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Paying for It: A Comic-Strip Memoir About Being a John | Crítica

Chester Brown narra suas experiências com prostitutas em graphic novel

Érico Assis
04 de Agosto de 2011

Paying For It

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Chester Brown
Canadá , 2011
Biografia / Ensaio Drawn and Quarterly

Ótimo
Paying For It
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A graphic novel mais comentada nos EUA este ano, até agora: as memórias de Chester Brown sobre o período em que teve relação com prostitutas, em uma espécie de ensaio em defesa do sexo pago e contra a tirania do amor romântico.

Se você achou estranho o primeiro parágrafo, este aqui talvez compense: nunca vi outra HQ ter Robert Crumb, Neil Gaiman e Alan Moore tecendo elogios juntos na quarta capa. E os três não costumam gastar teclado pra qualquer coisa.

Paying for It: A Comic-Strip Memoir About Being a John é, em outras palavras, um relato autobiográfico sobre ser um “john” – gíria utilizada no inglês para os clientes das profissionais do sexo. Brown faz o inverso do anonimato de um “john”: revela em quadrinhos, uma a uma, as relações que teve com prostitutas durante um período de seis anos.

Quem espera algo pornográfico ou minimamente erótico vai broxar. Por mais que a HQ tenha cenas de sexo, elas só parecem estar ali pela questão burocrática que o autor impõe-se de mostrar graficamente suas experiências. Brown não reforça atributos físicos de nenhuma das moças (que, aliás, nunca têm o rosto desenhado), além de ser cruel com sua própria forma física esquálida, careca e de óculos.

Não contente em fazer seu relato, o autor transforma seu álbum numa espécie de manifesto a favor dos que pagam por sexo e dos que vendem sexo. Entre cada encontro com acompanhantes, Brown mostra conversas que teve com os amigos mais próximos no mesmo período, montando sua filosofia contra o amor e a monogamia.

“Agora vejo que o ideal do amor romântico na verdade é maléfico... O amor causa mais tristeza do que felicidade. Pense em todas as pessoas que almejam o amor mas sentem-se desgraçadas por não conseguir encontrar... É impossível uma única pessoa ser compatível com todas nossas necessidades emocionais e sexuais.” Brown – defensor declarado do libertarianismo - despeja suas frases inclusive sobre amigos famosos, como os também quadrinistas Seth e Joe Matt. Para não deixar dúvidas sobre suas posições, o autor ainda escreve vinte e três apêndices à HQ, rebatendo cada argumento que conhece contra a prostituição.

Com este posicionamento nada usual, Paying for It também não é um quadrinho usual. Não parece haver conflito, nem clímax, nem ênfases. A história anda num movimento arrastado – que parece intencional, visto a desempolgação nas expressões, nos cenários e no estilo das páginas de Brown. Mas se analisado pelo lado de que os quadrinhos devem aceitar cada vez mais gêneros, pode-se dizer que o autor está acrescentando o relato/manifesto ao repertório das HQs. Vale lembrar que em sua obra mais famosa, Loius Riel, ele também inovou na forma de contar História com H maiúsculo em quadrinhos.

Paying for It é uma obra curiosa por todos os motivos acima. Justifica todo o falatório. E pode dar bom combustível para conversas de bar sobre amor, sexo, relacionamentos e dinheiro. Da minha parte, o que acho mais interessante é ver essa discussão ser provocada por um gibi.

PAYING FOR IT tem 292 páginas e custa US$ 24,95


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Comentários (7)

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James James (04/08/2011 22:27:55)   114 0
Realmente a tese dele é muito "sedutora". Principalmete se vc é feio, pobre, tolo e antipático.

Só pagando!



jkask jkask (04/08/2011 22:15:53)   0 0
Já baixei o scan e li. Excelente.



sem avatar Leonardo (04/08/2011 14:07:26)   2 0
Parabens pela critica, Erico. A proposito, fiquei sabendo ha pouco tempo que vc e de Pelotas. Morei la bastante tempo. Bela cidade. Alias, parabens tb pela traducao do fantastico Retalhos, do Craig Thompson.
Abraco



Igor Igor (04/08/2011 11:29:21)   77 0
Quero essa HQ no Brasil. O triste é que deve demorar muito.


Calebe Calebe (04/08/2011 16:06:17)   342 0
Scans aí vamos nóóóóós!


sem avatar Rodrigo (04/08/2011 08:29:31)   0 0
Se forem adaptar essa HQ pro cinema algum dia, meu voto vai para Jackie Earle Haley interpretar o protagonista. O sujeito é a cara dele, e parece o tipo de personagem que ele interpretaria.




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