, com bichos cuja expressão não é antropomorfizada - são ratos e gatos, ameaçadores ou amedrontados com expressões de ratos e gatos. Vale a pena ficar de olho nos próximos trabalhos da dupla Costa.

ERA A GUERRA DAS TRINCHEIRAS

Jacques Tardi (tradução: Ana Ban)
128 páginas, 22,5 x 29,5 cm, preto e branco
Nemo
R$ 49,00

Clássico relativamente recente do quadrinho francês, Era a Guerra das Trincheiras é mais uma chance dos leitores brasileiros conhecerem a amplitude de estilos de Jacques Tardi - que, dos 40 anos de carreira, só teve O Grito do Povo também publicado no Brasil. Trincheiras é um manifesto contra a guerra, relatando com precisão matemática e dramática a participação da França na imundície da Primeira Guerra Mundial. Tardi cria personagens apenas para ilustrar dados reais sobre o conflito, seus mortos, feridos, injustiças e absurdos. É uma forma diferente de fazer quadrinhos, próxima do trabalho jornalístico de Joe Sacco, mas mais cruel. Por coincidência, a obra sai aqui pouco depois de ganhar um prêmio Eisner pela sua publicação nos EUA.

GEN PÉS DESCALÇOS vol. 1 (de 10)

Keiji Nakazawa (tradução: Drik Sada)
280 páginas, 14 x 21 cm, preto e branco (com trecho colorido)
Conrad
R$ 24,90

Falando em manifestos contra a guerra, Gen é um dos mais famosos do quadrinho mundial. Publicado originalmente na década de 1970, é o relato de Nakazawa como sobrevivente da bomba atômica em Hiroshima, e nas últimas décadas há incentivos para sua publicação em todo o mundo como alerta contra o poderio bélico. Já saiu inclusive no Brasil, pela mesma editora Conrad, mas agora sai sem os cortes que aconteceram doze anos atrás. À primeira vista, narrativa e traço são bastante infantis, o equivalente de Turma da Mônica para o quadrinho japonês. Mas esta infantilidade cria um contraste chocante quando a bomba cai e o menino Gen não só vê pessoas de pele derretida vagando pela cidade, mas seus pais e irmãos esmagados pela casa que desabou. E este é só o final das 250 páginas do primeiro - de dez! - volumes.

KARDEC

Carlos Ferreira / Rodrigo Rosa
144 páginas, 18,5 x 24 cm, preto e branco
Barba Negra
R$ 34,90

A dupla Carlos Ferreira / Rodrigo Rosa já tinha mandado bem na adaptação de Os Sertões: A Luta . Na nova colaboração, foram ainda mais experimentais e ousados ao tratar da biografia de um dos grandes nomes do espiritismo. Desde a capa, o preto, branco e cinza da arte de Rosa é ilustração extremamente refinada, que leva às últimas páginas "viajantes", em que o leitor tem que girar o livro para ler. O problema do álbum, porém, está em deixar a biografia pela metade, ou confiar que o leitor já conhece algo da vida de Kardec. O glossário no final, por exemplo, é a única explicação que se dá para os interlúdios em que a história volta ao período dos druidas, no Império Romano. Fora essa falha, é uma das HQs mais bem ilustradas a surgir no Brasil nesta última década.

POLINA

Bastien Vivès
210 páginas, preto e branco
Casterman
18 euros

Enquanto isso, na França: um dos álbuns mais comentados de 2011 no pujante mercado europeu foi o singelo conto de Bastien Vivès (que terá um álbum publicado no Brasil este ano) sobre uma bailarina e a relação respeitosa-conflituosa com um de seus professores. O mais marcante tanto no traço quanto na narrativa de Vivès é a narrativa: tudo flui como um balé, de forma que você é carregado pela história acompanhando os passos da bailarina. Numa das sequências finais, Polina visita uma escola e menininhas bailarinas pedem que ela dance. É só um quadro, sem contornos, no meio da página, com Polina em três poses, e de alguma forma sua cabeça "percebe" toda a dança que ocorreu entre cada pose. Pela obra, Vivès ganhou o prêmio dos bibliotecários e o prêmio da associação de críticos de quadrinhos da França. É sem dúvida uma das HQs mais importantes que se publicou no mundo no ano passado.

EL INVIERNO DEL DIBUJANTE

Paco Roca
128 páginas, colorido
Astiberri
16 euros

Enquanto isso, na Espanha: Paco Roca, já renomado por diversos álbuns na Europa - e em alta com a adaptação de seu Arrugas como longa de animação - resolveu transformar em HQ um episódio pequeno mas importante na história dos quadrinhos espanhóis: quando um grupo de quadrinistas resolver deixar a editora Bruguera, potência dos anos 1950, para formar sua própria revista, buscando reter direitos autorais e ter liberdade criativa. O plano deu errado não por incompetência, mas devido a uma traição. Roca tem um estilo clássico, sóbrio, próximo da estilização da "linha clara". Embora tenha uma estrutura de drama, o desenho e a paginação clássica dão um ar de documentário à história - ela é contida, certinha, estável, sem precisar transformar os pontos altos da trama em splash page nem requadros estrambólicos. É como os bons documentários contemporâneos, sem piruetas de câmera para reforçar alguo - a narrativa tem impacto por conta própria. Com todo esse cuidado clássico, Roca acaba sendo extremamente contemporâneo, e também fez uma das HQs mais marcantes do ano passado.

Veja mais lançamentos recomendados em  Melhores HQs

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